Age como um unguento que me sana o veneno,
o sussurro da chuva que faz companhia.
Faz se estender o momento de silêncio pleno que por si só faz a noite amenizar o dia.
Só pede que eu compreenda, e como amigo, ouça as gotas de chuva que ligam a terra e o céu.
E choram por mim as estrelas, que cobrem seu rosto em nuvem como se rendas de um véu.
E é natural que também chova em meu peito. Tanto é a chuva que me transborda ao olhar.
Mas a nuvem em mim é um sonho imperfeito, do qual noites de chuva me salvam de sonhar.
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Quisera eu cumprir meu mais profundo desejo,
E em tua boca meu destino consumir,
Provar teu beijo antes que eu diga "Adeus",
Pois a partida me fará sumir.
É um anseio que me assola a mente,
Me faz refém em cada instante, em cada hora,
E me encadeia a um querer urgente,
Da chama que no peito me devora.
Morada em teu peito, seria o meu porto,
Segurar tua mão e ali me abrigar,
Onde a alma encontra o mais doce conforto,
E a vida pode enfim se ancorar.
Porém, o zelo que por ti eu cultivo,
Não busca a posse, mas a comunhão:
Que sintas a falta que me faz mais vivo,
E que o desejo seja nosso, em união.
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Quieto, filhote, a noite te engole,
Mais preta aqui, onde a alma se mói.
O vento arranha, um sussurro gelado,
Dizendo o nome que é pecado.
Não espie a fresta, a sombra te chama,
Onde não há luz, nem resquício de flama.
Olhinhos fechados, como pedra e carvão,
Pra que o Vagalume não faça a colheita, não.
A voz não se eleve, o corpo encolha,
Se o Vagalume te achar, a carne se folha.
No pântano morto, seu brilho não vemos,
Mas ele te fareja, em todos os extremos.
Só o silêncio, denso e pesado,
Que o terror nos prenda, amordaçado.
Um sopro sequer, um tremor na mão,
E o Vagalume te leva, para a escuridão.
Então durma, pequeno, em sono de morte,
Que a noite nos esconda, sem azar e sem sorte.
E que a treva enfim nos possa tragar,
Antes que o Vagalume venha nos buscar.
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Não ouço trovoada ou sinto o cheiro da terra, mesmo que o céu se vista de um cinza profundo.
Grita em minha mente um silêncio distante enquanto vivo uma eternidade a cada segundo.
E então me falta o ar, me falta equilíbrio, me falta a luz do sol que iluminava o dia.
Me falta atenção, me falta razão, me falta paixão, me falta alegria!
O que me falta faltar para que me falte mais nada, e eu não falte àqueles que o coração exalta.
Falta resiliência? Falta resolução? Ou falta simplesmente que eu lhes faça falta?
Me engana o pensamento quando percebe o momento em que sua presa está mais cansada.
Nutrindo o próprio tormento e mata o discernimento, fingindo ausentar tudo quando não falta nada.
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Since the day we first met, I couldn't look away,
Lost in the depth of your beautiful gaze.
Your presence alone felt too much like a dream,
I had to pinch myself to check if I hadn't slipped away.
I knew right then it was something uncertain,
That at any moment, it could all go sideways.
But I also knew, with a heart so sure,
That you would always be my always.
And though time and distance have drawn their lines,
My heart still whispers your name in quiet sighs.
So by now, all I can do is to hope it is all by God's design.
But since there is an ocean between us at the moment,
I'll contempt in hope you'd be my Valentine.
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Perdão te peço, amor, se o medo excede:
basta um só devaneio em que te ausentes
para que o lamento em ondas crescentes
me arraste a um mar de angústia que não pede.
Não é teu corpo ou beijo o que pretende
esta paixão que rompe as convenientes
normas do gostar: são sementes
de um querer que em teu sol feliz se acende.
Sou egoísta? Talvez. Mas permito
que a luz do teu existir me ilumine,
mesmo sabendo o fim que o tempo escreve.
Assim, em mártir diário, vivo aflito:
treino no peito a dor que me fascine
quando a vida, por fim, de ti me prive.
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Quem tanto teme o que já foi vivido,
Desfaz do agora a chama mais ardente;
Embaça o brilho cálido e presente,
E faz do medo o seu maior abrigo.
Passado é sombra, vã dor, um gemido,
Que ecoa só na mente do descrente;
Mas o presente é rio, é luz corrente,
Que lava as mágoas do sofrer perdido.
Não é o espaço que as almas desata,
Mas o silêncio de um amor pequeno,
Que nunca aprende o som de quem arrebata.
Vem, rompe o tempo, rasga o véu terreno;
Que o futuro é chama, e a vida, rara,
Floresce apenas onde o instante é pleno.
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Onde você foi depois de me ensinar a dar os primeiros passos?
Porque eu caí no chão, se você tinha me prometido seus braços?
Onde você esteve nesse tempo em que eu temia tanto andar sozinho?
Porque me mostrou a direção se pretendia seguir sozinha por outro caminho?
Você sabe quantas vezes eu gritei seu nome até perder minha voz?
Sabe quantas vezes eu me desesperei vendo que só havia "eu" onde achei que haveria "nós"?
Porque desde então eu sinto como se algo em mim tenha se perdido?
Eu tive valor pra você ou fui só o material pro seu coração ser reconstruído?
E valeu a pena pra você me deixar sem explicação pra curar sua dor?
Foi uma boa pedida sua autoestima ferida deixar minh'alma destruída e com medo do amor?
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Finda o silêncio que escurece a alma,
e brilha luz tão clara que acalenta o pranto.
Preenchendo o todo de calma tão rara,
e tanto é o mais, que não me importa o quanto.
Supera a ânsia em um grito estridente,
como se um tenor cantasse um soluço rouco.
E transforma a paixão em amor iminente,
um sentimento que é tanto, e ainda parece pouco.
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Me entristece a raiva que sinto do amor e o sofrimento que é a dor de sentir alegria,
E amanhece a aurora e a tarde de outrora agora faz a noite se tornar o dia.
É então que imagino os planos repentinos onde eu fantasio com a realidade,
E morro de viver o amargo prazer do esquecimento tornando em saudade.
E numa calma inquieta eu flutuo em queda enquanto penso com meu coração,
E então festejo em luto enquanto colho os frutos com o doce sabor de um esforço vão.
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