Lunix.L [Luis Silva] @Sand_L
Amor

Impermanência

Ela: Quero um contrato. Não de papel de permanência. Que você fique onde eu possa te achar todo dia. Ele: Não posso. Minha natureza é passagem. Eu não moro. Atravesso. — O que dura, em mim, não é o ficar. — É o fundir. Ela: Então o que você promete? Ele: Fusão. Ocupar cada fresta sua até não haver fronteira entre onde você termina e onde meu apetite começa. Ela: Isso não é permanência. Isso é consumir. — O que dura, em mim, não é o ficar. — É o afogar, se eu deixar. Ele: Mas seguro um dique. Um controle fino, quase gentil, que decide quanto de mim cabe em você sem afundar. Ela: E se eu só quiser um pouco? Na medida certa, quando a sede pedir? Ele: Então você não quer a mim. Quer minha utilidade. — O que dura, em mim, não é o ficar. — É o que sobra, quando você já bebeu o suficiente. Não há mais fala. Só o espaço entre os dois. O contrato, não assinado. O rio, sem decidir se fica ou seca. Ela segura a caneta que não usou. Ele segura o dique que já não sabe o que segura. Nenhum dos dois teve o que pediu: ela, permanência. Ele, licença para ser inteiro. Ficam, não por contrato, não por fusão, mas pela dúvida, que, ao contrário deles, não tem pressa nenhuma de terminar. By Lunix.L

Comentários · 1

Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.