Meu nome de batismo é Isaque, mas atendo por Awi! Sou terráqueo e vou lhe relatar motivo pelo qual tanto odeio minha própria mãe. Fui concebido há 105 anos e, por meio de uma permuta genética me foi concedido, do povo que vulgarmente chamamos de salamandra, a característica do não envelhecimento.
105 anos onde aprendi obedientemente seguir todas as regras e protocolos de um líder global. Durante todo esse tempo conheci os acadêmicos mais importantes do universo e finalmente estava pronto para cumprir meu destino. Eu era um vassalo para minha própria progenitora e deveria ceder à ela meu corpo em um ato "nobre" para todos os estados de quase todos os mundos. Assim que o rito se cumprisse eu ainda seria eu... mas perderia minha essência e minhas vontades e meu livre arbítrio seria exilado do meu ser, me tornando o próximo diplomata de uma linhagem aristocrata da espécie mais ameaçadora e letal de todas...o ser humano, isso colocaria os sonhos e ambições dela dentro de mim e acima de tudo.
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O réu se levantou do banco de concreto e com dificuldade ergueu a cabeça e viu, do lado oposto das barras de aço que o privava da liberdade, o escrivão designado à colher o registro. - De que mundo é você? Seus cabelos são tão vermelhos quanto o sangue que escorre do meu rosto,e porque ele tá flutuando por acaso tem água aí fora?. O réu cuspiu no chão o sangue vermelho vivo que vinha dos cortes profundos em sua boca. - Bem... já entendi, você não pode falar comigo não é? Aquela mulher é muito cautelosa, mas acredite ou não depois de ouvir o que tenho a dizer sobre as atrocidades que cometi para ser livre, talvez você vomite. O escrivão lançou um olhar de indiferença para o rapaz e se voltou para o dispositivo que flutuava em sua frente, a tela ascendeu e um teclado luminoso se abriu na parte inferior, ajeitando a cadeira e se preparou para tecer o texto oficial do detento condenado a pena de morte. - Espero que esses seus dedos pegajoso sejam rápidos o suficiente para acompanhar o que tenho à dizer, eu sei que vocês vão me matar e sei que pretendem me enterrar até pescoço na praça do campo arenoso de frente para o consulado e apedrejar minha cabeça até que eu desfaleça, já vi isso antes- O réu disparou a frase seguida de um risada espontânea - Bem vamos começar!
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Antes de tudo acabar, naquela noite, eu o vi sucumbir de longe, nunca imaginei que pudesse sentir tanto desespero e impotência.
O silêncio daquela fatídica noite evidênciava a vida noturna onde as cigarras conduziam uma sinfonia desarmônica, enquanto as Luzes amarelas e piscantes dos vagalumes contrastavam com o brilho da lua cheia e do céu banhado de azul turquesa, um último momento antes de vê-lo partir. Naquela noite eu observei pela última vez o rosto do homem que me salvou, vi pela última os lábios e barba que nem era densa e nem esparsa, fitei os braços e pernas e ouvi a voz e vi aquele sorriso pela última vez, pensei pela última vez que pudesse viver em paz com o homem à quem ensinei o nome das flores, dos planetas e também ensinei as canções, segurei pela última vez a mão forte do homem que me ensinou tudo que eu não sabia sobre destino e futuro.
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Peguei um café, desses populares com pouco leite, degustei devagar não corri dessa vez, apenas caminhei aproveitando as surpresas que o modo aleatório da plataforma de stream traziam até meus ouvidos através dos fones.
Trabalhei e treinei, foi um dia comum mas com menos estresse e eu não esperava nada demais. Percebi de longe meu ônibus estacionado mas não me apressei, parei ali na intenção de esperar o próximo coletivo.
- Tem...
Retirei o fone e com uma cara de desânimo esperei minhas vistas se ajustarem a penumbra da calçada mal iluminada.
- Tem um cigarro?
Ele era lindo, mas eu não conseguiria descreve-lo de forma que pessoas entendessem, mas ele tinha a pele da cor do meu café com leite.
Uma pressa sucedeu-se enquanto minha face dava lugar a uma expressão leve de alívio.
Só que logo ele embarcaria e eu que já havia anunciado esperar o próximo fiquei, mas a forma como ele me fez rir... E que eu até arrisquei fazer graça e que o vi genuinamente rir, e como ele me encarava com atenção alterando essa mesma atenção entre meus olhos e boca... Apertamos as mãos.
Eu havia decidido parar de fumar naquela manhã, mas por azar acabei achando uma nova desculpa para manter meu velho e repugnante hábito.
Nunca mais fomos vistos.
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Eu não danço mais com aqueles fracassados, eu tinha ódio, e odiava a mim mesmo.
Todos eram iguais, parecia um filme, onde quer que eu fosse, lá estavam os mesmos personagens com atores diferentes, amores reais, eu acho!
Sempre com pena de mim, sempre trazendo sua benevolência e astúcia me fazendo sentir mau pelos meus hábitos, pelos meus corres.
Mas corriam ou em atos de compaixão, tentavam, exorcizar meus pensamentos, meus pensamentos que eram e são meus melhores amigos, e também inimigos, traziam guarda-chuvas ou tentavam me tirar da chuva.
Desacreditado do afeto, da compreensão, direcionei a culpa para mim, assim eu podia lidar melhor com mais este amigo.
