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Náthy

@NathBean · desde 2019

É uma só cabeça pra muita bagunça guardada

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Um Primeiro Fim

Quero superar essa dor Mas me doem os peitos O teu que já não me encaixo Meu seio que já não escancara sua língua E se dizer que te amo Aumentasse meu torpor Diria que te amo mais do que a mim E que por isso me doem Doem as pernas que só caminham No caminhar dos seus olhos Que quando não me vêem Eu já não me vejo No toque do seu corpo Que quando não me sentiu Eu não mais me senti O inteiro do seu amor

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Vazia

Paixão minha Que se foi embora Como dói amar mais O olhar dos outros E o meu próprio Eu não enxergar

Certidão de Nascimento

E em somente um mês Nascerá meu neném Vocês podem imaginar Olhos esbugalhados Transmissores de sorrisos Faceiros que dilatam Pupilas pulsantes em alegria Todavia Este vez chora, vez esperneia Vez range entre dentes A injustiça em ser nascido Sem que mesmo possua Seu desejo onírico da escolha É o meu Neném Nem trabalho Nem estudo (Essa ficou nos rascunhos. 2024, um mês antes do ENEM)

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Amor

Retrato

Ontem nasci só Nua e chorosa, fazia do medo Um manto a me agarrar Como o vício que é viver E de viver, se esquecer Da nudez em chorar Uma lágrima Que de testemunha Os ouvidos aquecem É a pele íntima que se veste Por detrás de todo o tecido Uma cúmplice do crescer E a vontade junto cresce De que um dia me desapareça A necessidade de amar Através de outros corpos Pois amanhã morro íntima Como vim ao mundo Sozinha e repleta de mim

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Morte

Fevereiro, 22, 2023 - Segunda Prosa

Ele nunca soube se a necessidade de existir, em contrapartida com a sensação de inexistência, era o que o matava ou ainda o mantinha vivo. O sangue ainda corrente em seu corpo não passava de um caminho vivo que percorria para os demais, meros incógnitos. Viver o crucificava, e sentia que a ferida de sua existência tornara-se o cordeiro que absolvia seus pecados. Enquanto a dor fosse sua salvação, o egoísmo em subsistir para ele próprio já não o levaria até o inferno. Mas pensar nele mesmo nunca foi o sinônimo; Já não vivia para si e muito menos conhecia sua identidade, que não fosse o que via no espelho: um rosto cadavérico buscando se encaixar em algum túmulo onde lhe sucedesse descanso. Mas estava sozinho. Outra vez. "Tarde demais", foi o que disse um pouco antes da sua primeira morte. Aprenda com a vida; são diversas as mortes que se iniciam com pequenas pontadas na couraça denominada de pele. A última e mais fatal é a da alma. Enquanto procurava uma cova em sua solidão, ele se perguntava se era essa a mais indolor.

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Religião

Fevereiro, 19, 2023 - Uma Prosa

Ele acreditaria que era sua própria dor, se a tristeza já não estivesse ganhando seu próprio ritmo do qual ele próprio era impossível seguí-la, sendo lento demais, desengonçado demais, e assim sentia que o mundo estava na sua própria cabeça, motivo pelo qual suas preces sempre continham a exasperação que se manifestava num choro incessante, como o cordeirinho santo que o era, sempre melindroso e bem agradecido, enquanto forçava-se a se conformar em ter nascido de um jeito tão defeituoso; "deve existir um motivo, é claro. Sempre há um motivo recompensador!" Mas lá estava ele, como um jovem de lágrimas secas nos olhos sobre o seu travesseiro enquanto lembrava-se de um dia ter crido na suposta salvação. Agora sabia ser impossível; entendia que sua fé não passou de uma ilusão. As lágrimas tornaram-se tão subvertidas quanto a sua alma, e ideias vilipendiadas acerca dos Céus tomavam sua mente enquanto lembrava-se das preces que resultaram em choros de alegria, onde o mesmo travesseiro testemunhava contentamentos, e também a iludida esperança de que um dia não se tornasse quem hoje era. Tarde demais. Se o Céu não atendia suas preces; mudando sua maldita essência, então ele tinha de mudar sua essência acerca do Céu.

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Declamação sobre a pressa

Nos agarramos em girassóis Tão urgente e automático Quanto a pressa de Van Gogh Ou melhor Vamos reformular Nos agarramos numa pressa Tão urgente e automática Quanto os girassóis de Van Gogh Pintamos nossa obra Querendo colher o amarelo Girando em linha reta Nos equilibrando em girassóis Ou melhor Vamos reformular Pintamos o amarelo Querendo colher nossa obra Mas essa parte nunca muda Essa parte, a gente não reformula Girando em linha reta Nos equilibrando em girassóis Refletimos nossa própria criação Nos agarramos ao espelho e Queimamos nossa pele Ou melhor Vamos reformular Refletimos nossa própria pintura Nos agarramos aos girassóis e Essa parte nunca muda Essa parte, a gente não reformula Queimamos nossa pele

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Apenas dói

Sei que minhas palavras machucam Tanto quanto o silêncio da sua dor Talvez meu calar não feriria Como doeu ouvir da sua boca O fulgor de toda sua frieza O gélido tilintar do que hoje é mudo Minhas desculpas são ditas Mas falas são apenas desculpas Cometendo a mesma pergunta Questiono novamente meu erro Em busca da mesma dor Dolorosa resposta para um Errôneo perdão Apenas me perdoe 29/08/22

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Meu Erro

Não queria ser o erro Mas já sou o errado Em querer ser o acerto

Beijei!

Eu finalmente beijei! Mas quem sofreu de amor Foram minhas estrofes Antes tão curtas quanto O gosto de um beijo Extinguindo-se da boca Escondendo-se na mente Contaminando meus versos E fazendo das palavras Meras súditas da experiência Saudosa lembrança que retorna Como uma segunda vez Nova, novamente, contaminante 27/08/22

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