4.
4. Embriagada pelo irreal Eu digo às pessoas: sejam vocês mesmas. Digam o que sentem, falem a verdade, gritem se for preciso. A vida é uma só — não nascemos para passar os dias remoendo tudo aquilo que tivemos medo de dizer. Bonito, não é? Engraçado como sei aconselhar todos, menos a mim. Ninguém sabe o que realmente se passa aqui dentro. Ninguém enxerga as coisas que escondo atrás do sorriso, as palavras que engulo, os sentimentos que finjo não sentir. Eu não sou vista por ninguém. Bem... eu me assisto. Assisto de camarote à minha própria vida, como quem vê uma personagem tentando sobreviver a uma história que não escolheu. Meu mundo real é uma droga. Então eu fujo. Fujo para onde ninguém pode me alcançar, onde tudo é mais bonito, onde eu posso ser quem quiser, onde a solidão não pesa tanto e meus pensamentos não fazem tanto barulho. Vivo embriagada pelo irreal. Talvez porque, quando a realidade fica insuportável, inventar um mundo pareça menos doloroso do que continuar vivendo neste. E talvez ninguém perceba. Porque eu continuo dizendo: “Seja você mesma.” Enquanto, em silêncio, eu ainda estou tentando descobrir quem sou quando ninguém está olhando.
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