Cocaína eletrônica
Certo dia, em meio ao trânsito injulgável, esbarrei em poesia. Tornei-me asfalto preenchido por vício falado de língua, retinta mágoa, míngua, fera de dentes afiados. “Tudo é opcional”, disse,“nada é obrigado.” Refugiei-me na pátria do ócio, calcificado fóssil perante o ensino agrícola, Escapou-me à mente a genealógica amarra, ânsia infeliz de sina. Dediquei-me quase que integralmente à rima, que, a todas as almas arma, em raiva pandêmica dos que encontram no trabalho meio de morte, larguei-me à própria sorte. De tão frágil e sensível o elo, julguei curta a vida útil do maquinário poético, corpo meu. Mas, como a mim e a todos diariamente me sujeito e me rebelo; Sigo contrariado e cego perante a engrenagem a ranger anatômica, perante os espasmos fébris da cocaína eletrônica, E a pureza crônica que assola as crianças fabris.
Ella
Incrível. 🌷👏
Victória Bianca
Obrigada 🥰