João Amado @Famado
Vida

Jardim

"Em meio ao caos que devora, Um jardim disforme persiste, Cores desbotadas, sem vida, Como a alma que aos poucos desiste. O céu, pesado e sombrio, Reflete o peso que carrego, Mas mesmo nas nuvens sem brilho, Há uma tristeza que enxergo. Ervas daninhas se espalham, Sem rumo, sem direção, E quem disse que o imperfeito Não é espelho da solidão? Cada folha que se curva, Cada flor que teme abrir, É um reflexo do meu ser, Do medo que não cessa de existir. Não há pressa em sarar as feridas, Não há esperança de ser completo, Pois nas falhas que a vida me dá, Há um abismo secreto. De vagar, semeio minha floresta, Cada planta cresce em silêncio, No caos que insiste e se impõe, Vejo a dor que se esconde no vento. Aceito o todo, o vazio, O jardim que é refúgio e tormento, E, mesmo que a dor ainda pese, Minha alma segue, sem alento, Viver, só por viver, Apenas respirar, Plantar cada semente, Até se apagar. Mas há um fio, quase invisível, De luz que se entrelaça ao escuro, Uma esperança tênue, mas possível, Que o caos seja só parte do futuro."

Comentários · 1

  1. RosaNegra

    Em breve voltará a florir neste jardim