Poemas Não Escolhidos II
No crepúsculo O véu se rasgou, ruíra a superfície do Teu sagrado e intoxicara-te do meu profano, não era mais terreno aquele lugar; no paraíso, celebravam meus demônios em júbilo por possuir-te, pois és alguém como o Pai, és o arcanjo que me visitara és milagre manifestado, és alguém como pai. Mas tu, oh Grande Príncipe, alguém como o Pai, mantera a minha proteção, retiveste meu corpo mundano no refúgio de Tua espada. Tu me tiveste protegido, mas eras tu que estavas domado nas correias do meu anelo. Era de gozo profundo tê-lo em minhas mãos, em mim; consumindo Teu resplendor dando-te aos vermes da minha carne, saciando minhas legiões que rejubilavam em cânticos. E aos bocados estava a devorar Teu nome Tua Graça. Na aurora, Contudo, Voltara a resplandecer Sol; E no rasgo da minha quimera, Cortaste-me com tua espada; Da flama que surgira, Expulsaste meus demônios e Proscrito ficara do paraíso. Da Tua falta irradiava A febre da realidade, Ardia a inquietude de vê-lo partir. A Lua escarlate velou-se Sob o raiar da Tua Glória; O firmamento pendia entre a penumbra de outrora E o radiante lampejo da tua densa ausência. E agora eu venho suplicar-te Ora, rogo a Ti, Para que venhas a mim, Despido do teu broquel, De mãos puras, Apoiando teu dorso em meu colo… Sustenta-me! Imploda meu ser! Inflama minh'alma! Proteja-me das incertezas, Guia-me pela cruzada de nossos corpos, Na sombra dos nossos toques, Assim posso afogar-me no vale de nossas lascívias, Pois Contigo, meu Rei e Senhor, Não temo a dor do profano, Porque tua santa vara e teu cajado me consolam.
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