Maldita seja a noite em claro
Que faz questão de trazê-la outra vez
Logo quando estou , naturalmente , sem qualquer preparo
Sou refém de sua maciez
Que , só existe na minha cabeça.
Entre mudanças de posições na esperança do salvador sono
Clamo para que meu íntimo a esqueça
Sinto muito pelo nosso outono
É claro que senti saudade
Porém , tento não fazê-lo mais
Não foi caso de eternidade
Opto por dormir em paz.
Até outra ocasião.
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Acorrentado pelas mentiras
Lutei contra os empecilhos
O dia a dia picado em tiras
A voz da família me tirando dos trilhos
Eu seguia na posição de mártir
Disposto a mantê-los honrados
Só podia estar com a cabeça em Marte.
Eram mentirosos , caloteiros , sinistros e manchados.
A lâmina que flerta com os laços de sua vestimenta
é a mesma que, em noites embriagadas,
sussurra em minha garganta.
Nas horas intermediárias,
quando a lucidez subitamente me ocorre,
penso, aflito:
qual será o desfecho?
Terei o deleite e o prazer
de tirar suas amarras
e vê-la despida?
Ou um rápido alívio,
que somente um suspiro final
é capaz de proclamar?
Quem sairá por cima?
O rosa que te inflama
ou
o preto que me envolve?
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Enquanto vivia minha vida
O destino se encarregou
De me tirar do beco sem saída
Que um dia alguém me deixou
Durante o pacato
Tudo deixou de ser dúvida
Tudo passou a ser fato
E mesmo aquilo que eu não sabia
Veio à tona de forma tão despretensiosa
Que eu simplesmente sorria
Terminou tudo em prosa.
Eu com Eu
Como começou lá atrás
Eu com Eu
Momentos de paz..
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Doeu quando eu fui descartado
Soube que não era o escolhido
Doeu tanto, um bocado...
Mas já se tornou um caso abatido
Assim eu pensava
quando enfim soube que havia um escolhido
Aquela ferida antiga latejava
voltou de onde eu já havia varrido
Na época, julguei ser necessidade de pensar
um mero tempo pra refletir
Mas só eu não via acabar
aquilo que sequer chegou a existir
Há um escolhido
e nunca fui eu
Sempre houve um prometido
mas naquele dia
aparentemente
ele não atendeu.
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Generalista que sou,
já desisti de amar.
Quaisquer sejam as ruas que vou
ninguém há de ser meu par
Intensidade descabida
me deixou sozinho
Sou sábio preso em sua ermida
pássaro que já não sai mais do ninho
Pois, sei...
ou talvez queira acreditar
que um dia tanto amei
e meu coração se deixou esgotar
Se for uma infeliz mentira
que escolhi, como um mantra, repetir
minha alma ainda suspira
e um novo amor haverá de surgir
Se for uma infeliz mentira
e não uma trágica verdade
meu coração respira
meus peito ainda arde
Quero amar outra vez
Mesmo se amar...
não for mais possível.
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Com a voz trêmula,
ela me pediu pra parar.
Eu não encontrava razão,
decidi continuar,
com força, sem hesitação.
Ela se encolhia,
perdia a voz no estopim de nosso entrelaço.
Eu ria.
A perseguia, era um marginal no teu encalço.
Ela implorou
e eu percebi:
nunca rolou.
Eu insisti.
O fim estava decretado
desde o último misto-quente.
Eu estava encantado,
mal percebia ela indo embora lentamente.
Tão cego estava,
seus sinais eram gritos,
berros,
socos e humilhação.
Tão tolo amava,
mal percebia seu tempestuoso pisão.
Ela me pediu pra parar.
Eu fingi não perceber.
Não paro mais de pensar
no quanto ainda há de chover.
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Eu quis ser tudo,
menos eu,
na intenção de tê-la
em meus braços.
Noutra casualidade,
fria como a última,
nada se encaixou.
Eu já não era mais eu,
e você já não queria mais
o que eu era
ou havia deixado de ser
para tê-la outra vez.
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Corro em tua direção,
mas há um muro entre nós.
Cada passo é uma esperança,
cada impacto, uma despedida.
Ainda assim, corro.
Meu peito já conhece as pedras,
minha pele, as cicatrizes,
mas meu coração insiste
em chamar de caminho
aquilo que sempre foi barreira.
E se o muro não cair,
que ao menos saiba:
foi contra ele
que meu amor mais lutou.
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Chuva fria cai
Queria-te sob meu teto
Aqueço tua ausência.