Ofélia
Ela saiu da cidade, não por arbítrio, mas um vislumbre. Foi para o litoral. Caminhou pelos instantes, por entre os quais se diz "morte à morte!" Há em muitos esta ideia, quase desejo, que envolve o desejo e o ultrapassa, sendo a mentira da verdade. É a verdade da mentira de não morrer porque se preza tanto – não pela vida –, mas seu pretérito. Dá janela ela viu o mar romper com as ondas um trato milenar, o de não chocar-se contra o rochedo nem chorar suas espumosas lágrimas. Transmutado o percurso das ondas, ultrajado o trajeto dos ventos, revogado o escuro do céu, alteram-se também as noites de luar. O sal deixou de arder, nem mais salgando, na perplexidade da noite sem noite. Ela retomou à casa, retomou à cama, procedeu em sono, procedeu em sonho. Respirou todo o ar que havia em Deus e voltou à mansa vida. Com doçura, sem pressas, avistou um jardim. Doce jardim, manso jardim, onde enredou-se às bromélias, na mansitude do verde lago, e aguardou seu fim.
Caio Adrian
me lembrou um pouca da biografia de Maria Lúcia Medeiros. muito lindo e sensível.
L.F
que legal! Vou dar uma pesquisada
Ricardo Ferreira Guedes
sensacional 👏👏👏
N O B R E
O quão intenso é isso...fabuloso Larissa!!