Um abraço ao passado
àquela infância feliz
àquela alegria despreocupada
de um dia acabar
Daquela história que ouvia e sorria
daquela paixão, na primária, pela professora,
que sentia
Daquele correr à mae
quando ao anoitecer chegava
Daquela brincadeira descalça,
no quintal,
quando o luar chegava
Daquela ausência do futuro
apenas no presente
como se o mundo fosse meu
Aí, saudade!
De ti meu pai,
em memória,
Que com tempo te esqueci
Daquela vizinha,
do cão doutra vizinha
e daquele vizinho de frente
que me puxava na orelha
quando em brigas me metia
Daquela energia infinita
que me fazia correr todo o dia
Do meu amor,
daquela rua,
na adolescência,
que hoje casou
amava-lhe irracionalmente
e ela correspondia da mesma maneira
era mais um autoconhecimento,
na verdade,
cada um perguntava ao outro
" quem é você"
sem resposta: sorríamos!
Daquela leveza do ser
De ser eu mesmo
Sem atributo,
apenas uma expressão espontânea
De sorrir quando se quer sorrir,
De chorar quando se quer chorar
De gritar quando se quer gritar
E de calar, quando se quer calar
Que saudade!
De ontem melhor
Porquê o presente sempre acaba?
Hoje eu entendo o cansaço
de Fernando Pessoa
Procuro à alegria
e só a encontro no passado
Seguramente...
tenho certeza: os adultos são infelizes!
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Palavras transmitem intenções humanas de comunicar. Comunicar desejos, dores, alegria, amor, ódio, apelos, conselhos, informação, etc. Pensamos ideias e passámo-las, através das cordas vocais, por palavras. Por meio de palavras escreve-se tudo: Poesia, Romance, conto, prosa, crônica, texto informativo, texto argumentativo, enfim um misto de texto literário e não literário. Mas, pra mim, nem sempre as palavras tem uma direcção a seguir. Para mim é mais uma terapia, que não precisa de sentido, não precisa de forma. Simplesmente escrevo. É como um grito, um eco para ao além, um desabafo a Deus na esperança de ser escutado, por isso me considero escrevedor.
Eu sou escrevedor, que escreve sobre o papel; que escreve na parede, na madeira, num recibo qualquer de compra, numa capa de livro, no quadro, no chão, no computador, etc. Escrevo palavras que mentem, que deturpam, que confessam, que perdoam, que acalmam e que revoltam.
As palavras que se escrevem formam sempre um universo, porque as palavras têm vidas. Vivem nas mentes de quem as lê e ganham independência. Os escritores são semeadores de realidade. Sugerem realidades e os leitores dão vida a elas.
Não é necessário ser escritor para escrever. Basta, simplesmente, ser escrevedor, basta escrever tudo que lhe vem a alma, não precisa ter sentido, escreve! E quando nao poder mais, simplesmente, rabisca!
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O silêncio bateu-me a porta
Olhei pra mim
Acho que me conheço
Na verdade acho que conheço aquela moça
Há alguém a porta...
...Peguei no carderno
Tentei escrever uma poesia
De novo aquele sensação
Eu já escrevi esta poesia
Mas não sei o que escrevi
Saí para me distrair
Vejo pássaros
Alegremente a dizerem
Que a chuva parou
já podemos voar
Até parece um dejavú
A ilha está movimentada
Sinto que alguém está a me seguir
Olho pra traz não vejo ninguém
Sinto que não estou só
Sinto que estou acompanhado
Que dia estranho
vejo uma moça a fazer gestos para seguí-la
Para aonde ela vai?
Acho que entrou numa casa
Espera aí
Essa é minha casa?!
Ela foi ao quarto
Não acredito!
Eu estou a dormir?
Sinto que alguém me está a mexer
Ohh...ela está me acordar
Aos sustos acordei
Que sonho estranho
Tentei escrever uma poesia
De novo aquele sensação
Eu já escrevi esta poesia
Mas não sei o que escrevi
Sinto que o silêncio bateu-me a porta
Olhei pra mim
Acho que me conheço
Na verdade eu conheço aquela moça
Há alguém a porta
Não acredito é a moça dos sonhos
Abri a porta
Ela olhou para mim
E disse:
-Oi sou nova aqui
Gostaria de te convidar
Para dar um passeio à ilha
Conversarmo-nos um pouco
Talvez possamos conhecermo-nos melhor!
Que estranho!
Está bem vamos...
