S.T @Sou_ST

Pacato

Por vezes o tempo me transpassa, Queima-me o sol da varanda. Por outras, cobre-me o vento como véu, E logo sinto-me abraçado pelo céu. Retalho meus dedos, custa o peso de prever o infortúnio. Horas que sangram a carne, recai sobre meu espírito o mundo. Porém, toma-me o silêncio, ambíguo e profundo, Logo torno a homem, que balbucia seu egoísmo absurdo. Chama-me a atenção, observo a vela e sua chama. Torço, rezo torto, imploro que permaneça, Mas tanto a vela quanto a chama nunca mais serão as mesmas. Tenho mantido, tal mérito posso celebrar, A franzina linha que delimita pensar e pecar, Que mantém o homem e não o torna sujeito a profanar. Prendo-me às minhas próprias linhas, Atribuições de expectativa, Experiências de belas vistas. Procuro a sorte como amiga, Apesar de por vezes mal vista, Pois o resultado do encontro é perspectiva. Que o passado guarde o tenro de minha mão, As palavras de amor, Promessas de dedicação; Extraia do café o amargor, xícaras de aflição, Que tenha a juventude como recordação, E o presente não me leve à reconciliação. Tenho estado, mas já não sinto transbordar. Congela-me o temor, então sigo a caminhar. De repente me vem a clareza: Deixei o passado onde está. Sigo calmo e agitado, pacato como o mar.

Comentários · 1

  1. Ella

    Muita profundidade em camadas amigo, sei que faltam palavras pra nomear (ao menos pra mim), mas entendo muito bem.👏 Bela poesia.

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    1. S.T

      Muito obrigado, minha amiga. Há tanto a ser dito que por vezes acabamos em silêncio, e poucos ruídos são o melhor que conseguimos.