O Relógio da Catedral
Passos lentos na calçada Volto de mais um dia de trabalho. Fone nos ouvidos, Mãos nos bolsos E nem uma vontade de chegar. O céu no fim de tarde é alaranjado Sinto que não queria estar ali, O mundo pesa em meus ombros Tenho vontade de deixá-lo para trás... Meu coração bate no ritmo do relógio da catedral Nem os ouço. A música que escuto não fala de ninguém, No trabalho tenho tarefas que deixei para amanhã, Em casa tenho mais tarefas... Eu tenho que fugir; Fugir de mim, Fugir do patrão, Fugir dos que dizem que me ama, Fugir da vida, Fugir de Deus! Meu silêncio tem o ritmo do relógio da catedral, Tem o ritmo dos meus passos, Tem o ritmo da música nos meus ouvidos. Se eu soubesse voar eu voaria... Eu que já não choro não sei viver. O amor que me deram não retribuí, Das amizades nunca fui sincero, Em cada dia ruim tive vontade de morrer. Agora sou pobre de espírito; Tenho medo da chuva, Tenho medo de multidões, Tenho medo de toda e qualquer crítica, Tenho medo de deparar-me com quem eu sou. Chego em casa já é quase noite A lua tem um sorriso que me abraça. Tomo banho e me sento no sofá, Bem, parece que vou ter que sair para comer. Se eu sorrir para o mundo O mundo vai sorrir de volta pra mim, Se eu tiver sorte Hoje vou encontrar o amor da minha vida... Ser triste é ser triste E isso não significa culpar o mundo, A sorte, Ou as estrelas. Ser triste é permanecer triste Ser triste é se conformar-se triste... Agora minha noite é um recomeço, Tenho a chance de fazer o que nunca fiz. Os meus passos agora são rápidos e confiantes. Igor Paolo'
Nilza Poetisa
Uma poesia extremamente profunda e bela Igor. Você Escreve lindamente. E vi que foi um desabafo. Tens razão. A poesia é nossa fuga. Parabéns pelo poema 👏💙
Igor Paolo
Obrigado, vinda de você que escreve tão bem essas palavras me serve de muito conforto. Obrigado, poetisa!😌😘
Nilza Poetisa
💙