Lullaby
Quieto, filhote, a noite te engole, Mais preta aqui, onde a alma se mói. O vento arranha, um sussurro gelado, Dizendo o nome que é pecado. Não espie a fresta, a sombra te chama, Onde não há luz, nem resquício de flama. Olhinhos fechados, como pedra e carvão, Pra que o Vagalume não faça a colheita, não. A voz não se eleve, o corpo encolha, Se o Vagalume te achar, a carne se folha. No pântano morto, seu brilho não vemos, Mas ele te fareja, em todos os extremos. Só o silêncio, denso e pesado, Que o terror nos prenda, amordaçado. Um sopro sequer, um tremor na mão, E o Vagalume te leva, para a escuridão. Então durma, pequeno, em sono de morte, Que a noite nos esconda, sem azar e sem sorte. E que a treva enfim nos possa tragar, Antes que o Vagalume venha nos buscar.
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