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Quando os problemas
nos afetam
O desespero nos enfrenta
e a vida nos despresa
ficamos só
A espera de alguém que nos abrace
que as lágrimas nos enxugue
e que a realidade
nos aceite
Quando ninguém fala
o sentimento se acaba
e a felicidade se afasta
sentimos vontade de chorar
chorar mas não tem ninguém pra consolar
E ficamos no silêncio
não de viver também não de morrer
mas de entristecer
e a sanidade perder
quando já não tem sentido
ninguém se importa de ser ouvido
chorar sem nenhum motivo
Os homens param
e a arma já não dispara
e a razão nos falta
Quando quiser morrer
não querer mais saber
de tudo me livrarei
meu sonho abandonarei
o silêncio vai me manter
e todos vão se esquecer
quando chorar
que eu morra
pois ninguém vai me consolar
e as pessoas não vão saber
e o coração vai dizer está doer!
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A mim parecia dois
Como se fosse nós
Um eu do outro lado
Uma dupla que se faz sentir
Duas pessoas em um só
Quem é ele?
- Espelho!
Em aplausos irónicos
entre os desvios da alegria
a solidão se encomendava
na coração de quem lacrimejara
Errava o que os
espertos acertavam
Sentia oculta dor
mostrando-vós que nada se passava
os olhos ralhavam a face de quem julgara
Desenvolveu-se a vergonha
o silêncio não de falar
mas de esconder
o que tem pra mostrar
foi quando descobri
que no meio deles não da pra ficar
comecei então
a me separar
e a esconder a naturalidade
de viver
E comecei a viver no fingimento
e ao meu passado tudo escrever
A mim permaneceu a timidez
e aos olhos de quem olha
choram os sorrisos que passei
mas...riem as lágrimas que derramei
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Infelizmente os meus olhos
não conseguem alcançar-te
Tu já estás
para além da minha linha do horizonte
Pergunto ao meu coração
Se algum dia tu me amaste
Que tristeza!
confessar-te-ia que te amava
Agora, no topo da montanha,
choro de dor
Gritei tanto por ti
E nem sentiste
O eco da minha voz
Levaste o meu silêncio
e deixaste-me o teu
Rogo a deusa do amor
Que te toque o coração
e que te fale que eu te amo
Rogo a deusa da proteção
que te proteja das grandes ondas do mar
e que me traga tu de volta
Ah!
A tristeza preenche o céu
num horizonte vermelho
Observo o brilho,
timidamente luminoso, do mar
e lembro-me da causa do nosso distanciamento
Infelizmente a timidez
venceu o amor que sinto por ti
E agora, nem eu sei se tu me amaste
E nem tu sabes que eu te amei!
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Deixa-me falar para mim mesmo
Deixa-me escutar-me a mim mesmo
Deixa-me ao menos abraçar-me
De ti, eu me desconecto
Me perco
Sei que te pertenço, ego,
mas, por favor,
Dê-me pelo menos
Um minuto de silêncio
Para que, cronometradamente, eu me refaço,
e me reconceituo
Nesse minuto não mais me fugirei
Não mais me odeiarei
Não mais me esquecerei,
Não mais me interpretarei
Apenas ficarei em silêncio
Sem medo,
Apenas estranhando as minhas memórias
a orgulharem-se de serem independente
mostrando-me os meus feitos
dos mais baixos
aos mais altos,
enquanto solto emoções
quer de alegria, quer de tristeza
Parecia que o tempo não existia
Ia para o passado
e voltava, aqui, no agora
e, nesse agora, sinto uma inergia,
uma vibração que me fazia chorar,
Sorrir.
Senti um amor inexplicável
Que, espontaneamente,
fez-me dar um abraço a mim mesmo
de profunda paixonite
Enquanto o tempo se dissolvia
Fazendo-me voltar ao ego
obrigando-me a vestir a roupa de professor,
amigo e marido
E então eu, em desespero,
procuro, utópicamente, nessas vestes, compreender o vazio existencial!
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levanto a vela do barco
porque hoje partirei
carregarei o seu amor com
esperança de nunca te ver
não tenho nada a te dizer
porque munca sei dizer
nunca te disse amo-te
nem criei em ti uma desconfiança
agora partirei e sempre te amarei
tudo fazia por nada
porque nada sentias por tudo
nada te dizias
por isso nunca me sentias
hoje viajo para leste
norte ou sudoeste
com esperança de te esquecer
sempre me escondi
quando tú me perguntavas
sempre vivi fechado
escondendo que te amava
cá estou nos oceanos
a ver está terra de longe
que testemunhou o nosso encontro
e agora está a testemunhar
a minha partida
ela dirá o quanto
ti amei
e o nada te falei!
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