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Israel Nonato

@IsraelNonato · desde 2023

Viver menino, morrer poeta! @IsraelNonatto Instagram

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Drama

O incompreendido amor de Narciso

Odeio o jeito que você me olha. Odeio a forma como me toca. Odeio quando tenta me manipular com seu falso choro. Odeio quando sopra em mim a fumaça do seu malboro. Odeio quando quer fazer as pazes com seu sexo selvagem. Odeio não ter em mim a coragem de dizer não, de te enxergar como vilão. Odeio quando você erra e faz com que eu seja a errada, a culpada. Odeio quando me agride e depois diz que mereci a porrada. Odeio quando me humilha e depois diz que me ama. Odeio quando meu sangue derrama. Odeio todo seu drama, toda vez que digo que vou embora de Ibotirama. Odeio não ter forças para sair da sua casa e da sua cama. Odeio o fato de não conseguir te esquecer. Eu odeio amar você.

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Drama

Dependência

Será que consigo viver sem tuas amarras? Será que devo perdoar as tuas falhas? Quando achei que estava no controle da situação Fui vencido pelo seu poder de persuasão. Eu, o dominado A presa, o cervo, o servo Lançado aos teus pés Sob as tuas ordens Fazendo a tua vontade Totalmente dependente do teu afeto. Amo a forma como me maltrata E cuida de todas as minhas feridas Depois de tê-las aberto. Por favor, não me abandone, lhe imploro! Se quiseres, posso ser teu animal de estimação Diariamente alimentado com migalhas Do teu amor perverso. Se um dia decidir me deixer Sabia que não mais me verá E a culpa do meu sangue inocente Estará nas suas mãos doentes.

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Amor

Diário de um cuckold (parte I)

Lençóis cheirando a sexo Calcinha perdida no chão Cueca encima do colchão Cenário perfeito de uma traição Sorrateiramente abro a porta do banheiro Vejo dois corpos apaixonados Se amando como dois animais Perdidos em seus desejos carnais Entre sonidos e gemidos Revelo minha maligna aparência Ouço um grito de espanto com minha presença: "Fiz isso porque te amo, coração" "Tudo que faço é pra fortalecer nossa relação." Com a pulsação acelerada Respondo com lágrima nos olhos que a amo mais que minha própria vida E o que ela achava que me enfurencia Tão somente me excitaria Hoje eu não quero descanso! Volte agora pro seu lugar de amante E assuma seu brilhante papel De mulher de um homem fiel. E você amigo, cumpra seu dever Encha minha esposa de prazer. Não precisa fugir pela janela Tenha coragem, goze dentro dela.

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Fantasia

Condenado à imensidão do mar azul

O mar me enlouquece Quando me vejo preso em sua imensidão azul Com o balançar das ondas que vêem do sul No movimento das algas marinhas Na magia de ver o encontro das sardinhas. De olhar o oceano pacífico tão marcante Observar quão distante é o horizonte e não exergar nenhuma fonte de vida, de mudança, de esperança. Nada a se admirar. Nada além do mar. Rendido estou ao sonido de suas conchas Atado e ancorado em seus corais Totalmente perdido em seus pontos cardeais. Tenho medo do que escondes em tuas profundezas, e o que preparas para mim Nessa maré de incertezas. Se por acaso for engolido por seu redemoinho? Se por destino perder o caminho? Ficarei atracado num limbo. sozinho. como passarinho que se perde do ninho. Deixarei que o tempo conduza meu veleiro E escolha o lugar certeiro Onde o mistério da vela e do vento se encarregue do meu paradeiro. Que eu encontre a paz, e continue sorrindo Mesmo encarando o silêncio da solidão E suportando a tormenta da embarcação. Mesmo sentindo a violência dos vendavais E a desgraça dos grandes temporais. Agora já não me importa onde o barco chegará E se chegará... O mar tornou-se minha casa Meu coração...pirata E o meu corpo...água.

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Drama

O cálice amargo de Jesus

Jesus, você não é maldito Por que vai pra cruz? Eu não queria morrer, mas pelo meu povo eleito preciso padecer. Jesus, você não é ladrão Por você vai pra cruz? Eu não queria morrer, mas por meus malfeitores Preciso perecer. Jesus, você não é pecador Por que vai pra cruz? Eu não queria morrer Mas desse cálice, até a última gota meu pai me fez beber.

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Amor

Rita de Cássia

Seu corpo pertencia a todos Exceto a sí mesma Não parava quieta Dormia com um e com outro Não se contentava com pouco Uma sede insaciável Um fogo inapagável Um desejo incontrolável Queria ser preenchida em todos sentidos. No fundo desejava ser amada No raso, ser enforcada Domada, submissa, subjugada por alguém que sabia fazê-la sentir-se fêmea. Uma onça feroz com os fracos Uma gata inofensiva com os fortes Assim era Rita de Cassia Quem a fazia virar os olhos Ganhava seu coração E levava seu corpo de brinde.

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Humanidade

O homem e a natureza-raposa

Estava passeando por uma mata atlântica próximo a minha casa. Quando de repente, mato adentro Vislumbro uma raposa tão inofensiva de olhar inocente e penetrante. Aproximo-me e estendo a mão para fazer-lhe carinho. Contudo, aquela raposa morde-me. sinto pulsar a dor. Aproximo-me pela segunda vez Ela então rasga minha pele e come minha carne. Aproximo-me pela terceira vez Ela lambe minha ferida e bebe meu sangue. Desisto. Saco a arma da cintura, disparo um tiro mortal contra sua cabeça. Choro amargamente, mas não me arrependo. Finalmente entendo que ela é raposa e eu sou homem. Não posso mudar a natureza das coisas.

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Auto-estima

DEPRESSIVO-ATIVO

Eu já morri uma vez Detestei a experiência Agora mais do que nunca eu amo não viver Não viver acorrentado nessa prisão sem grades e correntes que chamo de mente. Quando fui assaltado não me levaram nada Apenas um sorriso e uma falsa esperança de dias melhores. Dormi angustiado Não contei a ninguém sobre meus problemas Acordei deprimido então morri novamente dessa vez não acordei mais.

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Vida

Medo de rato

Morro de medo de rato. Mas sabe o que faço quando com ele me deparo? Eu o mato. Mesmo tremendo que nem um rato Sei que isto nunca me deixará Por isso preciso matar este medo... Este rato que habita em mim.

Vida

A ilusão do falso-corpo

O leite que não é leite O suco que não é suco O sal que não é sal O açúcar que não é açúcar A carne que não é carne A vida que não é vida. Assim vou vivendo... Comendo e bebendo Do que não é mais alimento E sigo degradando meu corpo... Que não é mais corpo.

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