Poemas Não Escolhidos
Naquele dia, Dormira plácido E no rasgo da realidade Apareceste. Das minhas súplicas, Que ansiavam sua chegada; Dos rabiscos de memórias gris, Que palpavam sua forma, Dos papiros deíficos e runas sacras Que me acastelavam a fé: Tu, o nume das minhas intercessões, Levantaste do meu covil Do altar que sobrepujara meus pés firmes. E, num milagre, tomaste forma… Então, prostrado aos meus pés, Consolaste-me, Dos meus anseios fizestes os teus, Do meu pensar criara o falar, Da minha devoção fizestes-me teu servo. Naquela noite Em deslizar de instantes, O meu torpe querer encobriu a luz ofuscante da tua fulva majestade. Eu vi o eclipse profano… Os meus anseios possuíram-me E, como um porco imundo, tive fome de ti. Desde ali, ansiava tragar teu tato, Lambuzar-me impuro do êxtase por estar nas rédeas escatológicas do meu desejo. Esgueirando-se, com tino, na sua sede por mim, Dei a ti o meu fruto e mastigara minhas nuances e grilhões, Da avidez imaculada do teu zelo, No credo pío em saciar-te.
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