Martizes do Invisível
Somos telas de linho cru, vazias, prontas para os traços, onde cada cor se entrelaça e flui, na busca por tons, por abraços. Somos gravuras que escondem o rascunho, emolduradas de aparências e disfarces, mas no fundo, ansiamos o esboço, aquele azul que vem em dispares matizes. Não há um só azul — há o azul com toque de roxo, um reflexo de céu noturno, onde também mora o ocre e o laranja, chama que vibra, quente e profunda. E nesse pintar-se sem pincel, buscamos mais que só cores e matizes: buscamos o tom, a linha invisível, que nos preenche e nos faz reais. Seremos, enfim, a tela e o pintor, nos tingindo de vermelhos, azuis, até que o quadro esteja completo, sem faltar nem uma única luz.
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