Todo mundo conhece um louco,
aquele cara torto que fala demais,
nada lógico, óbvio: só ilógico,
refém do próprio psicológico.
Mas ninguém conhece de fato esse rapaz: o que ele fazia, quem era sua família, ou o porquê de estar nessa trilha.
Só sabem sobre coisas nada de mais,
afinal quem se importa em saber mais?
E nessa louca vida surge uma perguntinha, que talvez para você pareça boba: quem realmente era essa pessoa?
Todo mundo só fala
que ele é louco,
chamam de doido, perdido no próprio descontrole, alguém vergonhoso.
Mas ninguém se importa com o que há por trás,
só querem deixá-lo pra trás —
afinal... ele é louco…
Um qualquer outro, não merece remorso,
porque alguém decidiu que ser diferente é ser louco.
E mesmo que seja, ele também tem:
Sonhos, medos, um coração que batia,
histórias que nem eu ou você imaginaria.
Acima de tudo, ele é um ser humano
Se for para ter esse desgosto, que seja pela ruindade dos outros
Esses rótulos bobos
pela falta de fé,
pela ajuda que você nega,
Pois loucura mesmo é viver sem empatia.
Continuar lendo
Quando pequeno,
aprendi que a mentira é algo ruim.
Mas se ela é ruim,
então porque sinto tanta saudade dentro de mim?
Ainda lembro de um futuro onde eu seria arqueólogo,
famoso por encontrar dinossauros.
mas era tudo mentira.
Ainda teve um tempo
em que eu achava alienígenas,
aprendia sobre sua tecnologia,
comia de sua comida
e até mesmo os ajudaria.
De espaço eu entedia,
pela Via láctea eu viajaria,
novos planetas descobriria
e muito famoso me tornaria.
Mas de novo, te digo:
era tudo mentira.
Se eu contasse para aquela criança,
ela não acreditaria.
Como poderia?
Se a realidade nunca foi
— e nunca será —
o que ela queria.
Quem imaginária que cresce
seria aprender
a chamar sonhos
de mentira?
A verdade é que eu não queria escavar o passado.
Ele já estava ali,
na mesa,
no jeito que falavam comigo,
nas coisas que ninguém explicava.
Dinossauros eram melhores.
Já estavam mortos.
Não podiam responder.
Não podiam machucar.
A verdade é que eu queria conhecer um alienígena
porque diziam que eu era um.
Riam quando eu falava.
Riam quando eu ficava quieto.
Tudo em mim era estranho.
Pensei que, se fosse de outro planeta,
não precisaria aprender
o jeito certo
de existir.
A verdade é que eu queria ir pro espaço
porque aqui eu sempre sobrava.
Sobrava na conversa.
Sobrava na sala.
Sobrava no dia.
No espaço,
ninguém apontaria.
Ninguém corrigiria.
Se eu flutuasse errado,
não seria erro.
Seria só eu.
No fim,
não eram mentiras.
Eram o único lugar
onde eu cabia.
Continuar lendo
É engraçado como, quando sinto dor, começo a pensar demais. Sério! Parece até que o tempo desacelera e tudo fica mais claro. Mesmo sendo algo do corpo, prefiro acreditar que é castigo — por tudo que fiz, por ser um bom filho da puta. No começo, a dor me dá pânico. Mas depois bate uma calma estranha. Não porque melhora, mas porque eu aceito. Aí vem a tristeza.
Tenho raiva da dor. E medo dela também. Tento evitar o máximo que posso.
Mas quando ela chega, eu penso. Muito. No agora, no que já passou, e no que pode vir depois. “Vir depois” porque, quando a dor aperta de verdade, eu acho que vou morrer. Eu sei, pareço um frouxo. Pode rir.
Nessas horas, lembro das coisas que fiz sem pensar — que machucaram alguém. Do que deixei de fazer também. Me arrependo. E me prometo ser mais cuidadoso. Não repetir os mesmos erros. Meu ego cai no chão, despenca. Também lembro das coisas boas, e essas doem mais ainda. Porque, como eu disse, acho que vou morrer.
O fato de eu estar escrevendo isso agora já mostra: eu tô com dor. Tô com medo de morrer. E quero deixar alguma coisa pra trás.
E eu odeio isso. Porque tenho medo da dor.
Continuar lendo
Sinto como se tudo fosse fictício.
Espero que não seja mais uma daquelas ideias malucas.
De eu lírico.
Não quero que isso seja lírico.
Já não basta essa sensação,
de ser sozinho,
neste grande livro?
Por que isso só acontece comigo?
Logo eu,
que não passo de um figurante,
ilustrativo,
num enredo sem título,
sem autor definido,
rabiscado às pressas,
por mãos invisíveis.
Preso em páginas
que ninguém folheia.
Escrito a lápis.
Apagado.
Sem ser lido.
