(Trad: Menino Prostituto)
Um ser doce e inocente
De divina beleza indescritível
Como uma luz que clareia a mente
E uma brisa suave que perdura envolvente.
Um sorriso que encanta e cativa
E um olhar que na alma toca
Como uma canção que no rosto ecoa
E uma carícia que amolece o humor.
O que faz tão belo ser
Que evoca confusões, amores e fantasias,
Que faz vibrar o gélido e bronco coração
E lembranças antigas e fecundas traz?
Será uma estrela que desceu dos céus
Ou uma flor que floresceu da terra?
Um presente que os deuses nos deram
Ou uma cor viva que nunca se encerra?
É difícil dizer o que é,
Pois é como uma poesia que não se declama,
Uma melodia que não se compõe,
Um mistério que nunca se encontra.
Mas há algo em sua existência
Que transforma e acende n'alma,
Que nos ensina a contemplar com paciência
E ver a vida com olhar e fala amena.
Esse ser que nos cativa,
Que, como na infância nos faz sentir,
É como joia rara e esquiva ansiante
Que embeleza a nossa triste existência.
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Amori Noster Est
(Trad: O Amor é Nosso)
De helesponto mar
Até tibre rios
Donde afloram nossos pais e os destes
Dos pilares hercúleos
Na hispânia até bitínia
Donde os bárbaros acomodam os seus
Eis que me chega
Por Cupido Eleutherios ordenado
Chaga inesperada
O afeto maldito me acometido
Sobre mim e a quem amo
Eis que anseio clemência
Súplica à Vênus Basilis
Eis que anseio saúde
Súplica à Apolo Aigletes
Ai de mim! Ó Deuses!
Ai de nós! Ó Daimones!
Eis que as Horaes
Nos afastam e distanciam
Do momento que as Moiras
Nos uniram sob fins desconhecidos
Eis que Vênus Kallisti
Fez-te só a mim
Eis que Cupido Eleutherios
Fez-me só teu
Eu anseio
Súplica de Netuno Soter
Que pelos mares o guie de novo até meus braços e o proteja das Sirenas e Scylla e usa teu tridente para o guiar seguro de si.
Eu anseio
Súplica de Júpiter Epidotes
Que os céus e nuvens acalme e convença Tânato e Mercúrio a pouparem-no do Caronte barqueiro. Com teu relâmpago fulmina os que mal lhe fizerem.
Ai de mim! Ó Deuses!
Ai de nós! Ó Deuses!
Eis que me desfaço aos braços vossos e entrego meu amor ao jugo das Moiras, Ó Júpiter!
Tende vós a compaixão conosco, tu que Cupido encantara-o pelo menino Ganimedes e o tomaste como teu e o fizera bem-amado e bem-aventurado sob a face dos Deuses!
Eis que me desfaço aos braços vossos e entrego meu amor ao jugo de teus mares e oceanos, Ó Netuno!
Tende vós a temperança conosco, tu que Vênus tocara-te pelo rapaz Nérites e o tomara para si e amaram-se verdadeiramente em face dos homens e dos peixes sobre o mar!
Ai de mim! Ó Deuses!
Ai de nós! Ó Deuses!
Eis que Hebe abençoa-nos vividamente, e tememos pela saudade que nos domina. Eis que Vênus nos tornara um só. Eis que Cupido nos tornara um para o outro.
Piedade de nós! Ó Deuses!
Zelai por nós! Ó Deuses!
Eis porque amamos um ao outro, e juntos tememos não viver, e separados tememos morrer.
