Rito de passagem
Entre o céu e o outono Chove sobre março Sábias dançam na chuva O amarelo muda a cor do mês Cabelos ao chão Pessoas que se vão. Tempo de perdas de podas, de quedas O vento ajuda a carregar Aquilo que abraça de menos Aquela mão fria Que não arrepia mais a alma. Tempo de colher os frutos Cultivar o milho Debulhar o feijão Tirar as cobertas da alegria Desencarquilhar a dor. Desnudar- se como as árvores Pisar nas folhas secas Rememorando com saudade Flores, pedras, raízes Águas, choro, paixões Sopra nesse outono Um fulgor violeta de renovação.
(NEGRO ESCARAVELHO)
Muito belo! De verdade!
Ivi
Muito grata, poeta!!