Hoje não consegui me deitar.
Meus olhos fechavam,
mas o sono —
nada de me visitar.
Num quarto amplo,
converso comigo.
Conversa real,
necessária, brutal.
Jogo fatos na própria cara,
sem máscara.
Nem sei o que escrevo,
neste poema umbral.
A mente não cala,
coro gutural.
A angústia no peito é real.
Real.
Visceral.
E me pergunto:
por que ser assim?
Se não há motivos,
por que invade minha paz?
A noite é solitária.
E minha única companhia
é a luz da lua,
que se deita comigo
pela sacada.
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Me disseram que eu devia,
que a vida era um favor,
que por ter nascido deles
eu devia amor e ardor.
Mas ninguém me perguntou
se eu queria esse caminho,
só me deram expectativas
e me deixaram sozinho.
Não, eu não devo obediência
a quem não sabe respeitar,
não engulo humilhação
só pra “filho exemplar” me chamar.
Você me gerou, é verdade,
mas por escolha, por prazer.
E agora cobra a fatura
que nunca me coube ter.
Não sou caixa eletrônico,
não sou boneco de ventríloquo.
Sou carne, mente e alma
e eu também tenho um ciclo.
Quero paz, quero limite,
quero amor sem condição,
não essa troca barata
que machuca o coração.
Me chama só pra pedir,
teu carinho é interesse,
mas quando eu mais precisei
você virou desaparece.
Cansei de calar meus gritos
pra manter teu ego inteiro.
Hoje eu falo, sem receio,
meu silêncio foi meu cativeiro.
Não te odeio, não desejo dor,
só escolhi me afastar.
Porque pra me ter por perto
tem que aprender a me amar.
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Se eu fosse um dia
Seria daqueles, nublados,
Perto de chover, nada ensolarado.
Nublado, nublado, meus pensamentos encaro,
Como espelhos embaçados num quarto fechado,
Cada ideia, um trovão contido,
Cada lembrança, um vento esquecido.
Seria um dia que veste cinza por dentro,
Que anda devagar, sem pressa do tempo,
Sem querer brilhar, só existir,
Só permitir que as nuvens possam sentir.
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Se ficar, é o eco do abraço
Que se molda ao corpo, sem espaço,
É o passo ao lado, sempre presente,
É o silêncio que não é ausente.
Se acabar, é uma história de amor,
Feita de folhas viradas e dor,
De promessas ao vento, desfeitas,
Mas que o coração, em segredo, respeita.
Se nunca começar, é poesia,
Um verso não dito, que ao longe brilha,
É a rima guardada em olhar distraído,
Que vive para sempre, mas nunca vivido.
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Não diga para sempre,
O sempre sempre finda,
É promessa que se apaga
Quando a chama não se aviva.
Hoje, amor, somos tudo,
Mas o amanhã é incerto,
O eterno pode ser doce,
Mas também um campo deserto.
Não diga para sempre,
Deixe que o agora floresça,
Que seja eterno enquanto durar,
Até que o tempo o esqueça.
O amor não se esvai ao vento,
Mas se transforma com a dor,
E o que ontem foi promessa,
Hoje é apenas um rumor.
Então, não diga para sempre,
Apenas segure minha mão,
Que o amor viva em cada instante,
Até o fim da canção.
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Minha doce e eterna tristeza,
Estás comigo em cada passo,
Às vezes branda como uma brisa leve,
Sussurrando segredos de tempos perdidos,
Outras, violenta como uma tempestade,
Rasgando meu peito com tua presença.
És companheira constante,
Em noites de silêncio e em dias de caos,
Caminhas ao meu lado, invisível ao mundo,
Mas tão real quanto o pulsar do meu coração.
Há momentos em que mal te percebo,
Tua presença suave, quase ausente,
Mas, em outros, invades como uma onda furiosa,
Afogando-me em lembranças que preferia esquecer.
Ainda assim, não te afasto,
Pois, em teu abraço, encontro um eco de mim mesmo,
Na tua sombra, faço meus versos,
E, na tua dor, encontro uma beleza
Que só os quebrados conseguem ver.