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No sorriso
Na risada
Na gentileza
Nos pequenos detalhes
Meu desejo
Minha vontade
Pela manhã
Pela tarde
Pela noite
Pode ser precoce pensar
Pode ser engano meu
Mas
Meu desejo
Minha tentação
Me intentam
Me testam
De nos braços
Te tomar a inocência
Mas prudência
Nessa imprudência
Me detém
E deixa aquém
Para esperar você
Sem olhar a quem
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Te ver de relance
Sem apressar o meu contento
Te querendo nos braços
No toque indecente
No sorriso inocente
Se esconde meu espírito impaciente
Buscando saciar
A sede dos teus lábios
Te tomar a inocência
Deixando esclarecido o meu sentimento
Sem esconder o que temos
Nem ansiar o que não temos
Você ao lado
Eu ao lado
Nenhuma palavra
Puro pensamento
Te ver todo dia
Sentar do teu lado
Não me garante
Não me preenche
Não me aquieta
Só me anseia
De ver ainda
Em algum dia
Alguma coisa que tivemos
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Às vezes a morte não é sobre uma cova ou uma pira ardente. Pode-se morrer várias vezes antes que deixe de ter ar nos pulmões. Pode-se renascer tantas vezes quanto seus olhos piscam. Bem como pode-se amar, desamar e odiar tanto quanto as horas e dias passam. Por algumas vezes, morremos até por algumas momentos, seja pela confusão, indecisão, tédio, solidão, decepção, medo e aflição, e não é como se apontassemos uma destas como um caixão ou um vaso-de-cinzas, simplesmente acontecem, morremos, e só se quisermos, poderemos renascer ou permanecer.
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A angústia de te ver todo dia, só não supera a dor de não te ter nenhum dia. O peso cria leveza. Os dias ficam mais curtos. As risadas ficam mais escassas. A companhia fica mais rara. A saudade míngua. As lágrimas secam. Ainda te vejo. Mas não te tenho. Não como antes. Não mais me vê. Não mais me ouve. Nem mais me responde. Somos estranhos com histórias estranhas vivendo de ruínas estranhas.
Será que estou pronto para mostrar quem sou?
e será se eu sou quem sou por que eu quero ou por quê me induziram ou tornaram-me assim?
algum dia estarei “pronto” para encontrar quem em essência sou eu e não o outro eu, de verdade?
E haverá quem eu sinta que eu possa..
mostrar toda feiura que guardo?
mostrar toda estranheza que escondo até de mim?
é possível que alguém ame sem que..
eu precise provar algo?
estaria Nietzsche e Schopenhauer certos?
Eu queria
dizer que a feiura que tenho
pode estar guardada e escondida
infelizmente
Mas queria
que ela não me fosse tão preciosa
que não me fosse tão útil esconder nela
porque
Que queria eu
que não me fizessem
mas fizeram
ela me ser tão cômoda
de usar e abusar
E nela
talvez eu esconda o que ninguém ousou ver
talvez eu espere que toquem onde nunca me tocaram
onde eu sequer me permiti tocar
mas existe
E só nela
talvez haja o que ninguém conseguiu
me tirar, só talvez, seja o que eu mesmo
não me permiti
Olhar
Tocar
Sentir
Ouvir
Só talvez, eu nem sei
o que eu tanto abuse
e me lambuze
não assuma, não ainda
Só por carência ou capricho
de que sou parte disso
eu sou isso
eu sou isso e muito mais
Por egoísmo
quero viver lá
morar nela
e me enchafurdar dela
Na feiura
Por carência
quero fugir de lá
quero me mudar dela
e me limpar e lavar dela
Na feiura
Mas é minha
que eu tenha
vergonha na cara
juízo nos olhos
prudência no ouvir
e tato no sentir
Para saber que a feiura
é parte de mim e só de mim
que por mais oculto ou disfarçado
só cabe a mim
Mesmo que às vezes
eu projete nos outros
eu desloque dos outros
ainda é minha
Feiura
Mesmo que às vezes
eu não saiba onde
não saiba quem
só sei que
Essa feiura
me acompanha
ninguém me tira
eu queria, mas
nem eu
tiro
Minha feiura
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“Nunca é tarde para começar, sempre é cedo para desistir. Nada é impossível e intransponível pela idade, senão pela vontade e pelas disposições que se faz e se permite ter.”
“A medida de todas as coisas a serem vividas é definida pela forma que escolhemos e somos induzidos à escolher reagir, pensar e lidar com as coisas. Enquanto a medida de todas as pessoas é definida pelo poder que tiramos de nós ou cedemos à nós, porquanto se deve relativizar e aprender a fazê-lo se quiser viver em prudência e retidão na constante mudança que se vive.”
“A infelicidade e felicidade não são feitas como estado de espírito. São nuances diárias, e mantidas ou desmantidas em nossas vidas. Não espere que sua dor seja aterradora e nem que sua alegria seja incomensurável; mas saiba que é possível viver com ambas e não somente por uma ou outra.” - Rael Rodrigues