Não deixe o amor acabar, pois o amor é a última barreira para o precipício.
Não deixe a razão se esvair, sem ela, não somos melhores que um animal quadrúpede.
Pois, sem razão, o amor vira delírio,
e, sem amor, a mente vira pedra, que o ódio consome.
Sem o farol do pensamento, o instinto fica cego guiados pela pressa e pelo imediatismo,
esquecemos de olhar para o céu e contemplar as estrelas caindo.
Viver assim é o mesmo que já ter morrido.
O belo desbotou e se tornou feio; até a arquitetura virou caixas quadradas.
Esquecemos o simples, esquecemos a verdade. A mesma verdade que se foi
com a extinção dos vagalumes.
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Rego-lhe com amor
Pequenos girassóis
Roga aos céus pela
PRIMAVERA
E
Ao desembrulhar das pérolas
Lança teu perfume.
Alimentando o enxame de belas abelhas.
Quem me dera ser uma fada do campo.
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Compadeço-me da tristeza do assum-preto,
que para ter tão lindo canto
lhe foi roubado o que lhe era tão precioso.
Pássaro em gaiola canta em lamento,
como se rezasse pela sua liberdade.
A escuridão lhe faz morada.
Teu olhar perdeu a luz e a cor.
Tua gaiola é teu corpo
que vive solto, mas a luz não pode ver.
E o teu lindo canto...
Grita liberdade!
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Beijada pelo vento,
amanheci atordoada.
Andei em passos lentos.
E valsei ao som do tilintar das folhas,
com as pétalas de flores caídas no chão
formando tapetes,
anunciando a chegada da primavera.
Faltam exatos cinco dias.
O perfume das flores se espalha pelo ar,
despertando a terra e mudando o cenário.
A brisa suave vem me convidar
a acompanhar um novo ritmo,
trocando as memórias da velha estação
pelas novas cores e renovando a energia em meu coração.
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As vezes no silêncio da noite,
Imagino o futuro, que mesmo incerto,
Te desejo.
As vezes com o brilho da lua, no fechar os olhos, consigo sentir seu toque.
Te quero.
E sempre ao raiar do sol, eu me lembro que você se foi.
Te odeio.
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Despir-me de todo ressentimento,
tristeza e caos.
Lave-me dos pés à cabeça
e purifique meu ser.
Nadarei entre as turvas águas,
não desistirei.
Mergulharei fundo,
onde o medo não me alcança,
transformando a tempestade
em meu próprio cais.
Pois sei que, além da maré alta,
habita a esperança,
e, nas águas do tempo,
não irei me perder jamais.
Sim, eu tenho medo
do fundo e da imensidão do mar,
mas não deixarei que o receio
paralise meus passos.
Farei do medo a minha oração
ao me entregar ao oceano,
Desfazendo os nós e os laços,
Vivendo o renascimento.
Com a alma pura e lavada
pelas águas salgadas
desse doce (a)mar.
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Como um girassol são teus cabelos, Enrolados feitos caracóis.
Desejei o cheiro do teu cangote rente ao meu, entrelaçando teus cachos entre os dedos.
Teus cabelos buscam o mesmo sol
Que aquece a tarde e doura a tua pele,
E nesse brilho que me acolhe,
É o teu calor que tudo rege.
Perco-me no traço do teu sorriso,
Onde a luz da tarde vem repousar,
Pois basta um suspiro teu ao pé do ouvido
Para o meu próprio mundo desacelerar.
Morro de desejo de te confessar
Que o que levo em meu peito é todo teu.
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Ele me disse "Oi"
E, eu respondi: Oie
Oie, sem nenhuma mágoa
Tristeza ou sofrimento.
Então entendi que esse tempo já passou.
E isso me traz paz.
Carrego dores que não me pertencem.
Sinto demais, me afeto demais, me envolvo por inteiro.
Às vezes, eu desejo roubar a tristeza das pessoas que amo,
Pois me dói ainda mais vê-las sofrer.
Aí eu lembro que sou apenas uma mera mortal, sem nenhum superpoder.
Que não pode cruzar a tempestade em seu lugar, nem tomar para mim o fogo que os transforma.
Entendi que a cura está na travessia individual, um processo lento, denso que exige os próprios passos.
Hoje já não tento roubar-lhes as dores do teu caminho; escolhi ser a terra firme no fim do oceano, para lhe apoiar.
Não serei a força que carrega o fardo,
mas o porto seguro onde sempre poderá ancorar.
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Quem tem o poder de gerar vidas?
Não é você, nem eu.
Não vem do ato carnal,
Mas sim da permissão de Deus.
Permissão sem prazo definido,
Pois o amanhã ainda não foi escrito.
Ninguém questiona o Criador,
Sua vontade é feita, até na dor.
Ao fim da vida, o laço de mãe e filho não se desfaz.
Oro por sabedoria e discernimento para prosseguir,
Mas Deus sabe que, neste momento,
Eu não sei o que dizer ou fazer.
Descanse em paz pequeno Azael.
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