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Lunix.L [Luis Silva]

@Sand_L · desde 2021

“Amigos, conhecidos, perdão pela distância, Minha alma nômade tem outra ânsia...” ©>®Todos direitos reservados a L.L e L.S. (Não copie)

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Fábula

“Carne”

Estou na festa, a mesa cheia, carne pra todo lado... corpos servidos, prontos, temperados pro olhar de qualquer um. A carne treme. É fresca. É bonita de longe. Mas meu estômago não chama isso de fome. Eu não como com os olhos. Preciso do nome primeiro, da história antes do abate, do tempo que levou até virar isso que tremula na mesa. Só depois o corpo vira gente. Só depois a gente vira intimidade. Só depois a fome chega... Não de repente, mas devagar, lenha por lenha, até virar brasa que não se apaga fácil. Aí a carne deixa de ser carne. Vira comunhão. Vira o único prato que eu quero sentar e comer até o fim. By Lunix.L

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Amor

Impermanência

Ela: Quero um contrato. Não de papel de permanência. Que você fique onde eu possa te achar todo dia. Ele: Não posso. Minha natureza é passagem. Eu não moro. Atravesso. — O que dura, em mim, não é o ficar. — É o fundir. Ela: Então o que você promete? Ele: Fusão. Ocupar cada fresta sua até não haver fronteira entre onde você termina e onde meu apetite começa. Ela: Isso não é permanência. Isso é consumir. — O que dura, em mim, não é o ficar. — É o afogar, se eu deixar. Ele: Mas seguro um dique. Um controle fino, quase gentil, que decide quanto de mim cabe em você sem afundar. Ela: E se eu só quiser um pouco? Na medida certa, quando a sede pedir? Ele: Então você não quer a mim. Quer minha utilidade. — O que dura, em mim, não é o ficar. — É o que sobra, quando você já bebeu o suficiente. Não há mais fala. Só o espaço entre os dois. O contrato, não assinado. O rio, sem decidir se fica ou seca. Ela segura a caneta que não usou. Ele segura o dique que já não sabe o que segura. Nenhum dos dois teve o que pediu: ela, permanência. Ele, licença para ser inteiro. Ficam, não por contrato, não por fusão, mas pela dúvida, que, ao contrário deles, não tem pressa nenhuma de terminar. By Lunix.L

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Humanidade

Sociedade?

Quem disse que somos iguais? Que a pele é só superfície, que séculos não deixam marcas gravadas na carne e no olhar? Quem disse que pensar diferente é ameaça? Que amar diferente é ideologia inventada para ser caçada? Quem disse que dor se mede em padrões de fábrica? Que silêncio imposto é paz, e não sufoco? Quem inventou o “perfeito”? Essa máscara de vidro que reflete apenas um rosto e chama diversidade de desvio? Quem disse que ser humano é ser cópia? Que a diferença é falha, quando na verdade é chama? Eu não sou padrão. Eu não sou vitrine. Sou voz que rasga o molde, sou corpo que insiste em existir. Sou fissura na parede branca, sou grito contra a ordem muda, sou raiz que cresce torta porque reta é só a mentira. E se chamam isso de sociedade, eu me pergunto: sociedade? By Lunix.L

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Fábula

Alquimista

Grande amiga Lua, faz um tempo que não nos falamos mais... Espero que o céu não esteja tão frio quanto no último verão...  Aliás, o Sol ainda brilha ou vocês estão brigados por conta da Terra ainda? Bem, independente da situação, espero que estejam bem... Gostaria de compartilhar algo com você — ontem sonhei com você, sim, e é estranho, vivemos em galáxias diferentes, mas te vi vindo até mim e acordei bem no momento em que você dizia algo pra mim... Sei que não é o melhor momento, mas estou te escrevendo pra te dizer que possivelmente daqui a mais 5 trilhões de luz eu não esteja tão próximo quanto a distância atual... E talvez seja por isso que ainda escrevo, sabe como é difícil segurar uma caneta quando as mãos tremem de frio sideral... A gente vai adiando essas conversas achando que o universo é grande o suficiente pra gente se esbarrar em alguma curva do tempo... Mas ontem percebi que talvez 5 trilhões de luz seja longe demais até pra um sonho alcançar. Então antes que a próxima órbita me leve queria que você soubesse que daqui do meu canto do cosmos você ainda aparece... Nas marés que ninguém vê, nos ciclos que não peço pra existir mas existem do mesmo jeito. Cuide-se, Lua. E se o Sol perguntar por mim, diz que eu passei por aqui. ... Aliás, se você encontrar com a Lua hoje, pode falar que eu liguei? E a Terra também... faz tempo que ela não aparece. O Sol eu sei que tá bem, a gente se vê de vez em quando no trabalho, mas a gente não fala mais de verdade, sabe... Enfim. Cuide-se. — Alguém que aprendeu que algumas galáxias têm nome de gente. 🌆 By Lunix.L ☄️

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Amor

Amar você é como...

