Você saiu
Fechou a porta
E largou a chave sobre o sofá.
Naquele momento vi o meu mundo desabar
Sobre a minha cabeça.
Você estava linda, leve
E transbordando amor...
Eu quis gritar
Me faltou voz,
Eu quis morrer
Me faltou vida,
Tentei até ir atrás de você
Mas não senti minhas pernas.
Me afoguei nos lençóis
E chorei.
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É que você só posta foto quando se arruma,
Quando tá feliz,
Quando tá viajando,
Quando tá com os amigos,
Quando tá na night,
Quando tá com boa auto estima.
Eu sei,
É normal.
Mas esses momentos é só um pouquinho da sua vida.
Tua vida de verdade tu não costuma mostrar;
Tuas horas de sono,
As de trabalho,
As de solidão,
As de tristeza,
As de estudo,
Ou quando não fica em 1° lugar...
Mas tem quem contrarie essa lógica
E poste fotos de momentos adversos;
Do trabalho duro
Ou da realidade triste...
Mas essas fotos
Tem a intenção
De chamar a atenção
Para o caos que é viver...
Igor Paolo'
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Dementes manipuladores de mentes
Devotos dependentes de votos
Depressão excesso de pressão
Detensão lugar de tensão
Defeitos excesso de feitos
Derrota desvio de rota
Derrapar antes de rapar
Dívida atraso de vida
Diamante entregue de amante
Dê cifras, ele decifra
Depena frango de pena
Diversos vivem de versos
Determinar horário de terminar
Detesto corretor de texto
Decola avião de cola
Demonstro jeito de monstro
Deposto foi o dono de posto
Demito o chamado de mito
Demorar na casa de morar
Delírios com lágrimas de lírios
Se deleite no copo de leite
Demais é conta de mais
De versão nova a diversão...
Igor Paolo'
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Minha poesia não me fez poeta,
Meus sonhos não me fez poeta,
Meu reconhecimento não me fez poeta,
A ideia de se fazer poeta é tardia.
Quando nasci,
Nasci poeta.
Fui selado antes mesmo de nascer
Destinado a espalhar versos.
E os que me encontram
E me lêem
Não lêem a mim,
Lêem os próprios versos
Quem sente os versos que se aproprie.
Os versos são os filhos que saíram de casa
E o pai guarda retratos na penteadeira.
Igor Paolo'
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Ei, princesa!
Pode entrar,
Fica a vontade,
O coração é seu.
Só te peço que tire as sandálias
É que eu acabei de limpar a casa...
Desconheço todas as ruas pelas quais já passei
Pelo simples fato de que nunca precisei passar por elas
Os estabelecimentos onde entrei seguiram suas vidas
Os que me cumprimentaram nem deveriam estar lá,
Apenas esbarraram no meu caminho.
A rua por onde passo todos os dias também desconheço
Me esquece logo que viro a esquina
Ou talvez nem me note.
Desconheço também todas as ruas pelas quais nunca passei
Tanto as que imagino,
As que vi nos filmes
E as que nem existe.
Todas as ruas são um mistério para mim...
Casas e casas dos dois lados,
Pedestres desinteressados,
Uma lua de recordação
Que não apaga quando a noite se vai.
E eu divago em pensar em todas as ruas por onde passei,
Todas as casas onde entrei,
Todas as moças solteiras que me serviram café.
Se eu voltasse a rua onde cresci
Seria só mais uma rua que desconheço.
Desde que o mundo é mundo
Todas as ruas vão para o mesmo lugar,
Todos os poemas falam de amor,
Todas as bússolas apontam para o norte.
E a rua da minha casa é só mais uma rua indiferente para mim,
A mulher que passa também desconheço
Não sei onde vai.
Meus pensamentos alígeros me distraem.
Assisto sua partida sem sequer um aceno de mão...
Igor paolo'
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Tenho saudade do passado,
Da minha juventude,
Do amor verdadeiro,
Das árvores que tanto reguei.
Agora eu
Já não sou mais moço
Sou um homem velho,
Cansado,
Apegado ao passado,
Não me adaptei.
Preciso voltar...
Para o mundo
Eu quero descer
Há muita gente aqui,
Mas me sinto só
Sinto frio
Mesmo o sol estando alto
Minha cabeça dói
Há gritos de todos os lados
E eu não entendo o que eles dizem.
Não nadam e nem voam
Nem partem e nem voltam
Sou maré mansa
Sou dia nublado
Sou morro escorregadio
Sou vento enfurecido
E do amor tenho pressa
E saudade
Como os pescadores que presenciaram tantas enchentes
Enchentes que rendiam fartura.
