Eu olho para baixo
Procurando uma resposta
O silêncio que acalma minha alma
Escrever e verter
Tudo que eu faço é escrever
Sensações, perdendo razões
Meu canto não se calará
Mesmo que seja um canto mudo
Os prédios tão cinzas
As flores tão coloridas
Rompidas amizades
E as faces não param de olhar
Fitando meus olhos castanhos
Ora chorosos
Ora orgulhosos
Latejos do meu passado
Junto aos meus arteiros olhos escuros
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Já havia muito tempo decidido
Com um puído, porém singelo delírio
Abandonar aquele marasmo
Das ervas benfazejas
Do cantarolar desafinado dos galos
E os sorrisos desdentados daquela velha gente
Mas a pergunta agora é : Pra quê?
José, acenda a luizinha!
Para esta paciência minha!
Clarinha, olha o carro!
Talita, escreveu a carta?
Que o tempo é curto e a demissão, muita
Os pneus não param
A bolsa, celular, tudo roubado
Mais um funcionário possesso
Esgoto, lodo e dragões de komodo
É o tijolo quebrado, o olho revirado?
E gritemos um exasperado viva!
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Quando ouço tua voz
Que sem esforço emula
Essa tão marcante e peralta meninice
Perco os sentidos da minha alma e corpo
Mas simultaneamente
Você tira a neblina fincada em meus olhos
Olhos meus que não veem
Não veem mais o brilho das estrelas como antes
O brilho que ilumina as lágrimas sobre meu rosto
O rosto dos apaixonados e miseráveis destinos
E os que tentam achar a si mesmos
Em um labirinto que parece não ter fim
Enquanto isso, a sensação vai aumentando
A sensação de um desejo não consumado
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Oxalá, lá se vai o maracá
Oxalá, se remexe o moleque
Oxalá, veste o abadá
Lá em Maracanã, a festa terçã
Dorme a Iracema sob a açucena
Seu frágil coração a balançar
Um iêiê na matinê
Sonho feito de papel
Amarrado ao léu
Mostre algo bom de se ver
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Este é um poema sobre uma flor
A flor que resiste ao deserto
Do assédio, do estereótipo
Tantas flores resistem bravamente
Vendo a puída vontade de viver
Entre as mãos e beijos reprimidos
Afinal, a flor é um reflexo
Do preço absurdo do adubo
A pétala pisoteada e maltratada
Arrancada à força da terra
Sem cheiro, sua beleza perdida
E ainda ressurge mais forte
Na chuva que alaga a superfície
No corte que destrói as raízes
Já corrompidas pelo tempo
Estas são as flores de um jardim
Tão simples e vulnerável quanto
Queimado, desprezado e esperançoso
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Vamos, toque - me
Você sabe que não vou mais resistir
Seus olhos são como champanhe
Um misto de sensualidade e soberba
Vamos lá, toque - me
O jeito que você me olha
Quero ver seu corpo
Quero ver seu rosto
Quentes, ardentes
Toque - me ( meus sentidos já me deixaram na mão)
Seus dedos são correntes elétricas
Deixam meu corpo em êxtase
Sim, desejo teus lábios doces
O sabor doce no fim
Apenas me toque, sem rodeios, sem pudor
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Esses dias não senti nada
Nada além de um ardor
Que consumiu - me forma rápida
Nada deixando
Além de mais um dia incolor
E com esse ardor, vem as lágrimas
Lágrimas que confortam
Mas Assombram minha mente
Uma coisa tão doente
Tento recolher meus estilhaços
Que como cacos de espelho, refletem
A Lua tão bela
E sua face branca, inexpressiva
Transformando-se em um rosto triste
Não! Mais ainda!
Mais do que a fina linha
Que separa a riqueza e a pobreza
Os raios do Sol e a pálida luz da lua
O honesto do desonesto
Contemplo as nuvens
E ali está o que tira a minha sanidade
Minha mentalidade afundada
Em um belo céu azul e límpido
Um dia a mais, tão solitário e sem sentido
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Jogado em Santo Amaro
Nas mãos laboriosas despejado
A lágrima que enche o coração
Tanto peixe pra pescar
O Santo a se louvar
Afogou - se o mundo
A maré ora rude, ora ruge
Traz o sujo óleo
Escurecendo a alma
Os corpos sem brilho
Sob um escopo sombrio
Mais um tiro ao coração
O infesto do odor acre
De uma rachada lápide
Os martelos a bater e bater
A rendeira a costurar
A parteira a agarrar
O padre a orar
Por alguma salvação
Sisuda razão de viver
Nesta gente aflita
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