Gil @Glzin

A dor que pensa por mim

É engraçado como, quando sinto dor, começo a pensar demais. Sério! Parece até que o tempo desacelera e tudo fica mais claro. Mesmo sendo algo do corpo, prefiro acreditar que é castigo — por tudo que fiz, por ser um bom filho da puta. No começo, a dor me dá pânico. Mas depois bate uma calma estranha. Não porque melhora, mas porque eu aceito. Aí vem a tristeza. Tenho raiva da dor. E medo dela também. Tento evitar o máximo que posso. Mas quando ela chega, eu penso. Muito. No agora, no que já passou, e no que pode vir depois. “Vir depois” porque, quando a dor aperta de verdade, eu acho que vou morrer. Eu sei, pareço um frouxo. Pode rir. Nessas horas, lembro das coisas que fiz sem pensar — que machucaram alguém. Do que deixei de fazer também. Me arrependo. E me prometo ser mais cuidadoso. Não repetir os mesmos erros. Meu ego cai no chão, despenca. Também lembro das coisas boas, e essas doem mais ainda. Porque, como eu disse, acho que vou morrer. O fato de eu estar escrevendo isso agora já mostra: eu tô com dor. Tô com medo de morrer. E quero deixar alguma coisa pra trás. E eu odeio isso. Porque tenho medo da dor.

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