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Eu só queria estar morto
Com meu corpo torvo encaixotado
Sendo prato principal para o verme putrefato
Eu só queria estar morto
Decompondo sob o solo assim faminto
Fermentando nutrientes para ciclo infinito
Eu só queria estar morto
De sincera e mais pura vontade
O que me encerra toda densa sanidade
Eu só queria estar morto....
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____________SUED
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Com muito orgulho expresso
Em preço simbólico
Simplório
Voltei para ficar
Fixar a ideia
À laia escolhida
Colheita tão farta
Não falta mais nada
Calando meu grito
Adentro ao covil
—publiquei o meu livro—
—visite meu perfil—
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Enfim atento ao que há de vir
O frio do vento soprar, suprir
Não é tão quente quanto antes
E nem se sente tão gritante
Deixou calar por si só
Desatar o ponto em nó
Complicando o simples como apreço
Mas...
O que é realidade mesmo?
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Meu quarto cheira a cigarro
E o pigarro na garganta,
Me diz que não adianta,
Que não mais aguenta
Toda vez mais que incessante
Que minha alma indecente
Sempre sente e acalenta
Se meu corpo se levanta
Acalanto que, no entanto,
Cala o pranto transparente
De um pesar tão distante
Que diz tanto em ser presente
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Que, quando morto,
em meu corpo gélido, torvo
Coloque uma venda no meu olho
E dentro de minha boca,
uma moeda de ouro
Não quero ver pr’onde irei
Ou mesmo o que me aguarda à fronte
Esse é o motivo da venda
E a moeda é pra pagar Caronte
São tantos os infernos criados
Eternos desagrados
Que não sei qual escolher
Pelos homens inventados
Todos tão desesperados
Pr'um Paraíso conhecer
Eu quero a prova da existência
E mantendo a insistência
Meu caixão será como um abrigo
Podem chamar de demência
Mas não pedirei clemência
Pois não é hora de fazer inimigos
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Carnaval
Carne em vão
Tão banal
Tal divã
E a folia
Foi um dia
Diamante
De amantes
De quem mente
Sente passar
Assim tão rápido
Intrépido
Em tralhas
Lá fora
Agora
O foco
Demora
O bloco
Passando
Deixando um pouco mais
Do vazio de dias atrás
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Por saber demais se fez a culpa
Pôr do Sol de outono em um dia de chuva
Umedece calado ao lado diante
Escudo de cobre que cobre a frente
Escurece, ofusca qualquer vestígio de horizonte
Em busca do litígio qual cegou a fronte
O ouro já não brilha
Mas nunca foi de muito valor
A quem arrisca a trilha
Seja lá aonde ela for
Cheshire sempre teve razão
Aos perdidos aconselhar:
Não importa a direção
Se não sabes onde quer chegar
Qualquer lugar serve...
Qualquer abrigo aquece
Qualquer segredo esquece
Qualquer momento fornece
Qualquer beijo acontece
Qualquer corpo padece
Qualquer sono prevalece
Qualquer alma enaltece
Qualquer lírico resplandece
Qualquer história se tece
Seria mesmo fácil acreditar nisso
Mesmo que por suplício
Mas não é tão fácil como parece
Se o passado...
Se o passado permanece.
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Anteontem vi um pássaro morto
E todo pássaro morto é sinal de um mau presságio
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Sua carcaça de pulso roto
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E os vermes já lhe devoravam a carne
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Inda fosse em óbito digno
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Porém sua cabeça lhe foi arrancada
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Suas entranhas aparentes expostas
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Coágulo frente a um frio encarnado
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E trouxe o mal encravado n'alma
Respalda iminente que chega ao tardar
Apressa soante somente em calar
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Mas os vermes estão fartos
Rastejantes natos a se saciar
O que resta?
Assim como sempre o eterno esperar.
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O que existe
É tão distante
E se diz tanto
Não posso ouvir
E se ouvisse
Talvez fingisse
Por vez tão triste
Em me iludir
Não me atinge
Nem mais aflige
Real ouvinte
Persuadir
Tampouco importa
Portar em nota
Notando a rota
A se aplaudir
Pr'onde ela leva
Leveza em preza
Com pressa impressa
Falso sorrir
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Vago e ligeiro em posto leve
Pago inteiro o imposto breve
Como folhas douradas de outono pleno
Dolorido e colorido em fogo ameno
Passa e disfarça à batida do tempo
Como as asas cortadas do vento
Passado, imóvel, inanimado
Mas o olhar se caminha armado
Não cessa
Tem pressa
E mesmo que peça
Continuará a te olhar
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—essa poesia tem uns 10 anos mais ou menos... Queria compartilhar com vocês que finalmente, esse ano ✊ publico meu livro—
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