O Peso da Brisa...
Numa sexta-feira cinzenta, dezessete de abril, Tu repousaste, voltando à tua origem de terra e pó, Sob um céu que não chovia, mas pesava, E a tua partida calou a casa aos poucos, Um silêncio que o mundo abraça de formas desiguais Para quem tecia os dias ao teu lado, A dor é a xícara intocada na mesa da cozinha, É a poltrona que, de repente, ficou grande demais, Uma âncora invisível que afunda os ombros, Fazendo a vida arrastar nos corredores vazios Já para quem te via na pressa dos calendários, O adeus é só um suspiro, entre um café e outro, Uma notícia mansa que a rotina logo dissolve, Como uma poeira fina que assenta no casaco, E que um simples bater de mãos espana para o ar E no meu peito, onde o luto é um terreno estranho, Há uma saudade rala, misturada à aceitação, Sei que não fui o bom neto das velhas fotografias, E, com uma franqueza serena, Admito que nunca serei, Mas enquanto olho a luz da tarde sumir devagar, O que me entristece não é apenas a tua partida, É o laço que, em vida, nós nunca soubemos dar By Lunix.L
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