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Leon Vieira

@Leon_Vieira · desde 2021

Poesia é Sol e fogo sob inspiração divina, fluída e manifesta. ᛊᚲᚨᛚᛞ • São Paulo - SP 11959547203

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Vida

EGO MORTUUS SUM

Já fui morto em muitos momentos: Quando expelido do ventre materno E vi-me refém do mundano inferno Que troveja em vívidos tormentos. Morri, sempre, mais e tanto, Açoitado por impuros olhares A conspirarem nos cruéis altares Onde se colhem a dor e o pranto. Compelido a permanecer somente, Abracei da essência a brevidade, Dissolvendo-a vagarosamente. Apenas para descobrir a vida Desmentida nesta vã verdade: À morte acompanha a via ressentida! (L.V)

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Vida

COBALTO

Cristal celeste: Cruzeiro do Sul... Os céus vão espumando Em ondas de azul. O véu do poente No coral espelhado É o céu misturado Co'o mar reluzente. A morte cerúlea Na foz da amplidão Reúne os matizes Em um turbilhão. Do mundo surgido, É senhor e arauto O homem nascido: Placenta e cobalto. (L.V)

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Corpos de Neon

Corpos de neon dançam Sob flashes cáusticos Enquanto ondas vítreas rebentam Sobre lares e antros — coxas e catracas. Rios de vaselina e Pinho deságuam Em quartos e cabarés onde amantes E multidões aderem suas peles Com a viscosidade divina do látex E com o húmus lixiviado da carne. Kramer Gui Savonarola Calvino Diderot Casanova Baudelaire Sade Devassam-se mutuamente nos becos. Genebra Florença Paris Veneza São Paulo Garotos ajoelhados perente retábulos em grata ereção pelos pecados consentidos. (O gozo prévio catequiza a moral) Minha boca diametralmente apartidária enoja-se Da própria inação conquanto minha língua invada bocas e mentes extremas. Sou pai, sou o feto de meu próprio ideário... Mas a remissão incestuosa dos hipócritas "É meu dever e minha sedição." (L.V)

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Vulcão

Coluna fulgurante, Densa e quente. Língua divina, espiralada, Esfumaçada e fervente. Matriz espessa de entranhas — Flamante, chamejante, ardente. (Febre do corpus telúrico!) Irrupção viscosa de ígneos rizomas. Ventre férreo... Foz incandescente! (L.V)

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Vida

PELE

Pele em medo, Nascitura e quebradiça: Pele súplice de vida. Pele ávida, Fecunda, Forjada em âmnio e dente. Pele comovida dos túmulos — Marmórea, Óssea, Escalpelada.  Pele tingida, Envelhecida, Costurada. Pele anoitecida  Alvejada, Invadida... Em linhas de nervos costurada. (L.V)

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Poesia

Poesia Mimada

Poesia rimada Verso brando Vaso branco: Louça quebrada. Poesia rimada Verso manco Falso encanto: Linhas borradas. Poesia rimada: Verso santo Por enquanto Fé amestrada. Poesia rimada Verso franco? Ledo engano — Poesia mimada. (L.V)

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Poema

O Mar entre as Estrelas

Vi o mar desbravar o céu Enquanto as estrelas ancoravam Rútilos corais que adornavam A imensidão do negro véu. E desse mar vi a chuva quebrar Suas ondas — qual batismo —, Aspergindo o vasto abismo Com gotas puras de luar. Vi as nuvens nas marés Dispersarem suas espumas, Sincronizadas com o balé De vagas brancas como plumas. Vi o Sol no fundo do mar Represando o sal da terra, E as ondas sempre em guerra Banhando os astros sem parar. (L.V)

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Amor

Como havia querido...

Na memória que é só lembrança De tudo aquilo que se foi (E que ficou em mim!) Ecoa um grito de recusa Transpassado pela seta atroz Das horas da tua partida Que também me levaram Ainda mais além Para longe de mim e de mim. E o sorriso que resta É um sorriso sonhado Dentro de um sonho remendado Que vou sufocando Na clausura das ausências. E chamo, sem saber que chamo, O nome que fugiu de mim Em um verso nunca escrito. As horas continuarão a espreitar os dias, Mas nunca haverei de passar Da superfície dos teus olhos, Nem teu tempo será O pretendido dono de mim... (L.V)

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Amor

Assombro

Tal alvura            Me assombra Na rigidez             Da carne toda dura Na penumbra             Do teu tato feminino             Na timidez de menino, E na infinita vontade             Que perdura. (L.V)

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Amor

Flamante alvura

Imprimo em vão, As letras turvas dos meus suspiros.  Cedo, como quem tem sede, Ao justo torpor do teu olhar.  Tua voz - um torvelhinho - Me atrai, e me traio Na órbita insondável  Da carne.  (Melíflua Lua cheia!) Desejo.... Perturbam-me sonhos suados, Unhas inebriantes, Cintura mourisca e balouçante. Fêmea divina em queda A condenar-me docilmente À pira impenitente De teus lábios de vinho. Flamante alvura! (L.V)

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