5.
5. parte 2 Eu escolhi deixar alguém entrar. Não significa que estou apaixonada. Não significa que já amo alguém. Significa apenas que, pela primeira vez, eu não estou impedindo que isso possa acontecer. E essa escolha tem me feito sangrar tanto quanto tem me feito sorrir. Porque permitir que alguém atravesse meus portões é entregar a essa pessoa uma chave que eu passei anos guardando. É permitir que ela veja os jardins que cultivei escondida. Os corredores que ninguém percorreu. As salas que mantive trancadas. As cicatrizes nas paredes. E talvez esse se permitir seja exatamente isso: deixar que alguém alcance lugares que eu passei tanto tempo protegendo. Mas agora eu sei que abrir os portões não significa entregar o reino. Ainda existem muralhas. Ainda existem sentinelas. Ainda existe uma espada pendurada ao lado do trono. E, entre as muralhas que ainda existem e o portal que decidi abrir, eu só peço ao Rei que me ensine a discernir. Quem merece atravessar. Quem veio apenas para conhecer. Quem deve permanecer. E quem precisa ir embora. Porque eu não quero fechar o portal por medo. Mas também não quero mantê-lo aberto só porque decidi dar a alguém a chance de ficar. Meu coração não precisa ser uma prisão. Mas também não precisa ser uma terra sem rei
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