Saudade
Tenho caminhado ao lado de uma angústia dilacerante, e por ela, já morri incontáveis vezes. Carrego comigo as dores das vidas que me foram dadas e arrancadas, e me pergunto sobre o peso de tudo isso, quão profundo é um corte que nunca se fecha? Quão avassaladora é a dor de quem nunca conheceu o amor? Tentei amar, mas não fui amada. Tentei ser indiferente, mas sempre me importei demais. Tentei fugir, mas o longe sempre esteve perto demais de mim. Tentei tudo. Tudo para entender essa urgência de ter um rumo, de ser alguém que quer algo, de desejar o que os outros desejam. Mas e se eu não quiser? Se o vazio não me assombrar? Se minha vida não couber nos moldes dos planos alheios? Porque, nesse momento, eu não sou e nem quero nada. Neste quarto, eu não sou nada. Nenhuma lembrança de mim se faz presente. O mundo tem gritado tão alto que, com frequência, se confunde com o ruído na minha cabeça. Quase chamei isso de silêncio. Quase chamei isso de paz. A graça de ser eu sempre esteve refletida nas pegadas esquecidas de algo que talvez nunca tenha existido. Mas o que resta para quem já não tem ambições? Quero respirar, mas o ar não me encontra. O que chega aos meus pulmões é o sufocar das palavras que nunca disse, das palavras de um idioma que nunca aprendi por completo. Desse idioma, tirei como fluente apenas a saudade que sinto de mim, a saudade de não me lembrar do peso do que fui ou do que nunca serei.
Arturo
Teu poema e lindo e forte na tristeza. Um abraço deste poeta!
Bean
Muito obrigada, Arturo!! ❤️💐
Christian Patrick.
fico feliz que tenha voltado , lindo poema!
Bean
Muito obrigada!!! ☺️❤️