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Rael Rodrigues

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História

Puer Scortum

(Trad: Menino Prostituto) Um ser doce e inocente De divina beleza indescritível Como uma luz que clareia a mente E uma brisa suave que perdura envolvente. Um sorriso que encanta e cativa E um olhar que na alma toca Como uma canção que no rosto ecoa E uma carícia que amolece o humor. O que faz tão belo ser Que evoca confusões, amores e fantasias, Que faz vibrar o gélido e bronco coração E lembranças antigas e fecundas traz? Será uma estrela que desceu dos céus Ou uma flor que floresceu da terra? Um presente que os deuses nos deram Ou uma cor viva que nunca se encerra? É difícil dizer o que é, Pois é como uma poesia que não se declama, Uma melodia que não se compõe, Um mistério que nunca se encontra. Mas há algo em sua existência Que transforma e acende n'alma, Que nos ensina a contemplar com paciência E ver a vida com olhar e fala amena. Esse ser que nos cativa, Que, como na infância nos faz sentir, É como joia rara e esquiva ansiante Que embeleza a nossa triste existência.

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Poema

Amor Noster Est

Amori Noster Est (Trad: O Amor é Nosso) De helesponto mar Até tibre rios Donde afloram nossos pais e os destes Dos pilares hercúleos Na hispânia até bitínia Donde os bárbaros acomodam os seus Eis que me chega Por Cupido Eleutherios ordenado Chaga inesperada O afeto maldito me acometido Sobre mim e a quem amo Eis que anseio clemência Súplica à Vênus Basilis Eis que anseio saúde Súplica à Apolo Aigletes Ai de mim! Ó Deuses! Ai de nós! Ó Daimones! Eis que as Horaes Nos afastam e distanciam Do momento que as Moiras Nos uniram sob fins desconhecidos Eis que Vênus Kallisti Fez-te só a mim Eis que Cupido Eleutherios Fez-me só teu Eu anseio Súplica de Netuno Soter Que pelos mares o guie de novo até meus braços e o proteja das Sirenas e Scylla e usa teu tridente para o guiar seguro de si. Eu anseio Súplica de Júpiter Epidotes Que os céus e nuvens acalme e convença Tânato e Mercúrio a pouparem-no do Caronte barqueiro. Com teu relâmpago fulmina os que mal lhe fizerem. Ai de mim! Ó Deuses! Ai de nós! Ó Deuses! Eis que me desfaço aos braços vossos e entrego meu amor ao jugo das Moiras, Ó Júpiter! Tende vós a compaixão conosco, tu que Cupido encantara-o pelo menino Ganimedes e o tomaste como teu e o fizera bem-amado e bem-aventurado sob a face dos Deuses! Eis que me desfaço aos braços vossos e entrego meu amor ao jugo de teus mares e oceanos, Ó Netuno! Tende vós a temperança conosco, tu que Vênus tocara-te pelo rapaz Nérites e o tomara para si e amaram-se verdadeiramente em face dos homens e dos peixes sobre o mar! Ai de mim! Ó Deuses! Ai de nós! Ó Deuses! Eis que Hebe abençoa-nos vividamente, e tememos pela saudade que nos domina. Eis que Vênus nos tornara um só. Eis que Cupido nos tornara um para o outro. Piedade de nós! Ó Deuses! Zelai por nós! Ó Deuses! Eis porque amamos um ao outro, e juntos tememos não viver, e separados tememos morrer.

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Poema

Desejo e Tentação/O Eliseu

No sorriso Na risada Na gentileza Nos pequenos detalhes Meu desejo Minha vontade Pela manhã Pela tarde Pela noite Pode ser precoce pensar Pode ser engano meu Mas Meu desejo Minha tentação Me intentam Me testam De nos braços Te tomar a inocência Mas prudência Nessa imprudência Me detém E deixa aquém Para esperar você Sem olhar a quem

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Poema

Distantes e Juntos/o Tarcísio

Te ver de relance Sem apressar o meu contento Te querendo nos braços No toque indecente No sorriso inocente Se esconde meu espírito impaciente Buscando saciar A sede dos teus lábios Te tomar a inocência Deixando esclarecido o meu sentimento Sem esconder o que temos Nem ansiar o que não temos Você ao lado Eu ao lado Nenhuma palavra Puro pensamento Te ver todo dia Sentar do teu lado Não me garante Não me preenche Não me aquieta Só me anseia De ver ainda Em algum dia Alguma coisa que tivemos

