Apatia de uma vida passada
Qual o sentido da vida para quem já não ama? Para quem os olhos se tornaram opacos diante da despedida do sol, sem mais perceber a delicadeza dessa queda lenta? Para quem o beija-flor, antes admirável, agora é só um movimento sem graça, sem mais deslumbramento no voo ou na flor? Qual o sentido da vida quando a língua, que carrega a saudade tão viva, já não consegue articular o que pulsa por dentro, pedindo socorro para ser libertado? Há palavras no mundo, sim, tantas palavras. Criadas para dar nome ao que sentimos, ao que vemos, ao que nem entendemos. Meu nome, por exemplo, que denomina a mim uma identidade da qual nem conheço. Mas, no fundo, nenhuma palavra basta. Nenhuma traduz o que a vida passa a ser quando o sentido se desfaz. Tudo vai ficando pelo caminho, silencioso, como algo que não se sabe se perdeu ou se nunca esteve ali. O que resta para quem já não encontra beleza nas pequenas coisas? Talvez a vida, antes plena de sentido em cada detalhe, agora seja uma estrada de memórias não sentidas, de dias que passam sem deixar vestígios. E as palavras, essas, se perdem no caminho, incapazes de nos salvar do que não sabemos mais ver. Porque, no fundo, a falta de sentido não é uma ausência do mundo, mas uma ausência de si, uma desconexão tão funda que já não se sabe onde começa a dor ou termina o esquecimento.
Christian Patrick.
Eventualmente me pergunto onde estás Se soa estranho perdão. Sua obra que me trás E a curiosidade do paradeiro toma minha mão