Quando dizem que estou cego
É que enxergo muito mais longe
Do que eles podem enxergar.
Quando dizem que estou morto,
É que o fôlego ainda sopra
Nas minhas narinas sem cessar.
Quando não me notam
Acordado estou em plena certeza de errar.
Meu destino é errar
Ser a lua onde o sol parece reinar.
Ser o fogo por onde a água arrastar.
Ser o céu onde o abismo veio a se firmar.
Enxergo muito mais longe que possam imaginar.
A diferença é que ainda não estou no meu devido lugar.
Preciso assumir o poder.
E minha vida retomar.
Serei um rato enquanto o leão não bramir.
E a lua enquanto o sol não brilhar.
Seguirei como diamante sem polir.
E Minha vida não se finda sem se iniciar.
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Ao preluzir da aurora
Outrora o sol
Em fecundo e generoso potosi.
Procela o corpo em arrebol.
Procela a face delgada em derrota.
Agarra se ao corpo cansado.
Aquele probo senhor.
O orvalho cobre a madrugada.
Aos olhos do probo procero preito.
A vergonha na face dilatada.
O caminho do probo,
Na verdade é o pravo.
O caminho do pravo,
Na verdade é o probo.
Meu pensamento é procaz
Sobre o probo.
Mas preluz em tua face
O pleite do inepto,
E do audaz probo.
E tudo leva ao topo
Da "prima facie".
(Marcos Dylan)
Prima facie é uma expressão latina que significa à primeira vista.
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Eu sou da geração passada
Que já chegou,
passou
E morou.
Que já nasceu,
cresceu
E morreu.
Que lotou,
Esfriou
E esvaziou.
Que já leu,
Percebeu
E escreveu.
Eu sou da geração passada
Que já achou,
Mostrou
E guardou.
Que creu,
Se benzeu e
Foi ateu.
Que levantou,
Gozou
E brochou.
Sou eu,
É meu
E teu.
(Marcos Dylan)
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Antes a aurora
Afogava a alma.
Agora Alana afaga alegremente.
Alucinando aos ávidos.
Alvides ausente.
Alguns assustam aos autos.
Ameaçam ainda alagar aos amores alegres.
Alana alagou a alma ausente.
Agora Alana alaga a alma alegremente.
Andei anos, antes atravessando autos alpes.
Apenas andei ao amor amargo.
Alegre agora ando ao amanhecer.
Ando aliviado, aos abraços.
Ando assustado, amargo.
Ainda atravesso aos alpes autos.
Assovio ao amor.
Apenas ando afastado,.
Agora avante.
Antes a ausência ao abandono.
Alana alivia a alma.
Alaga aos autos aborrecidos.
Antes adorava as aves, agora amanhece Alana.
Arcanja antes assustada agora acostumada.
Apague a ausência anote até a alma.
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Acorde bela borboleta
Não precisa ter medo
Já são 6 e meia
Lave o castanho cabelo.
Vista, vá
Ainda que cedo
Mostre o sorriso
Que é meu espelho.
Acorde bela borboleta
Vista se com aquela
Bela blusa preta.
Que te completa em cheio.
Aquele short jeans vermelho,
Que creio
Dar a ti a pureza da simplicidade.
Te seguirei na força do espinho,
Na inocência de um menino.
Que agora segue sozinho
Apaixonado e sem disciplina
Lagrimejando em cada esquina.
Vá Janaína
Olhos de escura neblina
Coração inocente de menina.
Bela boneca.
Puxados olhos de bailarina.
E viva as "lolitas"
Mesmo assassinas do teu belo espelho de menina.
Desculpa esse trovador sem disciplina.
Que tenta fazer você enxergar
Uma rosa em cada esquina.
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"ALLEGRO MA NON TROPPO"
Um dia as folhas secas vão cair.
E dará espaço a outra nova estação.
O tempo transforma as coisas
E traz a dura ilusão,
Do conhecimento que a morte
Vem em nossa direção.
Nós não somos pra sempre.
E o conhecimento é o alicerce da sabedoria.
Por essa razão temos
A dádiva de sermos pra sempre.