E o meu amor
Se rende a distância
A saudade grita mais alto
O coração ganha uma corrente com cadeado
E eu já não tenho forças para varrer as teias de aranha que me prende...
Aaah! O meu amor vai voltar
E eu vou estar aqui sentado nessa mesma cadeira
Ouvindo a mesma música de quando ela partiu...
Igor Paolo'
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Passos lentos na calçada
Volto de mais um dia de trabalho.
Fone nos ouvidos,
Mãos nos bolsos
E nem uma vontade de chegar.
O céu no fim de tarde é alaranjado
Sinto que não queria estar ali,
O mundo pesa em meus ombros
Tenho vontade de deixá-lo para trás...
Meu coração bate no ritmo do relógio da catedral
Nem os ouço.
A música que escuto não fala de ninguém,
No trabalho tenho tarefas que deixei para amanhã,
Em casa tenho mais tarefas...
Eu tenho que fugir;
Fugir de mim,
Fugir do patrão,
Fugir dos que dizem que me ama,
Fugir da vida,
Fugir de Deus!
Meu silêncio tem o ritmo do relógio da catedral,
Tem o ritmo dos meus passos,
Tem o ritmo da música nos meus ouvidos.
Se eu soubesse voar eu voaria...
Eu que já não choro não sei viver.
O amor que me deram não retribuí,
Das amizades nunca fui sincero,
Em cada dia ruim tive vontade de morrer.
Agora sou pobre de espírito;
Tenho medo da chuva,
Tenho medo de multidões,
Tenho medo de toda e qualquer crítica,
Tenho medo de deparar-me com quem eu sou.
Chego em casa já é quase noite
A lua tem um sorriso que me abraça.
Tomo banho e me sento no sofá,
Bem, parece que vou ter que sair para comer.
Se eu sorrir para o mundo
O mundo vai sorrir de volta pra mim,
Se eu tiver sorte
Hoje vou encontrar o amor da minha vida...
Ser triste é ser triste
E isso não significa culpar o mundo,
A sorte,
Ou as estrelas.
Ser triste é permanecer triste
Ser triste é se conformar-se triste...
Agora minha noite é um recomeço,
Tenho a chance de fazer o que nunca fiz.
Os meus passos agora são rápidos e confiantes.
Igor Paolo'
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Eu não acredito em Deus
Não me julguem,
não acredito pelo simples fato
De que nunca o pude ver.
Para muitos eu sei que é ridículo,
Mas penso eu
Que se ele tivesse aqui
Ele viria até a mim
E se manifestaria de corpo presente:
_Eis-me aqui!
Eu me tornei cego
E o que os meus olhos vêem
Eu já não queria acreditar.
Fui tardes de silêncio
Noites de insônia
E manhãs de cansaço
Sim, eu fui dias ao Deus dará.
Mas nos meus sonhos,
Sim, Ele estava lá.
Nas flores, no vento e no mar.
Eu via Deus nas crianças,
Nos idosos e nos jovens perdidos
E Deus era tudo e não era nada
Era tudo o que eu sentia e
Tudo o que se manifestava,
Mas eu não sabia o que ele era.
Talvez ele fosse um avó
Que carregava o neto
No quadro de sua bicicleta
Para um passeio...
E de repente
Pra mim Deus era
A força inteligente que se escondia atrás do universo
Desse universo infinito(para humanos).
Era como se o universo fosse uma caixinha
E Deus o colocasse em sua mesinha de centro
E em vários(todos os) momentos
Ele ficasse ali observando tudo.
E eu já atônito
Já não sabia o que era descrer em Deus
Já não sei o que eu chamava de Deus.
Sei que ele era (é) bom
E que me fazia vivo.
Eu corria por entre as flores,
O mar, o vento
E eu via as crianças, os idosos
E os jovens perdidos.
Jovens como eu;
Atônitos e incrédulos
Frios e apaixonados
Arrogantes e pequeninos.
Agora eu era só um pássaro
Que voava em busca de um ninho
Pra chamar de lar.
E que eu tivesse companhia
e água fresca.
E quando do céu chovia
Eu lá no fundo tinha convicção;
Deus está para o lado de lá
Não sei aonde...
Igor Paolo!
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"Quantas vezes decidi não decidi e fiz disso minha decisão, me julgaram indecidido, mas quem é que decidi?? Sei lá, logo eu, o indeciso...
Igor Paolo'