A cidade
é um monstro
que dorme
de boca aberta
O centro
agora é só
o esqueleto
de um dia que passou
As luzes
não piscam
elas sangram
devagar
E o silêncio
é tão grande
que dá para ouvir
o barulho
do tempo
caindo
nos paralelepípedos
Só o lixo
e o último táxi
sabem o que acontece
nas esquinas
O frio
da hora neutra
veste
camisa de força
É a hora
em que a pressa
se ajoelha
e a verdade
se levanta
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No silêncio de uma adega escura,
Dentro de uma garrafa empoeirada,
Adormece o vinho envelhecido,
Testemunha de vidas passadas.
Sábio ancião que guarda as memórias
E lembranças de uvas eruditais,
Sussurras canções de tempos idos,
Cantadas em vinhedos ancestrais.
Âmbar que se aprimora com os anos,
Trazes consigo o perfume das estações.
Em tuas rolhas e rótulos já desgastos
Estão contidos os suspiros de gerações.
Bem-aventurado! Senhor da sapiência
E dos sabores dos tempos já esquecidos!
Ergamos as taças, brindemos solenes,
Bebamos, pois, do vinho envelhecido!
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Mãe
Nas asas da aurora, a mãe floresce,
Sua alma, é jardim, seu peito, um ninho,
No balanço do tempo ela amadurece,
E a cada gesto, um sinal de puro carinho.
Mãe é semente que brota em ternura,
Raiz profunda que nutre e acalenta,
Seu braço é aconchego, é candura,
Que me adormece, aquece e alenta.
No espelho da vida, seu reflexo brilha,
Como estrela que guia o caminhar,
Suas mãos tem a força que tranquiliza,
Seu sorriso contém um universo a pulsar.
Amo-te, mãe, com todo o fervor do meu ser,
E que nossa ligação seja eterna e forte,
Um poema mais que infinito a se escrever,
Um laço no peito que nunca, jamais se corte.
❤️
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No primeiro amor a alma é como um pássaro,
Que voa livremente, sem destino, pelo ar,
Batendo fortemente suas asas, como Ícaro
Quando do labirinto conseguiu escapar.
Um mundo novo de sonhos se revela,
Numa paisagem de calma e liberdade,
Onde as emoções se fundem numa tela,
Pintadas com as suaves cores da felicidade.
Mas como as flores que murcham ao vento,
Os amores também se acabam num momento.
Restando apenas lembranças em nosso ser.
Do primeiro amor resta a saudade amarga,
O Olímpico fogo que ardia se vai, se apaga,
Deixando eternas queimaduras em nosso viver.
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Um dia, peguei-me distraído,
Deitado ao teu lado,
Enrolando teus cachos,
Me sentindo imortal!
E foi nesse momento,
Que num súbito pensamento,
Me veio o alegre sentimento
De já ser teu, afinal…
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Num singelo gesto,
O vento acaricía
As copas das árvores.
Até uma folha
Que, suavemente, cai
Vira um Hai-Kai
Por-do-sol nublado,
Frio, vazio e melancólico
- Igual ao meu peito
...
Pássaros poetas!
Bem cedinho declamando
Poemas ao sol
Uma gota d'água
- Inesperada! - espanta
A abelha na flor