Taiza @Iza_Soares
Efêmero

Paradoxo temporal

O tempo é relativo, diz a cartilha O tempo é real ativo, digo a mim mesma O tempo é o que o relógio mostra, disse Merlin O tempo, sei o que é, mas não sei explicar, disse Agostinho que é santo. Quanto a mim Rasguei a cartilha Cuspi em mim mesma Pus fogo na barba de Merlin E empurrei Agostinho no mar Quanto a mim (Que não sou maia) Conto os dias pelo Sol Não relativizo, apenas conto Não realizo ativamente, apenas canto Não amarro aos ponteiros e à caixa,apenas encanto Não sei e não explico, encantadoramente encantada Não sou santo Acontece Que o Sol é magnético Dobratrix da realidade Do espaço Do tempo Acontece Que quando ele está, o tempo urge Quando ausente o tempo arrasta Quando fora, tempo longe Quando perto, tempo dispara Acontece O tempo é ardil do Sol Grilhão do Sol Amarra do Sol Corda do Sol Senhor do Sol Servo do Sol A face oculta Do Sol Acontece O tempo é visgo da Lua Cadeia da Lua Torturador da Lua Maculador da Lua Violador da Lua Andaluz da Lua Face banhada em lágrimas Da Lua O tempo somos nós a devorarmo-nos O tempo somos nós a ansiarmo-nos O tempo somos nós a separarmo-nos O tempo, meu caro Sol, É o que nós mandarmos

Comentários · 2

  1. Franco Benhur

    E o tempo passa, está passando e pra alguns já passou, lindo poema parabéns Taiza

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    1. Taiza

      Muito obrigada Franco 😊😊😊 muito bom ler isso.

  2. Boreto_Toledo... O bardo

    muito legal