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Fábio de Paula Silva

@Fabio_Caronte · desde 2026

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Poema

A loucura da razão

Caríssima Dulcinéa, Diga-me que não são moínhos estes gigantes, Que ainda não está morta a Cavalaria Andante E que os nigromantes de gravata Não mais irão me encantar. Diga-me que ao final dessas batalhas, Confortar-me-ei na paz de teus afagos, Que teu beijos ser-me-ão o bálsamo sagrado E que ainda vale a pena sonhar. Oh, singular princesa, não me tenha como insano Se, nessas batalhas cicatrizes ganho, Sinto-me feliz, Pois cada uma delas aproxima-me do que tenho como glória. De nada me valem riquezas, castelos e tesouros, Agora que os encantos da Lua Cheia Direcionam -se unicamente aos meus sonhos E fazem-me perceber que uma vida plena É o verdadeiro significado de Vitória.

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Poesia

Alice Narcoléptica

Assume forma, erro sedutor, Tentação maldita, contínua penitência São noites longas, tempos de decadência Anestesia sórdida, corpo sem condutor. Olhos, que de tão cansados de lutar, Tentam me pregar peças, buscando O alívio do que venho encontrando sob diversos nomes, maldade similar Tua carne suada, volúpia alcoolizada Aquece esse resto de vida bastarda Quando amanhece e ao silêncio se acorrenta Abandone-me aqui, esqueça-me ao relento A incerteza, irmão, é o meu único sustento A alma vadia é a lua que me orienta. Por: Nenê Altro ❤️

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Poesia

Monólogo

Hoje, Solidão, meu olhar se perdeu no vazio Sentimento voraz, sufoca-me o peito e Crava as tuas presas em quem se fez teu por direito, Como a bolha de sabão que busca leito no espinho. Tuas muralhas, Solidão, entre as quais busco conforto Privam-me de ver além de minhas fraquezas. Refúgio covarde, erigido a incertezas Condena-me às chamas, eterno repouso. E agora, Solidão, o inexorável tempo Devora o corpo surrado Deste, que viu trincheiras em teus braços E procurou paz nos afagos do esquecimento. (Poema escrito em meados de 2006)

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Poesia

Vinde a Mim

Tantas vezes pensei andar em plumas, Tropeçando sobre brasas e lanças E ouvi a Tua voz a me dizer Que um dia ira ter a paz, que, sei, Nunca guardaste pra mim. Ouvi os Teus profetas a me dizer Que não há fim em Tua bondade, Caminhando entre a peste que corrói Teus filhos, E o olhar faminto e sem vida Dos que beijam os Teus pés. Não posso mais Te tocar, Porque deixei de crer em Teus brados heróicos. Adeus, Agora sei que nas mais altas montanhas, O vento é bem mais forte E Tua sombra não mais queima Quem ousa Te olhar nos olhos E vê que os Teus castelos são de areia. E que não há nada, além de tinta e sangue, Em Tuas escrituras.

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Poesia

Os funerais do coelho branco

Entre dois arranha-céus Amarrei uma linha fina. O vento corta o meu cabelo E faz-me, hoje, trapezista. Entre estrelas que observam E os carros que transitam, Escolho aqueles que mais brilham. (Nenê Altro)

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Poesia

Eis-me cansado.

Eis-me cansado, Segurando a ferramenta Que, se me sustenta por um lado, Por outro me cobra em vida. O fazer com a mão, Que se tornou sina, Determina a maldição De verter trabalho em coisas. Não se interrompe o criar e produzir É sentir que se corrompe Ao simplesmente descansar. (Por Nicolau Rodrigues, meu grande mestre ❤️)

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