Mesmo que o tempo passe
Que as folhas caem
Formigam os desejos
E nos nutrem a satisfação.
O momento é eterno.
E mais eterno ainda
É o momento do não.
Allegro ma non troppo ("alegre, mas não muito" em italiano)
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Oh, doce amor
O que me trouxeste?
Qual a surpresa do dia?
Trouxe me a navalha cega,
Ou o brilho reluzente
Da mesma faca sem dentes.
Doce e linda,
Como uma donzela
Desnuda e silente.
Oh, doce amor
Saciáveis obstinacões
Pactuam complacência.
Procedentes vulgos
Veem me em benevolência.
Concede me a persistência.
Mas me arrancam o labor.
Vindouro Suicídio.
Bruto e selvagem amor
O vento dissipa a neblina
E o céu sacode em raios dourados,
Lá no auto uma nuvem de navalhas.
É o claro arrebol joga nas casas
O aço cortante das tuas palavras.
Quanto mais fraco fico,
Mais de ti necessito.
Oh, doce revolver
Que me trazes esperança
De finalizar tudo com a morte nesse instante.
De ser calmo, capaz e intolerante.
Ato de suicídio
Parece me o melhor exílio.
Ato de suicídio
Parece deleite meu apetite.
Estou com fome
Preciso me alimentar
Preciso comer da morte invisível.
Oh, doce revolver
Capricho da imaginação.
Esse estanho, granito
Muito bem indivisível
Fragmentos de vidro
Argola de ferro, inepto sorriso.
Aos pés da masmorra, meu capricho.
Uma corda no pescoço.
De frente ao abismo.
Na imaginação fadigo .
Vou pleitear com o destino.
Apetite insaciável de um menino
Que nasceu amputado e ferino.
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Não me falem em prisão,
Dor exílio ou solidão.
Você não conhece nada
Sobre batalhas, guerras, ditadores e cães.
Você diz que é escuro,
Eu digo que é necessário.
Esse é o melhor estágio
Do seu fracassado coração em mágoas.
Que vive de esmolas,
Suplicando atenção.
Você não entende
Que se não houver escuridão.
Não haverá estrelas.
Se não houver tempestade,
Não haverá o perdão.
Eis a necessidade da semente pra se ter o pão
("Si vis pacem, para bellum é um provérbio em latim. Pode ser traduzido como "se quer paz, prepare-se para a guerra" (geralmente interpretado como querendo dizer paz através da força — uma sociedade forte sendo menos apta a ser atacada por inimigos). A frase é atribuída ao autor romano do quarto ou quinto século, Flávio Vegécio...
"Wikipédia ")
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É menos arriscado acariciar um tigre,
que certas mulheres livres.
Dos tigre sempre se espera uma patada.
A ferida aberta na pele,
É consequência do carinho ousado.
Mas com as mulheres livres,
Nos encontramos na ignorância da madrugada.
Nas sombras opacas,
Escuro coração em tempestade.
E se sai todo ferido,
Sangrando de verdade,
Um ferimento sem cura
Pra toda eternidade.
O tigre é bravo por si,
A mulher é pravo por nós.
O tigre estampa no rosto o perigo,
A mulher livre oculta na face a jaula.
Você molha na chuva com o abrigo do lado.
Dorme no breu, com a luz estampada na face.
E você tem pesadelos com os olhos abertos.
Por ela presos "numa" jaula.
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Um sábio
Deve ter dois ávidos olhos.
Um o qual enxergue o céu.
E o outro o qual enxergue o chão.
Ao deslumbrar o céu
Deve se sobressair as estrelas.
No chão deve se sobressair os seres.
No azul deve habitar vida,
Como há de habitar vida nos seres.
Tendo somente dois olhos,
Deve se observar somente,
O que lhe alcança a vista.
É notável que note que aos olhos de tais circunstâncias,
Muito conhecimento é muita ignorância.
O conhecimento específico é mais interessante.
Do que a constante busca por conhecimentos abstratos.
A visão de um só objetivo,
Torna inteligente o estudo,
E mais sublime o indivíduo.
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