O meu amor é o cinza
Eu não quero o sol que queima e mente, nem a alegria que ri e vai embora. Eu amo o que apodrece lentamente, o que vive melhor quando a noite chora. Gosto do que geme nas sombras frias, do cheiro de terra úmida e de fim. A beleza que habita nas agonias é a única que parece pertencer a mim. Não é tristeza o que corre no meu sangue: é um gosto por tudo o que vai definhar. Sinto paz onde a vida perde o encanto, é só na dor que sei realmente amar. Que venham os ventos fúnebres e os lamentos, que as flores murchem diante do meu olhar: eu escolhi beber de todos os sofrimentos, pois o melancólico é o único que não vai me abandonar.
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