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Max Tuvache

@Maxis · desde 2018

Fôrma sem forma

13 poemas 27 seguidores 24 seguindo

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Poema

Sonho, Memória, Desejo

A leve sensação de frio Tocava a minha pele... Ao som de Gnossienne E paisagens tão desoladas, Algo preenchia o meu ser, Como o paradoxo do tempo. De dentro das abstrações, Dos sentidos, da nostalgia, De sentimentos esquecidos Ou incapazes de existirem, Eu senti o suave e misterioso Ato de existir... Apenas existir. A linguagem fugiu de mim, Mostrou-me algo magnífico, Que é como habitar o etéreo E tocar nas mãos do tempo, Da realidade, dos sonhos, Das fantasias e da existência... Hoje não consigo conservar As memórias do que ocorreu, Nem distinguir se era memória, Sonho, desejo ou algum delírio, Mas em algum canto profundo, Entre as linhas que compõem Todos os momentos da vida, Isso desperta uma nostalgia Que é quase melancólica demais Para representar algo tão sublime. Max Tuvache

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O Pecado do Rio (Mia Couto)

Na igreja, Rosarinho se confessou: engravidei do rio, senhor padre. Com gesto de água arredondou o ventre. O padre se enrugou: ela que não usasse desculpa para os seus mortais pecados. A ofensa tremia na voz dela quando retorquiu: — Desculpe, padre, mas Nossa Senhora não emprenhou de um feixe de luz? Para mais, acrescentou Rosarinho, o senhor padre nem nunca, nem jamais viu esse rio. E rematou com lânguida saudade: aquele ondear, as tonturas que ele traz... Pegou o padre pela mão e o convidou a descer o vale. Agora, todas as noites o padre se banha nas águas do rio pecador. Poema presente no livro "Poemas Escolhidos", de Mia Couto, publicado pela editora Companhia das Letras.

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Estética

Os pássaros são belos, Todos eles, sem exceção! Mas, por vezes, me pego pensando Que, se eu fosse um pássaro, Eu seria muito cheio de mim Por ter tantos admiradores. E, por isso, e também não por isso, Eu não acharia todos Os outros pássaros tão belos; Talvez não achasse nem metade, Nem um terço deles. -Max Tuvache.

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Deturpado

A minha verdade não é definida pela percepção dos outros, mas pela minha própria. Tudo que posso conceituar, posso criar. Sou, afinal, como um deus. Porém, sou impotente a mim mesmo.   Sou meu suserano e sou meu vassalo. Conheço a tudo, mas não conheço-me. Possuo tudo, menos o controle. Busco a redenção sem saber o meu pecado. Amaldiçoo a razão, pois dela veio a minha deturpada percepção. - Max Tuvache.

Viva à Fuga!

Os homens, no mundo dispersos, Concentraram-se frente à balconista. "Aberta a venda de ingressos Para o congresso humanista." Em honra aos grandiosos progressos De uma sociedade tenra e sufragista Todos poderão ver os nomes impressos Na nova história humana-progressista: Os visionários dos triângulos convexos Saudarão a humanidade escapista. - Max Tuvache.

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Autoimolação à Alvura

Furai os próprios olhos. Este é o seu sacrifício, Se queres, de fato, ver Sem autoinfligir em si Tanto repúdio e ânsia. Os olhos são insuficientes. Tua dor não limita-se à visão. Furai, também, os tímpanos, Assim não perceberá a cacofonia Das engrenagens do mundo. Feito, em ti a essência Estará em sua forma bruta, Sem a deformação Da imagem de Deus. - Max Tuvache.

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A Cidade que Dorme

Certa vez, a cidade pôs-se a dormir, E todos dormiram tranquilamente. Os habitantes acordaram confusos: Não havia a luz; ainda era noite. Nesse tempo, não haviam relógios, E o tempo era definido pelo dormir E pelo despertar, regido pelo sol; Não sabiam o que fazer, e nada fizeram. Houve muito pânico, histeria e desalento, Mas quanto mais habitavam a cidade, Que nunca despertou-se novamente, Mais acomodavam-se no crepúsculo, Estando acordados em uma cidade estéril. - Max Tuvache.

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