Amar você é como viver pela última vez, um mergulho sem fôlego, um incêndio que arde por dentro. É sonhar acordada enquanto a carne queima, é saber que não somos perfeitos e ainda assim desafiar o que é perfeição. Ser único não é se encaixar, é rasgar os moldes da sociedade contemporânea. Amor, sei que sou impulsivo e intenso, mas minha intensidade nunca foi cobrança, foi só a forma torta que encontrei de amar. Se isso te sufoca, lembre da porta aberta, mas me avisa caso passe por ela… Amar você é também sentir o peso do silêncio, o medo de perder e a vontade de ficar. É dançar entre o excesso e a fuga, entre o abraço que aperta e o passo atrás que fere. É como segurar água nas mãos: quanto mais forte aperto, mais escorre. E ainda assim insisto, porque há beleza até naquilo que não se contém. Mas amar você é também aprender a ouvir, é despir o silêncio, é deixar a palavra ser ponte e não muro. A transparência é o fio que costura nossas falhas, e se houver intenção de crescer, então até o caos pode virar casa. By Lunix.L

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Morte

O Peso da Brisa...

Numa sexta-feira cinzenta, dezessete de abril, Tu repousaste, voltando à tua origem de terra e pó, Sob um céu que não chovia, mas pesava, E a tua partida calou a casa aos poucos, Um silêncio que o mundo abraça de formas desiguais Para quem tecia os dias ao teu lado, A dor é a xícara intocada na mesa da cozinha, É a poltrona que, de repente, ficou grande demais, Uma âncora invisível que afunda os ombros, Fazendo a vida arrastar nos corredores vazios Já para quem te via na pressa dos calendários, O adeus é só um suspiro, entre um café e outro, Uma notícia mansa que a rotina logo dissolve, Como uma poeira fina que assenta no casaco, E que um simples bater de mãos espana para o ar E no meu peito, onde o luto é um terreno estranho, Há uma saudade rala, misturada à aceitação, Sei que não fui o bom neto das velhas fotografias, E, com uma franqueza serena, Admito que nunca serei, Mas enquanto olho a luz da tarde sumir devagar, O que me entristece não é apenas a tua partida, É o laço que, em vida, nós nunca soubemos dar By Lunix.L

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Maturidade

Versões

Sou carbono em trânsito, Fósforo no bolso que não acende, Procuro âncora sem pregar âncora, apoio-me na parede que range quando chove. Na sala, o copo trincado guarda minha voz; Quem fica aprende a abrir a janela devagar, A dor vem de jaleco e fala com voz de recepção, Marca consulta e some antes do fim do expediente. Curei e feri com as mesmas mãos que acendem luz, O eu que planejei é mapa rasgado na gaveta, Ainda assim, todas as noites eu risco o fósforo — Não para queimar, Mas para ver como a chama me olha. 🎭 By Lunix.L 🎭

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Sociedade

O Peso do Ar

O deserto agora tem a forma de uma mesa de carvalho. Entre os pratos vazios e os farelos de pão, estende-se uma distância que nenhuma frase seria capaz de atravessar. O café, antes fumegante, agora é apenas uma mancha estática no fundo da cerâmica, tão fria quanto o tópico que evitamos. As palavras foram usadas até o fio da navalha perder o corte. Agora, o que resta é essa substância espessa, o silêncio, que se sentou entre nós como um convidado indesejado que não pretende ir embora. Não é o vazio da ausência, mas a densidade do que já foi dito e do que, por pudor, nunca será. Olho para o movimento rítmico da sua respiração; você observa a poeira dançando no feixe de luz lateral. O relógio na parede parece ter ganhado volume; cada batida é um prego cravado na tampa de algo que já não respira. Não precisamos de despedidas dramáticas. O fim não veio com um estrondo, mas com o som metálico da colher batendo na borda da xícara, um código Morse que encerra a conta. Você se levanta, e o ruído da cadeira arrastando no piso é o único veredito possível. Terminamos de existir ali. 🍃 By Lunix.L 🕯️

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Sociedade

Arquitetura do Silêncio

Há cidades inteiras erguidas dentro de nós, avenidas de pensamentos que nunca se cruzam, praças onde o vento sopra segredos que ninguém ousa decifrar. O cansaço é um arquiteto paciente: vai erguendo muros invisíveis, paredes que abafam o som da própria voz, até que o eco se torne morada. E nessa arquitetura do silêncio, quantos se perdem sem mapa, quantos caminham sem bússola, como viajantes que confundem o destino com a própria ausência de caminho. Mas até na "pedra" há frestas: um vitral que respira luz, um gesto que abre janelas, um olhar que devolve horizonte. Não é utopia sonhar com pontes, com ruas que se encontram, com palavras que se tornam abrigo. É recordar que até o mais alto edifício se sustenta em colunas partilhadas, e que nenhuma cidade floresce se cada casa insiste em ser ilha. 🌃 By Lunix.L 🛣️

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Poema

"Não Morra em Min"

No silêncio da noite, teu nome ecoa Como um grito afogado no peito Teus olhos, que um dia foram abrigo Hoje são lembrança em tom desfeito Caminho entre sombras e memórias Com passos que não sabem voltar O mundo gira, indiferente à dor E eu finjo saber respirar Disfarço sorrisos em rostos alheios Coleciono ausências em cada olhar Mas há um fio tênue que me segura Um sussurro que insiste em me chamar “Não morra”, diz a voz que resta Mesmo quando tudo quer partir Há beleza no quebrado, no torto Há razão, mesmo sem porvir Se eu cair, que seja em poesia Se eu chorar, que seja em flor Pois viver é um ato de coragem E amar, mesmo na dor, é amor 🎗By Lunix.L 🌼 ________________________ Esse poema foi inspirado na música "SHINUNA!" de Kocchi no Kento...

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