Dizem que eu não acredito no amor,
como se fosse uma lenda antiga
que só existe dentro de páginas impressas,
com personagens de nomes bonitos
e finais que sempre terminam bem.
Eu rio e digo que é tudo inventado,
que os corações de verdade não batem assim,
que ninguém espera, ninguém compreende,
ninguém fica só por amar alguém.
Mas entre uma página e outra,
quando ninguém está olhando,
eu leio devagar, e secretamente penso:
será que um dia alguém vai aparecer
e transformar todos esses parágrafos em vida?
Por mais que eu finja que não me importo,
que sou forte sem precisar de ninguém,
lá no fundo, bem quietinho,
eu ainda guardo um cantinho livre
só para o dia em que a minha história começar.
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Não é o corpo que busco na ânsia da pressa,
É a alma inteira que mora no teu coração.
É o eco do amor que em teu peito confessa
O quanto eu preciso dessa doce colheita e prisão.
Eu quero esse afeto que transborda e incendeia,
Essa paz que tu tens e que o mundo não vê;
Quero absorver o carinho que corre na veia
E me alimentar desse afeto que vem de você.
Devorar teu amor é querer não ter fim,
É tragar cada gesto, cada abraço sincero,
Fazer esse sentimento morar dentro de mim
E ser o teu porto no abraço que eu quero.
Que eu possa guardar teu afeto guardado,
Nutrir minha vida do teu bem querer,
Até que o teu amor, tão puro e sagrado,
Se torne o único fôlego do meu viver.
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Antes de te beijar, eu posso te conhecer?
É que eu adoraria ler as suas linhas,
mas anseio ainda mais por te escrever.
Sou depressa demais comigo,
mas sobre você eu quero ter calma.
Porque antes de sentir a textura da sua boca,
eu gostaria de conhecer a cor da sua alma.
Então eu quero saber como você é por dentro.
É que o corpo é tão passageiro...
O que eu quero é saber sobre o seu sofrimento,
o motivo das suas angústias
e o porquê do seu lamento.
Quero ser sua de maneira intensa,
de maneira pura.
Quero ser o motivo vivo da sua paz,
a calma que acalma,
a sua cura.
Desculpa se sou muito apressada
e não entendo de verdade
porque minha pressa insiste
em te fazer permanecer aqui.
Mas contigo... contigo eu sou calma.
Aprendo a ser calma.
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Pra mim é loucura não dizer que te amo por medo do fim.
Bobagem é sentir falta do que sempre esteve aqui.
Não queria dizer que o amor me deixa assim —
é que, mesmo sua beleza sendo exuberante,
não é ela quem mais fascina a mim.
O que me fascina é a luz que você traz,
que chega e cega meus olhos.
O que me fascina é o choque que existe
no encontro dos nossos corpos.
O que me fascina é o cântico mais belo:
sua voz soando em meus ouvidos.
E o que me fascina, acima de tudo,
é o que você me causa
toda vez que estou contigo.
O que me fascina é o que o seu existir causou em meu ser —
mudou-me por completo, sem motivo, sem razão, sem porquê.
Você simplesmente foi a luz que chegou aos meus olhos...
Graças a Deus que agora estou cega.
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Quem sempre repousou no colo da abundância odeia o grito daqueles que só conhecem a falta; pois sabem: não nascemos para beber da mesma fonte.
Eu não quero o sol que queima e mente,
nem a alegria que ri e vai embora.
Eu amo o que apodrece lentamente,
o que vive melhor quando a noite chora.
Gosto do que geme nas sombras frias,
do cheiro de terra úmida e de fim.
A beleza que habita nas agonias
é a única que parece pertencer a mim.
Não é tristeza o que corre no meu sangue:
é um gosto por tudo o que vai definhar.
Sinto paz onde a vida perde o encanto,
é só na dor que sei realmente amar.
Que venham os ventos fúnebres e os lamentos,
que as flores murchem diante do meu olhar:
eu escolhi beber de todos os sofrimentos,
pois o melancólico é o único que não vai me abandonar.
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Já não há pedaço meu que não te pertença,
peguei todo o meu ser e dei-o a ti de uma vez.
Se fores embora, restará apenas a sentença:
de apodrecer sozinha no que já não me fez.
Não sei mais respirar se não for o teu ar viciado,
meus passos são sombras que seguem os teus pés.
Se te afastas, sinto a carne se rasgar devagar,
como se arrancassem de mim a própria raiz que me mantém de pé.
Sei bem que sou teu peso, tua corrente e tua ferida,
que amar assim é morrer todos os dias um pouco...
mas como viver sem o veneno que é a minha vida?
sem o teu domínio, tudo o que há em mim fica morto.
Não te prendo por bem, prendo-te por desespero e fome,
tu és o meu inferno e o meu único céu também.
Antes que me deixes ao abandono, ao frio e ao lamento:
por mais que seja errado, por mais que te faça mal... você pode ficar?
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Procuro o zíper da carne,
a costura malfeita do meu ser.
Quero as unhas cravadas no peito,
no esforço cego de me desfazer.
Há um grito que não cabe no osso,
uma alma que não aceita o contorno.
Quero me rasgar de cima a baixo,
fugir do meu próprio transtorno.
Ser apenas o rastro do rasgo,
o que sobra quando a pele desiste.
Sair de mim como quem foge de um incêndio,
porque habitar esse corpo é o que me assiste.
Quero as mãos sangrando a saída,
o descarte do que eu fui até aqui.
Me rasgar até que não sobre nada,
além do espaço onde eu nunca vivi.
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Me tornei um deserto, chão de pedra e cal,
Onde o grito se perde e o golpe é igual.
Sinto tanto e tão junto, num nó de tal sorte,
Que o excesso de vida pareceu minha morte.
"Nada mais me balança", eu disse ao espelho,
Blindada de cinza, fugindo do vermelho.
Mas o mundo é um cão que fareja a jactância,
E morde o silêncio da minha distância.
A frase nem morre, o eco nem cala,
E o "último abalo" atravessa a sala.
Sou o vidro que avisa que não vai quebrar,
Mas se estilhaça inteiro só de alguém respirar
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Cala a boca, não explica,
Teu silêncio é mais honesto.
O que de nós ainda fica
É o descarte, é o resto.
Não me diz que ela é "diferente",
Que o destino quis assim,
Pois a frase, entre dente,
Corta o que resta de mim.
Cala a boca, poupa o ar,
Guarda o fôlego pra ela.
Não precisa comparar
Minha sombra com a luz dela.
Tua voz é um ruído
Que eu não quero mais conter,
Pois o meu tempo perdido
Já não sabe te entender.
Engole o "sinto muito"
Que você veio me dar.
Nesse nosso desencontro,
Só o nada tem lugar.
Cala a boca e vai embora,
Leva o que você desfez,
Pois quem se cala agora
Sou eu, por minha vez.
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