No crepúsculo
O véu se rasgou,
ruíra a superfície do Teu sagrado
e intoxicara-te do meu profano,
não era mais terreno aquele lugar;
no paraíso, celebravam meus demônios em júbilo por possuir-te,
pois és alguém como o Pai,
és o arcanjo que me visitara
és milagre manifestado,
és alguém como pai.
Mas tu, oh Grande Príncipe,
alguém como o Pai,
mantera a minha proteção,
retiveste meu corpo mundano
no refúgio de Tua espada.
Tu me tiveste protegido,
mas eras tu que estavas domado
nas correias do meu anelo.
Era de gozo profundo
tê-lo em minhas mãos, em mim;
consumindo Teu resplendor
dando-te aos vermes da minha carne,
saciando minhas legiões que rejubilavam em cânticos.
E aos bocados estava a devorar Teu nome
Tua Graça.
Na aurora,
Contudo,
Voltara a resplandecer Sol;
E no rasgo da minha quimera,
Cortaste-me com tua espada;
Da flama que surgira,
Expulsaste meus demônios e
Proscrito ficara do paraíso.
Da Tua falta irradiava
A febre da realidade,
Ardia a inquietude de vê-lo partir.
A Lua escarlate velou-se
Sob o raiar da Tua Glória;
O firmamento pendia entre a penumbra de outrora
E o radiante lampejo da tua densa ausência.
E agora eu venho suplicar-te
Ora, rogo a Ti,
Para que venhas a mim,
Despido do teu broquel,
De mãos puras,
Apoiando teu dorso em meu colo…
Sustenta-me!
Imploda meu ser!
Inflama minh'alma!
Proteja-me das incertezas,
Guia-me pela cruzada de nossos corpos,
Na sombra dos nossos toques,
Assim posso afogar-me no vale de nossas lascívias,
Pois Contigo, meu Rei e Senhor,
Não temo a dor do profano,
Porque tua santa vara e teu cajado me consolam.
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Naquele dia,
Dormira plácido
E no rasgo da realidade
Apareceste.
Das minhas súplicas,
Que ansiavam sua chegada;
Dos rabiscos de memórias gris,
Que palpavam sua forma,
Dos papiros deíficos e runas sacras
Que me acastelavam a fé:
Tu, o nume das minhas intercessões,
Levantaste do meu covil
Do altar que sobrepujara meus pés firmes.
E, num milagre, tomaste forma…
Então, prostrado aos meus pés,
Consolaste-me,
Dos meus anseios
fizestes os teus,
Do meu pensar
criara o falar,
Da minha devoção
fizestes-me teu servo.
Naquela noite
Em deslizar de instantes,
O meu torpe querer encobriu
a luz ofuscante da tua fulva majestade.
Eu vi o eclipse profano…
Os meus anseios possuíram-me
E, como um porco imundo, tive fome de ti.
Desde ali, ansiava tragar teu tato,
Lambuzar-me impuro do êxtase
por estar nas rédeas escatológicas do meu desejo.
Esgueirando-se, com tino, na sua sede por mim,
Dei a ti o meu fruto
e mastigara minhas nuances e grilhões,
Da avidez imaculada do teu zelo,
No credo pío em saciar-te.
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Yasamen, o perfume das cores!
Adeus águas de meus matizes,
Adeus teus azuis tão rasos e
Laranja ponho em teus segredos!
Castanho dos meus olhos
Funde e abalroam teus verdes! Mas
És czar,kaiser de danças de nossos tons.
Assim, tão nada vale os meus esboços.
Agradeço, mas acabou a peça
Acabou a sede, o calor,
As chuvas, a tempestade.
Não há mais emes, não me restam palavras,
Letra alguma a ti.
Sinto-me bem estar vazio do vazio que era você.
Sinto-me melhor, ao saber que foi você,
Tu saciou minha sede com minhas lágrimas,
Queimou-me, ateando nossos sonhos às chamas,
Limpou meus pesados sentimentos, escorrendo-os, regando tua estiagem.
Ah!
Repouso bem, pois teu temporal passou.
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Existirparam muitos "sentir",
Não engulo isso, não durmo,
Não ouço aquilo, nem eu mesmo.
Não sinto tudo isso do externo,
Mas não consigo para de sentir você,
Mesmo que me arranquem você,
Ainda corre algo de você
Em minhas veias, em meus aromas,
No que eu vejo, em tudo o que eu toco.
E, pior, você decidiu espargir-se em minha
mente,
Importunar incansavelmente meus sentidos,
Com lembranças, com esse frio na barriga,
Com essa inquietação, com esse desnorteamento.
Já nem se é amor, ou minha vertigem...
Só sei que preciso de ti,
De tu junto a todos os teus problemas,
De teu cheiro, tuas curvas, teu tato,
Tuas frases...
E se possível, deixe isso!
Deixa as frases que não me falas e que
As joga em teu confuso rosto,
Nas tuas ações e omissões.
Tente contar a mim 3 palavras,
Que incontáveis problemas
Eu não terei mais,
Pois nem viverei pra mim
Depois disso, eu vivo você,
Que está tão mais vivo em mim,
Do que eu mesmo.
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Nem sei porque ainda me gasto por você.
Gastei minhas madrugadas, o meu dia,
Anseios, laços, confiança...
Gastei tudo em ti e nada em mim sobrou,
Foi tanto o gasto, que desgasto o meu amor ficou.
Nós?
Se há um abismo entre mim e ti,
Não há nós, há apenas eu, sem eu em mim valer...
E, assim, o que adianta estar eu aqui,
Se, em mim, está você?
Por que me fazes furtar?
Ânimo, felicidade, energia...
Por quê?
Hoje eu quero furtar seu beijo e,
Junto a ele,
Todas as frases que no seu timbre eu não imagino.
Eu só queria estar cada dia mais desmotivado
Mas, chamas: por que vós chamas?
Não vês a tortura que nele há, que dele veio?
Ela não é em cima da cama.
Não vistes que meus líquidos por ele são apenas plangor, choradeira?
Não vistes que o comburente dele foi restolho, tiguera?
Não vês que toda sua ignição foi fogo de palha,
Que queima minha pele, mas em meu coração não mergulhou nada?
Oh chamas, que masoquismo é esse?
Oh, chamas, Quem dera vós vêdes!
Pois assim, fugiríeis tão depressa ao fim,
Quanto o amor dele por mim
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Minhas palavras estão tão pesadas,
Assim, não aguentam as enxurradas disso.
Meu corpo te deixou, mas
Ainda assim, minha mente conseguiu trazer-te;
E agora meu corpo e eu sofremos-te.
Meus olhos, em prantos, se fecham e
Vislumbram você ao meu lado;
Meus ouvidos, cansados, escutam sua voz
Me recitando o que eles sempre quiseram ouvir de ti;
Minha boca sente a sua, bosquejando meu corpo.
Minha imaginação cria o teu "te amo", ela não desiste de você
E você...
Você consegue dizer" mas eu não" me amando...
Ah, eu não sei quem me mata mais.
E assim eu pergunto a vocês:
Isso é amor?
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Quem tu és?
Me apresente suas chaves e
Desprenda-o.
Deixe-o, prenda-o na liberdade
De escolher, de andar-me.
Mostre a ele o que és tu para mim
E talvez ele mostre o que não foi-se
A si e a mim
E mata o muro, e constrói o meu quarto vermelho.
E quem o disse? Por quê?
Nisso,
Bambeio a facilidade
Parto a dor de atrelar,
De libertar-lhe à minha prisão.
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