Minha tristeza, és minha amiga silenciosa,
A que vem e vai, mas nunca me deixa,
E, mesmo quando me dilaceras,
Eu te aceito, pois sei que,
Sem ti, eu não seria o poeta que sou.
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Vou aparecer na sua vida,
como um relâmpago na escuridão,
prometendo tratar-te como uma rainha,
mas sem raízes para firmar.
Em poucos dias, serei sombra,
uma presença que passa,
um sopro de ternura
que se desfaz com o amanhecer.
Você me verá como um breve suspiro,
um momento de beleza efêmera,
que deixa marcas de saudade
em uma noite silenciosa.
Quando partir,
serei apenas um eco
nas paredes da memória,
um fantasma sutil
em meio à rotina.
E talvez, ao lembrar,
te pergunte se realmente estive ali,
ou se fui apenas um sonho
que passou, fugaz e distante,
deixando-te com a melancolia
do que poderia ter sido.
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Carrego lágrimas em meus versos,
Mas também o brilho do sol nas entrelinhas.
Sou poeta das dores silenciosas,
Mas não deixo que a sombra me defina.
Há dias em que o pranto é mais forte,
E cada lágrima cai como chuva fina,
Mas depois do temporal de tristeza,
Vem o sorriso, a cura que ilumina.
Entre o pesar e a leveza, eu caminho,
Transformando o vazio em reflexão.
E, mesmo quando o choro é profundo,
Há sempre espaço para a redenção.
Porque onde há lágrima, há sorriso guardado,
Como o arco-íris que nasce do céu choroso,
E se escrevo as dores que me habitam,
Também canto a esperança, silenciosa e luminosa.
Sou o poeta das lágrimas, sim,
Mas também de sorrisos que brilham no fim.
Pois nas linhas que choro, encontro força,
E no pranto, a promessa de um novo jardim.
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"Em meio ao caos que devora,
Um jardim disforme persiste,
Cores desbotadas, sem vida,
Como a alma que aos poucos desiste.
O céu, pesado e sombrio,
Reflete o peso que carrego,
Mas mesmo nas nuvens sem brilho,
Há uma tristeza que enxergo.
Ervas daninhas se espalham,
Sem rumo, sem direção,
E quem disse que o imperfeito
Não é espelho da solidão?
Cada folha que se curva,
Cada flor que teme abrir,
É um reflexo do meu ser,
Do medo que não cessa de existir.
Não há pressa em sarar as feridas,
Não há esperança de ser completo,
Pois nas falhas que a vida me dá,
Há um abismo secreto.
De vagar, semeio minha floresta,
Cada planta cresce em silêncio,
No caos que insiste e se impõe,
Vejo a dor que se esconde no vento.
Aceito o todo, o vazio,
O jardim que é refúgio e tormento,
E, mesmo que a dor ainda pese,
Minha alma segue, sem alento,
Viver, só por viver,
Apenas respirar,
Plantar cada semente,
Até se apagar.
Mas há um fio, quase invisível,
De luz que se entrelaça ao escuro,
Uma esperança tênue, mas possível,
Que o caos seja só parte do futuro."
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Fala da alma que me maltrata,
Escancara, flagela e atormenta.
Senhor raivoso e cruel,
Por que me fazes apaixonar por algo que causa dor?Uma rosa que jamais poderei tocar,
Seus espinhos em minha carne fazem sangrar.
Distante, sou capaz de admirar,
Mas não desejo vê-la de perto, para não me ferir.
Tento te esquecer, em vão,
O flagelo que maltrata meu coração,
Aperta-o para extrair o vil amor que sinto.
Não é ódio, mágoa, tristeza nem tara,
É o amor mais profundo que já senti.
Afogo-me em meu próprio ser, desejando que tudo seja um sonho,
Sonho acordado, seguindo o fluxo sem ti ao meu lado.
Me distraio com o horizonte adiante,
Cada passo um respiro,
Na esperança de te encontrar,
Mesmo sabendo que não voltarás.
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