Odeio o jeito que você me olha.
Odeio a forma como me toca.
Odeio quando tenta me manipular com seu falso choro.
Odeio quando sopra em mim a fumaça do seu malboro.
Odeio quando quer fazer as pazes com seu sexo selvagem.
Odeio não ter em mim a coragem
de dizer não, de te enxergar como vilão.
Odeio quando você erra e faz com que eu seja a errada, a culpada.
Odeio quando me agride e depois diz que mereci a porrada.
Odeio quando me humilha e depois diz que me ama.
Odeio quando meu sangue derrama.
Odeio todo seu drama, toda vez que digo que vou embora de Ibotirama.
Odeio não ter forças para sair da sua casa
e da sua cama.
Odeio o fato de não conseguir te esquecer.
Eu odeio amar você.
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Será que consigo viver sem tuas amarras?
Será que devo perdoar as tuas falhas?
Quando achei que estava
no controle da situação
Fui vencido pelo seu poder de persuasão.
Eu, o dominado
A presa, o cervo, o servo
Lançado aos teus pés
Sob as tuas ordens
Fazendo a tua vontade
Totalmente dependente do teu afeto.
Amo a forma como me maltrata
E cuida de todas as minhas feridas
Depois de tê-las aberto.
Por favor, não me abandone, lhe imploro!
Se quiseres, posso ser teu animal de estimação
Diariamente alimentado com migalhas
Do teu amor perverso.
Se um dia decidir me deixer
Sabia que não mais me verá
E a culpa do meu sangue inocente
Estará nas suas mãos doentes.
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Lençóis cheirando a sexo
Calcinha perdida no chão
Cueca encima do colchão
Cenário perfeito de uma traição
Sorrateiramente abro a porta do banheiro
Vejo dois corpos apaixonados
Se amando como dois animais
Perdidos em seus desejos carnais
Entre sonidos e gemidos
Revelo minha maligna aparência
Ouço um grito de espanto com minha presença:
"Fiz isso porque te amo, coração"
"Tudo que faço é pra fortalecer nossa relação."
Com a pulsação acelerada
Respondo com lágrima nos olhos
que a amo mais que minha própria vida
E o que ela achava que me enfurencia
Tão somente me excitaria
Hoje eu não quero descanso!
Volte agora pro seu lugar de amante
E assuma seu brilhante papel
De mulher de um homem fiel.
E você amigo, cumpra seu dever
Encha minha esposa de prazer.
Não precisa fugir pela janela
Tenha coragem, goze dentro dela.
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O mar me enlouquece
Quando me vejo preso em sua imensidão azul
Com o balançar das ondas que vêem do sul
No movimento das algas marinhas
Na magia de ver o encontro das sardinhas.
De olhar o oceano pacífico tão marcante
Observar quão distante é o horizonte
e não exergar nenhuma fonte
de vida, de mudança, de esperança.
Nada a se admirar.
Nada além do mar.
Rendido estou ao sonido de suas conchas
Atado e ancorado em seus corais
Totalmente perdido em seus pontos cardeais.
Tenho medo do que escondes em
tuas profundezas, e o que preparas para mim
Nessa maré de incertezas.
Se por acaso for engolido por seu redemoinho?
Se por destino perder o caminho?
Ficarei atracado num limbo. sozinho.
como passarinho que se perde do ninho.
Deixarei que o tempo conduza meu veleiro
E escolha o lugar certeiro
Onde o mistério da vela e do vento
se encarregue do meu paradeiro.
Que eu encontre a paz, e continue sorrindo
Mesmo encarando o silêncio da solidão
E suportando a tormenta da embarcação.
Mesmo sentindo a violência dos vendavais
E a desgraça dos grandes temporais.
Agora já não me importa onde o barco chegará
E se chegará...
O mar tornou-se minha casa
Meu coração...pirata
E o meu corpo...água.
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Jesus, você não é maldito
Por que vai pra cruz?
Eu não queria morrer, mas pelo meu povo eleito
preciso padecer.
Jesus, você não é ladrão
Por você vai pra cruz?
Eu não queria morrer, mas por meus malfeitores
Preciso perecer.
Jesus, você não é pecador
Por que vai pra cruz?
Eu não queria morrer
Mas desse cálice, até a última gota
meu pai me fez beber.
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Seu corpo pertencia a todos
Exceto a sí mesma
Não parava quieta
Dormia com um e com outro
Não se contentava com pouco
Uma sede insaciável
Um fogo inapagável
Um desejo incontrolável
Queria ser preenchida em todos sentidos.
No fundo desejava ser amada
No raso, ser enforcada
Domada, submissa, subjugada
por alguém que sabia
fazê-la sentir-se fêmea.
Uma onça feroz com os fracos
Uma gata inofensiva com os fortes
Assim era Rita de Cassia
Quem a fazia virar os olhos
Ganhava seu coração
E levava seu corpo de brinde.
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Estava passeando por uma mata atlântica próximo a minha casa.
Quando de repente, mato adentro
Vislumbro uma raposa tão inofensiva
de olhar inocente e penetrante.
Aproximo-me e estendo a mão para fazer-lhe carinho.
Contudo, aquela raposa morde-me.
sinto pulsar a dor.
Aproximo-me pela segunda vez
Ela então rasga minha pele
e come minha carne.
Aproximo-me pela terceira vez
Ela lambe minha ferida
e bebe meu sangue.
Desisto.
Saco a arma da cintura, disparo um tiro mortal contra sua cabeça.
Choro amargamente, mas não me arrependo.
Finalmente entendo que ela é raposa
e eu sou homem.
Não posso mudar a natureza das coisas.
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Eu já morri uma vez
Detestei a experiência
Agora mais do que nunca
eu amo não viver
Não viver acorrentado
nessa prisão sem grades e correntes
que chamo de mente.
Quando fui assaltado
não me levaram nada
Apenas um sorriso
e uma falsa esperança de dias melhores.
Dormi angustiado
Não contei a ninguém sobre meus problemas
Acordei deprimido
então morri novamente
dessa vez não acordei mais.
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Morro de medo de rato.
Mas sabe o que faço quando com ele me deparo?
Eu o mato.
Mesmo tremendo que nem um rato
Sei que isto nunca me deixará
Por isso preciso matar este medo...
Este rato que habita em mim.
O leite que não é leite
O suco que não é suco
O sal que não é sal
O açúcar que não é açúcar
A carne que não é carne
A vida que não é vida.
Assim vou vivendo...
Comendo e bebendo
Do que não é mais alimento
E sigo degradando meu corpo...
Que não é mais corpo.
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