Lendo os poemas que aqui
Muitas almas deixam,
Viajo e vejo cenas,
E não sei se bem as descrevo:
Olhos vazios e prédios acinzentados
Numa noite escura e chuvosa,
Campos floridos e sonhos bonitos
Numa paisagem de simples, pomposa.
As dores, as lágrimas sinto-as,
As alegrias hoje não me apetecem,
Mas no passado compreendendo-as,
Sinto inveja do amor que elas tecem.
Minha alma vazia logo se enche,
Por um breve momento...
Por um breve momento.
E é assim, que pelos poemas tento,
Viver na pele de outro,
Feliz ou infeliz,
Consciente momento.
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Estou cego mas vejo,
E transformo-me, ao que parece, sem que eu perceba.
Incapaz de chorar por si,
Absolutamente capaz de chorar por outrem.
Oh! Triste peito,
Perdeste o rumo do teu centro,
Perdeste o vértice que te sustenta.
Há quanto tempo?
Sempre, toda hora.
Fizeste da tua vida uma gangorra.
De amor em amor passou,
De mágoa em mágoa,
E o que aprendeste não amando?
A não amar.
O que aprendeste não acertando?
A errar.
Oh! Esperanças findas que ainda me apoio,
Dizei-me! Será sempre assim?
Será da Verdade o meu eu privado
por si próprio?
Será eu sempre infeliz?
Será eu iludido por um eu melhor?
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Se tudo o que pode ser dito,
Pudesse o que sinto, dizer
E se tudo que existe,
De volta me trouxesse
o que já não existisse...
Ainda sim eu não saberia,
Se realmente feliz me veria
Ou se apenas idealizo
-Bons momentos de riso-
Que nunca mais penso reaver
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Andando pelas ruas do coração,
Relembrando velhos quadros,
Vendo em becos a escuridão,
Vendo em paredes retalhos,
Do que um dia pode ter sido, ou não,,
apenas uma ilusão.
Ando como quem não quer nada,
E este chão de pedras que caminho,
Luzes amarelas pela estrada
E a melancolia a mim guiando,
E a melancolia a mim seguindo.
Vejo nas janelas fantasmas da felicidade,
Umas e outras formas humanas,
Que neste dia marcam saudade.
Quantas mais coisas há
Neste peito que digo estar vazio?
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O homem diante do não tem o coração quebrado. Deseja se afastar porque ainda ama, pois é uma dor querer e não poder, é uma dor amar e ser rejeitado, é também uma dor ser chamado por todos de otário. Mas... e se eu a amasse mesmo que nunca recebesse amor dela? E se eu a amasse mesmo que sendo chamado de todas as coisas pelos meus amigos? A única vontade é esquecê-la, pois o amor acaba quando um esquece do outro.
As palavras humanas não bastam.
Na minha vida fiz votos e promessas, jurei a pessoas e ao próprio Deus. Quis Ele que eu não cumprisse todas; quiseram elas que eu não votasse a Ele. Minha vida não está fechada, minha vida é um mistério aos meus próprios olhos. Ando por um caminho desejando sempre algo novo, e quando vejo, sempre estou desejando o velho: os desejos sempre são iguais, só que sempre de um modo novo.
Se vós vinhesséis personificada ao meu encontro, dar-me-vos-ia em amores e vós também. Se vós vos mexêsséis como Apolo do seu trono, para abraçar-me em calor eu convosco estaria. Eis que o dia passa-me, e não vejo-vos; eis que a noite passa-me, e esconde-vos. Ó tu, cupido, fizeste apaixonar-me por uma ideia. E agora vivo o amor buscando, em Ártemis e em Fortuna esperando. Onde anda, ó vós, personificada minha ideia, de cujo amor espero tanto?
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Essa sensação, é a espera de algo ruim vir. É a espera de um trem num túnel escuro. É a espera de perder algo que damos valor a qualquer momento, e a espera de perder a própria vida. É também a espera de perder quem mais amamos, seja homem ou Deus, seja os Dois. É dor que aperta e que nos estrangula. É doses de morte em plena vida.
A única forma de encarar é aceitar o que der e vier, confiando de que nada poderá nos tirar a verdadeira felicidade: Deus e seu amor.
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