Alma cativa
Já não há pedaço meu que não te pertença, peguei todo o meu ser e dei-o a ti de uma vez. Se fores embora, restará apenas a sentença: de apodrecer sozinha no que já não me fez. Não sei mais respirar se não for o teu ar viciado, meus passos são sombras que seguem os teus pés. Se te afastas, sinto a carne se rasgar devagar, como se arrancassem de mim a própria raiz que me mantém de pé. Sei bem que sou teu peso, tua corrente e tua ferida, que amar assim é morrer todos os dias um pouco... mas como viver sem o veneno que é a minha vida? sem o teu domínio, tudo o que há em mim fica morto. Não te prendo por bem, prendo-te por desespero e fome, tu és o meu inferno e o meu único céu também. Antes que me deixes ao abandono, ao frio e ao lamento: por mais que seja errado, por mais que te faça mal... você pode ficar?
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