mentira
Quando pequeno, aprendi que a mentira é algo ruim. Mas se ela é ruim, então porque sinto tanta saudade dentro de mim? Ainda lembro de um futuro onde eu seria arqueólogo, famoso por encontrar dinossauros. mas era tudo mentira. Ainda teve um tempo em que eu achava alienígenas, aprendia sobre sua tecnologia, comia de sua comida e até mesmo os ajudaria. De espaço eu entedia, pela Via láctea eu viajaria, novos planetas descobriria e muito famoso me tornaria. Mas de novo, te digo: era tudo mentira. Se eu contasse para aquela criança, ela não acreditaria. Como poderia? Se a realidade nunca foi — e nunca será — o que ela queria. Quem imaginária que cresce seria aprender a chamar sonhos de mentira? A verdade é que eu não queria escavar o passado. Ele já estava ali, na mesa, no jeito que falavam comigo, nas coisas que ninguém explicava. Dinossauros eram melhores. Já estavam mortos. Não podiam responder. Não podiam machucar. A verdade é que eu queria conhecer um alienígena porque diziam que eu era um. Riam quando eu falava. Riam quando eu ficava quieto. Tudo em mim era estranho. Pensei que, se fosse de outro planeta, não precisaria aprender o jeito certo de existir. A verdade é que eu queria ir pro espaço porque aqui eu sempre sobrava. Sobrava na conversa. Sobrava na sala. Sobrava no dia. No espaço, ninguém apontaria. Ninguém corrigiria. Se eu flutuasse errado, não seria erro. Seria só eu. No fim, não eram mentiras. Eram o único lugar onde eu cabia.
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