E, não de repente, você chegou, na verdade você falou, você sempre esteve lá. E é santo saber dividir o querer do precisar, mas também é sagrado respeitar os quereres e, eu quis.
Você não veio me exorcizar, você conversou com meus demônios.
Você não me tirou da chuva, você se molhou comigo.
Te amo.
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Já fazia alguns meses que o parque havia se instalado ali.
As pessoas que agora movimentavam os braços frenéticamente, passando telas e digitando textos em seus aparelhos de comunicação super tecnológicos, não estavam preparados para o ato de loucura que seria armado ali.
De mãos dadas os indivíduos se destacavam em passos lentos, pesados e precisos entre a multidão.
- Era exatamente assim que meu pai me disse que era.
A mão enrugada dela foi levada instintivamente ao rosto dele e o show de horrores se iniciou, eles riam e dançavam e se olhavam e se abraçavam no rítmico mas ainda assim calmo balançar daquelas almas brilhantes, naqueles corpos cansados.
As pessoas se juntaram em volta, algumas acompanhadas de seus drones multifuncionais outras olhavam sem deixar de mexer os braços, todos horrorizados e com estranheza e desconfiança.
Os indivíduos interromperam o ritual para caminhar de volta para o banco disposto ao centro do parque.
A atração principal!
Ambos estavam em êxtase lembrando de como era bom o velho tempo, e pouco se importaram com aquela gente louca que se julgavam normal.
O velho passou o braço em volta da cintura de sua senhora, e ambos se vislumbrando na presença mútua e na vista da lua que em contraste com céu escuro e as luzes incandescentes do parque, parecia seduzir ao misterioso, ao completo.
Eles nunca mais voltarão ali, partiram os últimos de nós.
Foram se embora, os últimos amantes.
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O Âmago desta relação se dá pelos meus traumas, se expressa pelos meus anseios e esforço.
Por todas as vezes em que fui quebrado e precisei me concertar voltar e pedir desculpas.
Me machucavam e eu ainda pedia desculpas.
Por que?
Por que eu sorria a felicidade do outro?
Lutei a luta do outro?
Pra que mordia minha própria lingua e bebia de minha própria vida?
Eu implorei migalhas e de todo o mal que havia ainda me faziam bem, me deitavam e me tocavam, eu sabia de toda encravação, sabia de todo abandono.
Por último, eu me sinto bem.
Mesmo sabendo que me deitei na lama para que passasse limpo, e quando os dias de glória chegaram... Eu fui deixado para trás.
Pela última ou pela primeira vez.
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Tudo ia bem, até eu perder meu emprego
Perder um semestre de curso
Perder a paciência
Tudo passou a ser mau
Mal humorado
Mal interpretado
Noites de sono perdida
Estima fodida
Princípios perdidos
Longos meses
Sofrimento e pensamentos tênues
Não sentia mais falta de você
Passei a odiar você
Eu não fiquei bem
Perdi tudo, por nada
Por um motivo banal e fútil?
Meu sentimento...
O estresse do dia
Toda paranoia
Desmotivação
Fruto de noites em claro
Vão em frente e atire a primeira pedra
Aquele que for capaz de dormir com o coração quebrado.
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Era uma noite tão linda de ventania
Na sacada de uma casa alugada
De frente para o mar.
Imagine, um litoral calmo, estrelas brilhantes e fortes sentimentos
Eu quis tanto ficar lá mas o tempo me queria em outro lugar.
Quando me dei conta percebi que a âncora que me detia em um espaço , onde eu nunca fui amado de verdade, havia se desprendido.
Eu amadureci pronto para um milagre, pronto para uma momento mágico pronto para o trágico, obscuro.
Querendo beber da imprudência, livre!
Nada perfeito... mas bonito, eu sempre fui meu próprio milagre
Desculpe.
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Onde... onde estão?
Onde estão minhas chaves? preciso voltar para casa.
Este é o caminho, eu lembro, preciso vê-los.
Nuvens densas, chuva? Devo me apressar... tudo tão estranho.
Não lembro de ter um prédio tão alto aqui.
Minhas costas doem, estou ofegante, o que há de errado comigo?
Ah aqui, essa rua, minha rua!
Estranho, esquisito.
eu vejo o muro da minha casa, em um cinza moribundo, ele costumava ser verde esperança como minha mãe dizia, agora cinza triste, o pai deve tê-lo pintado, enquanto eu estive fora.
Foi uma longa viagem, foram longas noites, longe de tantas coisas, longe de mim? Aliás qual foi o motivo da partida?
Quero contar a meus irmãos a minha mãe e conversar com meu pai... desculpa-lo e dizer que eu sinto muito também.
Queria andar mais depressa, mas pareço pesado, estou ansioso e meu coração bate muito rápido, estou ficando sem ar.
Ah o portão está diferente também, tão discreto, onde estão as plantas da mãe?
Mã... minha voz?
Minhas mãos? De onde vieram essas marcas?
CACHORROS LATINDO
ALGUÉM SE APROXIMA
- sr? O que quer?
Fico tonto, o que está havendo?
Me desculpo, e retorno figurando o que eu neguei por orgulho.
Volto pelo mesmo caminho que me conduzi até ali.
Em um ponto de ônibus, me curo do devaneio, frustrado,triste, angustiado e reprimido.
Já não me restava mais nada por lá,
Apenas memórias de um velho demonio.
Cheguei em casa, mais uma vez, só.
68...anos.
Onde agora eu morava, mas dentro das paredes verdes foi onde eu vivi.
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