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Julia Lemos

@Julia_Caitano · desde 2020

"Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores" - William Shakespeare - 💐 Insta: @juliallemos7

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Drama

Soneto X

Queria, do universo teu, achar-te Um pouco apenas de querer no peito, Ser um pedaço da tua noite quando me deito, Ter um espaço no céu só para amar-te. Queria, dos receios teus, achar-te Um momento só de desvario, Ser um pedaço do teu desafio No coração que de amor se parte. Queria, dos planos teus O descuido de encontrar os meus Nas sortes que se tem na vida. Queria, dos braços teus O doce e sereno adeus Da solidão vivida.

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Amor

Amar-te

Amar-te é como de Deus um novo invento. É como o vento a levar do fogo a brasa. É como uma casa p'ra fugir do vento, Como a liberdade p'ra servir de casa. Amar-te é como o rio a levar a pedra, Como lareira a dominar o frio. Como chuva a semear a erva E talvez como pedra a levar o rio. É como um pássaro em vôo leve. Como o céu a servir de manto. Como um segredo que querer mais deve Revelar-se e declamar um canto. Amar-te é como o céu a tocar o chão, Como o orvalho a cair ao léu. É como a lua a me caber na mão E como o chão se tornando céu.

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Fantasia

O bosque

É noite no bosque, a recatar o vento, É pálida a lua que um segredo esconde. É triste o riacho a escoar lá dentro. É noite no bosque ao estreitar da rua, É fundo o poço ali recôndito. É triste o segredo que guarda a lua. É noite no bosque, a revelar desejo. Brilhante a moeda no poço jogada, Jogada a esperança de ganhar-te o beijo. É noite no bosque, e outros mais viu a lua: "- É preciosa a terra por ti pisada!" "- É belo o sorriso na face tua!". À noite, no bosque, o segredo: É farto o poço de tristes moedas, De quem lhe deseja, e declarar tem medo. É noite no bosque, o vento fugido da rua. Ruidoso o riacho nas suas quedas, Aos outros tantos pedindo moedas, P'ra lançá-las no poço desejando a lua.

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Amor

Paixões

O teu sorriso é mar para navegar. A tua voz é riso que o próprio encanto Fez na terra ecoar enquanto Deus fê-la iluminar. Os teus olhos têm a leveza do firmamento, E têm cor da terra quando o sol a aquece. Têm gosto de fel quando me esquecem, Ou se me escondem por um momento. O teu cheiro tem ares de lealdade. Tem cores da vida quando se levanta, Tem choros de adeus quando amores planta, E, plantando amores, colhe saudade. O teu canto é hino sofrido e brando Das noites solitárias e tristes Das paixões das quais te cobristes E adormeceste amando.

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Poema

Poeta

Sou o produto de um ser inacabado. O penhor da vida quando o mal descansa O conflito de mim quando a alma mansa Agita-se como encarcerado. Sou de mim um pequeno pedaço Quando outros mais se me libertam. Um pouco do todo quando se despertam Fragmentos dos antigos passos. Sou mais eu quando me desfaço De ser sempre o eu vivido. E assim, sou metal muito bem polido E às vezes ferrugem quando me refaço. Sou inteiro quando a vida é incompleta; Devaneio quando o mundo é são; Sou prova viva da contradição; Sou de tudo, sou poeta.

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Amor

Soneto VIII

Se um pouco apenas souberas Que mérito levas das estrelas Quando tu, na tua alma a contê-las Fê-las brilharem por longas eras... Se um pouco apenas souberas Que se as canções que a natureza canta Não se fizeram-te por beleza tanta É cantando-lhe amores que tu as fizera... Se um pouco apenas souberas Que meus invernos e suas friezas Aqueceram-se em tuas primaveras! Se um pouco apenas souberas Que dos meus olhos fizeram-se presas E dos teus olhos fizeram-se feras!

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Drama

Lembranças

Não quero do tempo a volta Quando se tem a lembrança. Não quero à mente ver se alcança Um pouco menos de lucidez. Não quero de um só abraço a vez Quando só ao delírio cedo, Nas noites sonhando sem medo E acordando feliz. Não digo que queira o que um dia quis: Que algum plano se nos ouvisse, E ainda que coisa tal pedisse, Maior bênção seria se errado desse. Não vou derramar-te uma só prece Se é que desejo por ti eu tenha, E ainda que a mim me venhas, Não cedo-te um beijo apenas. Esse desejo a que me condenas, O mato só a lembrar-te o gosto, Pois não fere-me o doce mosto Memorando-me somente. Não quero o desgosto intermitente De suportar-te comigo, Mas sem mágoas tais consigo Relembrar teu fiel amor. Não quero-te como for, Mas inda lembro-me contigo.

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Pátria

Clamor pelo Brasil

Quando o céu recolhe-se da desgraça E a esperança doTeu povo cansa, Minha prece em fé de Ti descansa, Até que a justiça da Tua mão se faça. Mais quero das nuvens, Senhor, Ver descer Teu juízo e ira, Que viver mais essa dor Com a qual minha nação feriras. Que o silêncio perdoes dos justos, Que as vozes infiéis se calem, E que as forças dos céus abalem Dos pecados os seus custos. Se Lhe aprouver ouvir-me - mesmo mudo-, Como indômito desmerecido, Clamarei, junto ao meu pedido Tua vontade, que bem sabe tudo.

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Drama

Cinzeiro

Um cinzeiro, Uma dor. Uma vívida E longa dívida Sem labor. Um cinzeiro, Uma lembrança, Uma desavença, Uma descrença De uma criança. Um cinzeiro, Uma pena De um passado Inacabado Que se encena. Um cinzeiro, Uma amargura, Um tormento, Um momento De censura. Um cinzeiro. Uma prisão, Um desalento, Um momento De solidão. Julia Lemos

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Amor

Soneto VII

Se com tremor de encanto desse Eu conquistar-te a mil abraços E afagar sutis encalços Que ao te olhar me acontecem! Ou desse, apenas com o pensamento Interpretares mil dilemas Que só de me passar condenas, Quando ao teu querer me atento! Se desse -algum desprezo que me rendes- Descansar eu de então viver No cativeiro a que me prendes! Se desse que tu me fosses liberdade E nos faróis com quais contendes Fosses símbolo de lealdade!

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