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Poesia

Morte

Às vezes a morte não é sobre uma cova ou uma pira ardente. Pode-se morrer várias vezes antes que deixe de ter ar nos pulmões. Pode-se renascer tantas vezes quanto seus olhos piscam. Bem como pode-se amar, desamar e odiar tanto quanto as horas e dias passam. Por algumas vezes, morremos até por algumas momentos, seja pela confusão, indecisão, tédio, solidão, decepção, medo e aflição, e não é como se apontassemos uma destas como um caixão ou um vaso-de-cinzas, simplesmente acontecem, morremos, e só se quisermos, poderemos renascer ou permanecer.

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Poesia

Estranhos

A angústia de te ver todo dia, só não supera a dor de não te ter nenhum dia. O peso cria leveza. Os dias ficam mais curtos. As risadas ficam mais escassas. A companhia fica mais rara. A saudade míngua. As lágrimas secam. Ainda te vejo. Mas não te tenho. Não como antes. Não mais me vê. Não mais me ouve. Nem mais me responde. Somos estranhos com histórias estranhas vivendo de ruínas estranhas.

Arte

Feiura — por Rael Rodrigues

Será que estou pronto para mostrar quem sou? e será se eu sou quem sou por que eu quero ou por quê me induziram ou tornaram-me assim? algum dia estarei “pronto” para encontrar quem em essência sou eu e não o outro eu, de verdade? E haverá quem eu sinta que eu possa.. mostrar toda feiura que guardo? mostrar toda estranheza que escondo até de mim? é possível que alguém ame sem que.. eu precise provar algo? estaria Nietzsche e Schopenhauer certos? Eu queria dizer que a feiura que tenho pode estar guardada e escondida infelizmente Mas queria que ela não me fosse tão preciosa que não me fosse tão útil esconder nela porque Que queria eu que não me fizessem mas fizeram ela me ser tão cômoda de usar e abusar E nela talvez eu esconda o que ninguém ousou ver talvez eu espere que toquem onde nunca me tocaram onde eu sequer me permiti tocar mas existe E só nela talvez haja o que ninguém conseguiu me tirar, só talvez, seja o que eu mesmo não me permiti Olhar Tocar Sentir Ouvir Só talvez, eu nem sei o que eu tanto abuse e me lambuze não assuma, não ainda Só por carência ou capricho de que sou parte disso eu sou isso eu sou isso e muito mais Por egoísmo quero viver lá morar nela e me enchafurdar dela Na feiura Por carência quero fugir de lá quero me mudar dela e me limpar e lavar dela Na feiura Mas é minha que eu tenha vergonha na cara juízo nos olhos prudência no ouvir e tato no sentir Para saber que a feiura é parte de mim e só de mim que por mais oculto ou disfarçado só cabe a mim Mesmo que às vezes eu projete nos outros eu desloque dos outros ainda é minha Feiura Mesmo que às vezes eu não saiba onde não saiba quem só sei que Essa feiura me acompanha ninguém me tira eu queria, mas nem eu tiro Minha feiura

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Arte

Reflexões e Meditações — Rael Rodrigues

“Nunca é tarde para começar, sempre é cedo para desistir. Nada é impossível e intransponível pela idade, senão pela vontade e pelas disposições que se faz e se permite ter.”

Arte

Reflexões e Meditações — Rael Rodrigues

“A medida de todas as coisas a serem vividas é definida pela forma que escolhemos e somos induzidos à escolher reagir, pensar e lidar com as coisas. Enquanto a medida de todas as pessoas é definida pelo poder que tiramos de nós ou cedemos à nós, porquanto se deve relativizar e aprender a fazê-lo se quiser viver em prudência e retidão na constante mudança que se vive.”

Arte

Reflexões e Meditações — Rael Rodrigues

“A infelicidade e felicidade não são feitas como estado de espírito. São nuances diárias, e mantidas ou desmantidas em nossas vidas. Não espere que sua dor seja aterradora e nem que sua alegria seja incomensurável; mas saiba que é possível viver com ambas e não somente por uma ou outra.” - Rael Rodrigues