Ryan Cássio

@EstrelaNegra · desde 2019

8 poemas 6 seguidores 4 seguindo

Seguir

Medo dos rostos

Eu olho para baixo Procurando uma resposta O silêncio que acalma minha alma Escrever e verter Tudo que eu faço é escrever Sensações, perdendo razões Meu canto não se calará Mesmo que seja um canto mudo Os prédios tão cinzas As flores tão coloridas Rompidas amizades E as faces não param de olhar Fitando meus olhos castanhos Ora chorosos Ora orgulhosos Latejos do meu passado Junto aos meus arteiros olhos escuros

Continuar lendo

Decidido

Já havia muito tempo decidido Com um puído, porém singelo delírio Abandonar aquele marasmo Das ervas benfazejas Do cantarolar desafinado dos galos E os sorrisos desdentados daquela velha gente Mas a pergunta agora é : Pra quê? José, acenda a luizinha! Para esta paciência minha! Clarinha, olha o carro! Talita, escreveu a carta? Que o tempo é curto e a demissão, muita Os pneus não param A bolsa, celular, tudo roubado Mais um funcionário possesso Esgoto, lodo e dragões de komodo É o tijolo quebrado, o olho revirado? E gritemos um exasperado viva!

Continuar lendo

Não Consumado

Quando ouço tua voz Que sem esforço emula Essa tão marcante e peralta meninice Perco os sentidos da minha alma e corpo Mas simultaneamente Você tira a neblina fincada em meus olhos Olhos meus que não veem Não veem mais o brilho das estrelas como antes O brilho que ilumina as lágrimas sobre meu rosto O rosto dos apaixonados e miseráveis destinos E os que tentam achar a si mesmos Em um labirinto que parece não ter fim Enquanto isso, a sensação vai aumentando A sensação de um desejo não consumado

Continuar lendo

Coroa Quebrada

Oxalá, lá se vai o maracá Oxalá, se remexe o moleque Oxalá, veste o abadá Lá em Maracanã, a festa terçã Dorme a Iracema sob a açucena Seu frágil coração a balançar Um iêiê na matinê Sonho feito de papel Amarrado ao léu Mostre algo bom de se ver

Continuar lendo

As Flores do dia

Este é um poema sobre uma flor A flor que resiste ao deserto Do assédio, do estereótipo Tantas flores resistem bravamente Vendo a puída vontade de viver Entre as mãos e beijos reprimidos Afinal, a flor é um reflexo Do preço absurdo do adubo A pétala pisoteada e maltratada Arrancada à força da terra Sem cheiro, sua beleza perdida E ainda ressurge mais forte Na chuva que alaga a superfície No corte que destrói as raízes Já corrompidas pelo tempo Estas são as flores de um jardim Tão simples e vulnerável quanto Queimado, desprezado e esperançoso

Continuar lendo

Toque - me

Vamos, toque - me Você sabe que não vou mais resistir Seus olhos são como champanhe Um misto de sensualidade e soberba Vamos lá, toque - me O jeito que você me olha Quero ver seu corpo Quero ver seu rosto Quentes, ardentes Toque - me ( meus sentidos já me deixaram na mão) Seus dedos são correntes elétricas Deixam meu corpo em êxtase Sim, desejo teus lábios doces O sabor doce no fim Apenas me toque, sem rodeios, sem pudor

Continuar lendo

Fogo Frio

Esses dias não senti nada Nada além de um ardor Que consumiu - me forma rápida Nada deixando Além de mais um dia incolor E com esse ardor, vem as lágrimas Lágrimas que confortam Mas Assombram minha mente Uma coisa tão doente Tento recolher meus estilhaços Que como cacos de espelho, refletem A Lua tão bela E sua face branca, inexpressiva Transformando-se em um rosto triste Não! Mais ainda! Mais do que a fina linha Que separa a riqueza e a pobreza Os raios do Sol e a pálida luz da lua O honesto do desonesto Contemplo as nuvens E ali está o que tira a minha sanidade Minha mentalidade afundada Em um belo céu azul e límpido Um dia a mais, tão solitário e sem sentido

Continuar lendo

Óleo Derramado

Jogado em Santo Amaro Nas mãos laboriosas despejado A lágrima que enche o coração Tanto peixe pra pescar O Santo a se louvar Afogou - se o mundo A maré ora rude, ora ruge Traz o sujo óleo Escurecendo a alma Os corpos sem brilho Sob um escopo sombrio Mais um tiro ao coração O infesto do odor acre De uma rachada lápide Os martelos a bater e bater A rendeira a costurar A parteira a agarrar O padre a orar Por alguma salvação Sisuda razão de viver Nesta gente aflita

Continuar lendo