Em resposta à:
"Estar internada é ficar todo dia presa. Eu não posso sair, não deixam eu passar pelo portão. Maria
do Socorro não deixa eu passar pelo portão. Seu Nelson também não deixa eu passar lá no portão.
Eu estou aqui há vinte e cinco anos ou mais…"
Olá Stella, como você vai?
Me chamo Guilherme e falo do outro lado da muralha, para advertir: aqui também
estamos cativos, muito embora possamos transpor algumas barreiras a mais. Ainda
assim, presos no tempo e na rotina, comer, dormir, fumar…E tudo igual… aqui o
tempo passa da mesma forma, sempre uma coisa depois da outra. Você,
sentindo-se presa, vê a liberdade porque há um muro, que coloca a libertação no
horizonte. Deste lado aqui o portão aparece fechado… para vocês, e então já não
temos mais do que nos livrar. Aqui tudo é aberto e essa é a nossa prisão. Ser,
não-ser, ser-para depois deixar-de-ser… como o vento que é água quando esfria e
congela quando faz frio.
Eu gostaria de poder te dar um abraço, pois sinto em suas palavras a voz do que
em mim quer falar e eu não quis. Eu aprendi a falar e, falando, como aprendi, disse
tudo errado. Eu sou feito de linguagem. Todos somos. Então eu sou isso: a
linguagem errada que me ensinaram sem eu pedir.
Um abraço… um abraço talvez dissesse mais, porém, barreiras físicas inviabilizam
o encontro. Me pego pensando se é lícito usar a caneta para abraçar. Não. Acho
que não. Talvez seja até rude. Me perdoe por isso. De qualquer sorte, siga
escrevendo. Talvez a violência implícita das suas palavras - porque sim, as palavras
ferem… na "língua", o ser… - quebre a casca do erro linguístico que fizeram de mim.
Deste insistente interlocutor,
Um abraço (sem braços, só tinta... e café).
Qualquer dia, de algum outubro, de um ano qualquer.
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Morria de amores...
Faleceu por insuficiência cardíaca.
Era muito amor para um coração só.
Vim.
Vivi.
E não gostei do que vi.
Eu vou.
Não estou.
Nem aqui,
Nem ali.
Eu já Fui...
Eu não sou...
Nem estou
Mas eu era!
Não fiz
O que fiz,
Porque quis.
Quem me dera!
O tempo?
Voou!
Onde estou?
'ma quimera...
Que o vôo,
Que eu vou,
Já voou,
E já era.
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O após é o antes do mais após
e o passado é depois do ainda antes.
O outrora era hoje de outrora
e o hoje é dantes de logo mais.
O hoje, contudo, contém tudo...
Aquilo que à memória lhe convém.
Que a presença, aqui e agora, na memória,
Que o instante rememora e agora tem.
A história, como tempo, é sucessão.
Não de eventos do aí e agora já.
Mas antes do que nele revigora
Do que foi e que após sobrevirá.
Que o presente não é somente instante
Pois que sendo faz a história se quebrar.
Em uma relés posição de agoras,
Onde nada pode então sempre durar.
O tempo todavia permanece.
Num contínuo que não se deixa capturar.
Eis que mais do que instante que se viva,
São eventos como síntese passiva,
Do passado ao por vir a se passar.
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A poesia está nos olhos de quem lê.
O meu "dele" é dele.
O meu "meu" é meu.
O "dele" dele é meu,
Se o "ele" dele sou eu.
O "tu" é com quem se fala.
O "ele" é de quem se falar.
Mas se com ele tu é quem fala
É de mim que estão a falar.
Meu "eu" que sou eu é só meu,
Mas se te amo ele pode ser teu.
Se o teu, todavia, for dele,
Meu amor por ti já morreu.
"Eu te amo" junta dois pronomes.
Um oblíquo e um possessivo.
Que se te quero, tu, só pra mim,
O possessivo de te amo sou eu.
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Eu sabia o que era uma mãe,
Pois eu mesmo já tive a minha.
Mas só aprendi o que era uma
Quando conheci a da minha filhinha.
Sapiência?
É a sabedoria com experiência.
Sabedor?
É quem sabe pela dor.
Sabido?
É quem sabe e é vivido.
O Sabor?
É o saber pelo amor.
O homem moderno?
é homo (que-acha-que) sapiens,
De terno.
O filósofo?
É homosapiens,
Que homo,
sapiens-que-non-sapiens.
O poeta?
Non Sapiens
e nem quer sabê-lo,
mas diz.
E o sapo?
Nada sabe,
E nem tem que saber,
e é feliz.
Obs.: Não confundi-lo com a Intole-RÃ-ncia.
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Fôra brilas, e suaves tamores,
Fez rogir e postamar na cabagem.
De acasístola e de pordabagem,
Que ao momo, ratava exertores.
"Cuidado o Plantragão, filha minha!
Mandíbulas que mordem, garras que torbem e arrinham!
Cuidado o vegemôntaro, avelíneo,
Córre-te ao encôntra-lo, Babosíneo!"
Empunhou ela sua Vorpal espada,
Há tempos a matoteica criadura buscara —
Quedando-se instantes descansada,
Debaixo da tumtumeira repousara.
E, como em não peixe pensasse, em milênio,
O Plantragão, olhos em chamas prostimou,
Que por entre floresta de tungstênio,
O barbáceo então se acarviou!
Um, dois! Um, dois! E por entre e através a vorpalâmina sobejou!
Morreu ele e sem cabeça nem pés,
retorvara e galumpando voltou.
E raisou, de qualquer forma, virgo, o Plantragão?
"Ma bestassina garota, vem, me dê a mão!
Oh, franguemoso dia! Silensai! Silensoar!"
Reduziu-se enfíneta à própria sorte ou azar.
Fôra brilas, e suaves tamores,
Fez rogir e postamar na cabagem.
De acasístola e de pordabagem,
Que ao momo, ratava exertores.
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Não se engane,
O vazio aqui dentro pesa.
Não pelo peso,
mas pelo pesar.