Vivo
Busque-me, suplício. Tira-me deste pesadelo, Este que idealizam com anseio, Que me tira o chão, Afoga-me no céu, Neste que me submerge em teus olhos. Já não respiro do ar que passa, Apenas do que pesa, Que, com pesar, sussurra-me saudades. Cada palavra dita, vendida, Cuspida pelas casas joviais, Marejam minha vista, Travam minha jugular como gargantilha, Trazem consigo esse retrogosto, Empapuçado, desgostoso, Que impregna na carne, no osso, E torna minha sanidade em vaidade. Sinto-me como memória póstuma, Singular, simplória. Que, como quadro, empoeira-se nas bordas, Onde a face desbota, Para o qual já não se olha. Pois o viver é, de fato, ingrato. Atiçou-me como Sherlock ao ver mistérios, Agarrou-me como em um sequestro, Me desmembrou, costurou com teu afeto. Fez-me escravo, por Estocolmo embriagado, Entusiasmado, de monumentos encarregado, Tais, para ti dedicados, santuários. Eis o que são: artefatos empoeirados, desgastados, Que me tornam historiador dedicado, Viciado em vislumbres do passado.
Ella
Belíssimas metáforas para descrever a angústia e ao mesmo tempo o fascínio por nossos pensamentos ruminantes. Parabéns pela obra amigo.
S.T
Obrigado, minha amiga. É sempre uma grande honra.