Se sou só um desenho,
em fundo branco,
onde estão as cores que me prometeram?
E se sou fictício,
me diga—
quem é que sonha comigo?
Continuar lendo
Se viver está tão difícil, então viva comigo. Deixe que eu te esquente desse frio, deixe que eu carregue, sozinho, suas bagagens de tristezas, dores e traumas.
Se ainda assim não for o suficiente, serei tua espinha dorsal, teus pulmões e teu coração. Mas não paro por aí. Serei o sangue que corre nas suas veias, o sopro que enche o teu peito, o arrepio na pele quando o vento te toca.
Se o peso for grande, serei o chão sob teus pés, o céu que te cobre, a sombra que te abriga.
Serei o tempo que não pressiona, o silêncio que acolhe, o abraço que não solta.
Se tua voz falhar, falarei por ti. Se teus olhos se fecharem, te guiarei na escuridão.
Porque se viver está difícil, então que seja comigo. E nunca mais sozinho.
Continuar lendo
Quando a vejo,
o calor não vem só do sol,
mas do arrepio que me atravessa,
como se o verão decidisse morar em mim.
Quando a vejo,
as batidas não vêm só do pandeiro,
mas do meu coração, que samba na sua chegada.
Quando a vejo,
não esfrego uma lâmpada mágica,
mas carrego desejos incontáveis,
cada um mais vivo que o outro.
Quando a vejo,
não embarco em um avião,
mas sou levado para outra dimensão.
Quando a vejo,
o mundo deixa de ser um lugar qualquer,
e se torna o cenário de um filme
que eu nunca quero pausar.
Quando a vejo,
as palavras que tento dizer
tropeçam na poesia que você semeia em mim,
germinando versos no silêncio.
Quando a vejo,
não é só meu corpo que se aquece,
é minha alma que encontra abrigo
no sorriso das suas covinhas,
no olhar que me desmonta e me refaz.
Continuar lendo
Depois de tanto vagar, sem rumo, sem chão...
Me vejo preso em um destino tão cruel, repleto de dor e angústia. Talvez tudo isso não passe de uma provação... um teste para avaliar minha fé... mas eu simplesmente não aguento mais.
Não demorou muito para que eu começasse a pensar comigo... que tudo isso não passava de uma falsa ideia, de uma ideologia que criei para tapar esse vazio em que me encontrava. Passei dias... e mais dias... aguentando essa dor sem fim, na esperança de que um dia eu acordasse e tudo isso não passasse de um sonho... ou que um dia alguém lá de cima iria me salvar.
Mas nada aconteceu... nem mesmo depois de tanto rezar, de tanto chorar e implorar para que tudo isso acabasse. Agora, mergulhado em sangue, com fome e sede... me encontro sem mais um pingo de força... nem mesmo para falar... e percebo o quão tolo fui em acreditar que o amanhã seria diferente, que uma entidade ou herói me salvaria desse sofrimento infernal.
Continuar lendo
A vida é como um conto de fadas, não acha? Ou sou só eu, o tolo sonhador rindo dessa piada sem graça? Vejo porquinhos morrendo de fome em suas próprias casas, por causa de lobos maus. Pobres porquinhos!
Encarcerados em casas de tijolos, saciados pela falsa sensação de proteção, achando que o lenhador um dia os protegerá.
Mas os monstros são reais e cada dia mais literais. Esses lobos não vestem pele, são ternos embrumados , tem um sorriso ensaiado e falam bem para um caralho, mas só semeiam a mísera.
E onde está o lenhador ? Você se pergunta, deve estar dando uma de herói no espelho mágico, ou talvez se perdeu em suas promessas ocas e vazias. O que fazer quando um herói perde sua essência, sua bravura e seus propósitos?
Nesse conto moderno, os heróis são como fantasmas; suas promessas vazias nos embriagam. Cada dia mais a esperança se tornam um fardo, pesada como os tijolos que cerca os porquinhos. Afinal, o que são fábulas se não uma ilusão que repetimos, na esperança que isso tudo um dia vai acabar, que finalmente um final feliz vai chegar ?
Continuar lendo
Todo santo dia eles me chamam de louco,
Louco? Logo eu?
Se eu sou louco, o que vocês são?
Vejo a sanidade em seus olhos opacos,
Enquanto a mente se perde em padrões cegos.
É o caos que clama por ordem,
A verdade que se esconde na ilusão.
Se ser louco é ver além das sombras,
Então prefiro minha visão turva,
Do que viver na confortável mentira.
Continuar lendo
Vou te contar a história
De um ser misterioso que ama histórias,
Um verdadeiro colecionador de memórias,
Que vaga por esse mundão a fora,
Em busca de tesouros escondidos
E segredos preservados,
Nas páginas antigas e nos lugares sagrados.
Ele é o guardião das narrativas perdidas,
Navegando entre lendas, sem fronteiras definidas.
Continuar lendo