Fala
Falta pouco. Coisas, noções, apenas. Poucas, distantes, pequenas. Dissertações reafirmaram valores, E discursos, estampas de grandes homens. O sal da pele, que transpira do mal da terra, Afagou no conforto sua prole. Muita é a distância que percorre, Mesmo que falte alcance no espaço. Os músculos ainda se enrijeceram, Ossos esfarelaram, E lamúrias cicatrizaram. Pouco controle, Pois por ele foi criado, Nunca ensinado a prostrar-se, Medido com base em outro gramado, Em outro vaso, Pelo mesmo cálculo. Apesar da culpa, Tal que não se pede, Mas tatua e esconde, Com vergonha rebelde, Não lhe faz jus marcar outra pele. Vi outrora, com vergonha, pequenos ruídos. Entre grandes, volumosos, muitos, foram ínfimos. Fomos por pouco, roucos bramidos, Loucos festejando em uníssono, Pois não se viram, mas estavam reunidos, E de sempre, pouco mais que sempre, eram amigos. Cresceu-me a culpa, E dobrou-te a que lhe infligiram. Pouco se fez, mal foi feito, incabível. Desfez-se o som, mar, ar, sentidos. Sobrou pouco, apenas isso: Linhas, palavras, rabiscos. Nunca se fala o que deve ser dito, Mas as mãos seguem desenhando o sentido, Com cada letra, salpicos contidos, Contados a um espelho vazio, Em uma sala turbulenta e vazia. Pouco se fez, mas muito se fala. Pouca culpa tem, e tanta a retalha. Isso — seu nome, meu codinome, sem desculpa — Persegue minha fala.
Ella
Essa poesia dialoga de dentro pra dentro. O quanto a gente consegue mergulhar? Os achados são esses, experiências em tantos níveis. E eu me pergunto, o que mais podemos achar que valha a pena, dentro pra dentro. Ótima poesia , como sempre amigo ST. 🌷
S.T
Obrigado por sempre ler, minha amiga. E não só observar, mas refletir sobre, se identificar. Fico grato que minhas loucuras encontrem sentido sobre outra visão.