Caríssima Dulcinéa,
Diga-me que não são moínhos estes gigantes,
Que ainda não está morta a Cavalaria Andante
E que os nigromantes de gravata
Não mais irão me encantar.
Diga-me que ao final dessas batalhas,
Confortar-me-ei na paz de teus afagos,
Que teu beijos ser-me-ão o bálsamo sagrado
E que ainda vale a pena sonhar.
Oh, singular princesa, não me tenha como insano
Se, nessas batalhas cicatrizes ganho,
Sinto-me feliz,
Pois cada uma delas aproxima-me do que tenho como glória.
De nada me valem riquezas, castelos e tesouros,
Agora que os encantos da Lua Cheia
Direcionam -se unicamente aos meus sonhos
E fazem-me perceber que uma vida plena
É o verdadeiro significado de Vitória.
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Assume forma, erro sedutor,
Tentação maldita, contínua penitência
São noites longas, tempos de decadência
Anestesia sórdida, corpo sem condutor.
Olhos, que de tão cansados de lutar,
Tentam me pregar peças, buscando
O alívio do que venho encontrando
sob diversos nomes, maldade similar
Tua carne suada, volúpia alcoolizada
Aquece esse resto de vida bastarda
Quando amanhece e ao silêncio se acorrenta
Abandone-me aqui, esqueça-me ao relento
A incerteza, irmão, é o meu único sustento
A alma vadia é a lua que me orienta.
Por: Nenê Altro ❤️
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Hoje, Solidão, meu olhar se perdeu no vazio
Sentimento voraz, sufoca-me o peito e
Crava as tuas presas em quem se fez teu por direito,
Como a bolha de sabão que busca leito no espinho.
Tuas muralhas, Solidão, entre as quais busco conforto
Privam-me de ver além de minhas fraquezas.
Refúgio covarde, erigido a incertezas
Condena-me às chamas, eterno repouso.
E agora, Solidão, o inexorável tempo
Devora o corpo surrado
Deste, que viu trincheiras em teus braços
E procurou paz nos afagos do esquecimento.
(Poema escrito em meados de 2006)
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Tantas vezes pensei andar em plumas,
Tropeçando sobre brasas e lanças
E ouvi a Tua voz a me dizer
Que um dia ira ter a paz, que, sei,
Nunca guardaste pra mim.
Ouvi os Teus profetas a me dizer
Que não há fim em Tua bondade,
Caminhando entre a peste que corrói Teus filhos,
E o olhar faminto e sem vida
Dos que beijam os Teus pés.
Não posso mais Te tocar,
Porque deixei de crer em Teus brados heróicos.
Adeus,
Agora sei que nas mais altas montanhas,
O vento é bem mais forte
E Tua sombra não mais queima
Quem ousa Te olhar nos olhos
E vê que os Teus castelos são de areia.
E que não há nada, além de tinta e sangue,
Em Tuas escrituras.
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Entre dois arranha-céus
Amarrei uma linha fina.
O vento corta o meu cabelo
E faz-me, hoje, trapezista.
Entre estrelas que observam
E os carros que transitam,
Escolho aqueles que mais brilham.
(Nenê Altro)
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Eis-me cansado,
Segurando a ferramenta
Que, se me sustenta por um lado,
Por outro me cobra em vida.
O fazer com a mão,
Que se tornou sina,
Determina a maldição
De verter trabalho em coisas.
Não se interrompe o criar e produzir
É sentir que se corrompe
Ao simplesmente descansar.
(Por Nicolau Rodrigues,
meu grande mestre ❤️)
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