Feiura — por Rael Rodrigues
Será que estou pronto para mostrar quem sou? e será se eu sou quem sou por que eu quero ou por quê me induziram ou tornaram-me assim? algum dia estarei “pronto” para encontrar quem em essência sou eu e não o outro eu, de verdade? E haverá quem eu sinta que eu possa.. mostrar toda feiura que guardo? mostrar toda estranheza que escondo até de mim? é possível que alguém ame sem que.. eu precise provar algo? estaria Nietzsche e Schopenhauer certos? Eu queria dizer que a feiura que tenho pode estar guardada e escondida infelizmente Mas queria que ela não me fosse tão preciosa que não me fosse tão útil esconder nela porque Que queria eu que não me fizessem mas fizeram ela me ser tão cômoda de usar e abusar E nela talvez eu esconda o que ninguém ousou ver talvez eu espere que toquem onde nunca me tocaram onde eu sequer me permiti tocar mas existe E só nela talvez haja o que ninguém conseguiu me tirar, só talvez, seja o que eu mesmo não me permiti Olhar Tocar Sentir Ouvir Só talvez, eu nem sei o que eu tanto abuse e me lambuze não assuma, não ainda Só por carência ou capricho de que sou parte disso eu sou isso eu sou isso e muito mais Por egoísmo quero viver lá morar nela e me enchafurdar dela Na feiura Por carência quero fugir de lá quero me mudar dela e me limpar e lavar dela Na feiura Mas é minha que eu tenha vergonha na cara juízo nos olhos prudência no ouvir e tato no sentir Para saber que a feiura é parte de mim e só de mim que por mais oculto ou disfarçado só cabe a mim Mesmo que às vezes eu projete nos outros eu desloque dos outros ainda é minha Feiura Mesmo que às vezes eu não saiba onde não saiba quem só sei que Essa feiura me acompanha ninguém me tira eu queria, mas nem eu tiro Minha feiura
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