6.
Hoje eu te chamei de meu amor
sem perceber.
Quando vi,
a palavra já tinha saído,
como se soubesse um caminho
que eu ainda não conhecia.
E eu fiquei pensando:
foi forçado?
Ou já estava querendo vir?
Não sei.
Talvez tenha sido só uma palavra.
Talvez tenha sido carinho.
Talvez tenha sido o coração
escapando pela boca
antes que eu pudesse segurá-lo.
Engraçado…
eu já disse que não estava apaixonada.
E ainda digo
que não sei se estou.
Mas hoje,
por um instante,
você foi
“meu amor”.
E você estranhou também.
Não disse nada.
Eu também não.
Ficamos os dois
com aquela palavra no ar,
como quem percebe alguma coisa
mas ainda não tem coragem
de dar nome.
Talvez não seja amor.
Talvez seja só o começo
de alguma coisa
que eu ainda não sei chamar.
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5. parte 2
Eu escolhi deixar alguém entrar.
Não significa que estou apaixonada.
Não significa que já amo alguém.
Significa apenas que, pela primeira vez,
eu não estou impedindo que isso possa acontecer.
E essa escolha tem me feito sangrar
tanto quanto tem me feito sorrir.
Porque permitir que alguém atravesse meus portões
é entregar a essa pessoa uma chave
que eu passei anos guardando.
É permitir que ela veja os jardins
que cultivei escondida.
Os corredores que ninguém percorreu.
As salas que mantive trancadas.
As cicatrizes nas paredes.
E talvez esse se permitir seja exatamente isso:
deixar que alguém alcance lugares
que eu passei tanto tempo protegendo.
Mas agora eu sei que abrir os portões
não significa entregar o reino.
Ainda existem muralhas.
Ainda existem sentinelas.
Ainda existe uma espada pendurada ao lado do trono.
E, entre as muralhas que ainda existem
e o portal que decidi abrir,
eu só peço ao Rei
que me ensine a discernir.
Quem merece atravessar.
Quem veio apenas para conhecer.
Quem deve permanecer.
E quem precisa ir embora.
Porque eu não quero fechar o portal por medo.
Mas também não quero mantê-lo aberto
só porque decidi dar
a alguém a chance de ficar.
Meu coração não precisa ser uma prisão.
Mas também não precisa ser uma terra sem rei
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5. parte 1
Eu escolhi permitir que meu coração sentisse amor.
E essa escolha me deixou inflamada.
Por muito tempo, construí muralhas ao redor do meu coração.
Pedra sobre pedra.
Uma fortaleza inteira erguida com as próprias mãos.
Coloquei sentinelas nos portões,
aprendi a reconhecer ameaças de longe
e fiz do controle a minha armadura.
Então, um dia, eu decidi abrir um portal.
E criar uma passagem entre as muralhas que tão cuidadosamente ergui
tem sido uma batalha em meio à guerra de viver.
Porque agora todo pequeno arranhão na pedra
parece anunciar um cerco.
Todo tremor,
tudo que desafia meu controle,
faz as muralhas estremecerem.
E qualquer rachadura me faz correr para o castelo,
subir as escadas até o trono
e perguntar ao Rei:
“Isso sou eu outra vez?
Ou é um sinal vermelho?”
Porque eu ainda não sei diferenciar
o medo de perder o controle
do discernimento de quem precisa proteger seu reino.
Mas amor é, em parte, razão
e, em parte, emoção.
E o Rei me ensinou que o amor vai além
do que um coração pode sentir.
Que amar não deveria ser apenas sobre sentir.
Talvez seja também sobre escolher,
sobre permanecer,
sobre conhecer o território antes de chamá-lo de lar.
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5.
Na luta do meu eu contra mim mesma,
eu perco um pouquinho todo dia.
Perco a fé em mim.
Perco a fé nos meus pais.
Perco a fé no meu trabalho.
Perco a fé de que milagres acontecem.
Fiquei acostumada com a perda.
Vejo um ganho
e já logo enxergo a perda também.
Como se nada pudesse simplesmente ficar.
Como se toda coisa boa já viesse
com a sua despedida marcada.
Eu queria só, de vez em quando,
aquilo que o destino me deixasse ganhar.
E que, dessa vez,
o que eu ganhasse
ficasse para sempre.
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4.
Embriagada pelo irreal
Eu digo às pessoas:
sejam vocês mesmas.
Digam o que sentem,
falem a verdade,
gritem se for preciso.
A vida é uma só —
não nascemos para passar os dias
remoendo tudo aquilo
que tivemos medo de dizer.
Bonito, não é?
Engraçado como sei aconselhar
todos,
menos a mim.
Ninguém sabe
o que realmente se passa aqui dentro.
Ninguém enxerga
as coisas que escondo atrás do sorriso,
as palavras que engulo,
os sentimentos que finjo não sentir.
Eu não sou vista por ninguém.
Bem...
eu me assisto.
Assisto de camarote
à minha própria vida,
como quem vê uma personagem
tentando sobreviver
a uma história que não escolheu.
Meu mundo real é uma droga.
Então eu fujo.
Fujo para onde ninguém pode me alcançar,
onde tudo é mais bonito,
onde eu posso ser quem quiser,
onde a solidão não pesa tanto
e meus pensamentos
não fazem tanto barulho.
Vivo embriagada pelo irreal.
Talvez porque,
quando a realidade fica insuportável,
inventar um mundo
pareça menos doloroso
do que continuar vivendo neste.
E talvez ninguém perceba.
Porque eu continuo dizendo:
“Seja você mesma.”
Enquanto, em silêncio,
eu ainda estou tentando descobrir
quem sou
quando ninguém está olhando.
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3.
Vivo continuamente tentando sobreviver
Abro os meus olhos e penso "como vou sobreviver ao dia de hoje?"
2.
Quando você confia em alguém,
você fala sobre tudo.
Até sobre as mínimas coisas.
Porque, no fundo, acredita que pode ser você mesma,
sem medo de ser julgada, diminuída ou ridicularizada.
Você conta porque confia.
Porque acredita que aquela pessoa jamais vai rir da sua cara.
E então, um dia, ela ri.
Não com você.
Ri de você.
Mesmo que tenha sido por algo pequeno,
mesmo que não fosse realmente sério,
alguma coisa muda dentro do seu coração.
Porque, naquele instante,
você percebe que aquilo que para você era intimidade,
para a outra pessoa talvez fosse apenas motivo de piada.
E o mais triste é que não é só a confiança que muda.
O carinho também muda.
Você continua gostando,
continua se importando,
mas já não olha para aquela pessoa da mesma forma.
Porque depois que alguém faz você se sentir pequena
por ter confiado nela,
fica difícil voltar a se sentir segura
entregando a ela as partes de você
que antes entregava sem pensar.
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Há um certo silêncio que estou tentando desesperadamente não ouvir
Sabe as borboletas elas realmente voltam
Achei que nunca mais fosse sentir isso
Você tinha razão!
- mensagem de um amigo
1.
Dizem que para escrever um bom poema, você precisa voltar para si mesmo, sei que li isso em algum livro. Não acho que esteja errado, é só que eu preciso muito sair de mim agora.