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O véu se ergue, a farsa enfim desaba, ventos sussurram em minha alma exausta.
A Vontade Cega, insaciável, me consome,
Um ciclo eterno de dor, sem trégua, sem nome.
Cada desejo, um aguilhão que me perfura,
A ânsia incessante, a vã procura.
Por que persistir na teia da ilusão,
Se a vida é dor, e a dor, a única razão?
O sol que brilha, um escárnio em meu pesar,
A beleza que me foge, um cruel mirar.
No espelho d'alma, a face do desgosto,
O fardo existencial, pesado, posto.
Não há consolo em preces ou em vãs esperas,
A verdade nua, em suas frias esferas.
Revela o abismo, o vácuo a nos chamar,
E o sofrimento, rei, a nos acorrenta.
Perdoem-me, se há perdão para tal ato,
Mas a lucidez me impõe este exato trato.
A libertação reside na quietude,
No fim do anseio, na paz da solitude.
Assim me despeço, sem rancor, sem ira,
Apenas cansaço, a dor que não expira.
A Vontade enfim se cala, o fardo leve.
Na escuridão, a luz que o tempo tece.
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A treva veste a pele ainda tenra,
Um véu de sombra sobre a face nova.
No espelho turvo, a alma se esgarça e espera,
Um grito preso que a garganta prova.
Os sonhos de outrora, cores desbotadas,
Tornam-se espectros na penumbra densa.
As risadas alegres, outrora ecoadas,
Agora são suspiros de uma dor imensa.
O corpo em flor, botão que se retrai,
Sente o peso do mundo em seus ombros franzinos.
A pureza se esvai, como a luz que se vai,
Deixando rastros de caminhos tortuosos e finos.
As palavras são lâminas que cortam o silêncio. E a incomunicabilidade é um abismo sem fim.
O olhar perdido busca um tênue aceno,
Mas só encontra o eco sombrio dentro de si.
A rebeldia é um espinho que fere a carne,
Um grito mudo contra o que não se entende.
A fragilidade exposta, sem ter onde se guarnecer,
Na noite escura onde a razão se rende.
Os amigos se tornam sombras incertas,
Compartilhando angústias e desesperanças.
O futuro é um enigma de portas desertas,
Onde a melancolia tece suas danças.
Assim floresce a sombria adolescência,
Um tempo de tormenta e de cruel despertar.
Na alma ferida, a escuridão faz residência,
Enquanto a aurora hesita em raiar.
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Entre vozes que ecoam na praça
e o silêncio que grita nos porões,
tecem-se leis que a liberdade embaça,
enquanto sangram iguais corações.
É um fogo que a si mesmo devora
o direito de um é o outro medo.
A maioria dita a hora,
mas a minoria carrega o segredo.
Pesa na balança o voto e a razão,
um jogo de espelhos quebrados no chão.
Quem ergue a bandeira da justa verdade
pode pisar, sem ver, na própria vontade.
Democracia, uma ponte entre o caos e a ordem,
frágil navio em mar de contradição.
Para salvá-la, dizem, é preciso conter
as mãos que a ergueram, em nome da nação.
Ah, paradoxo! Como governar o voo
de um pássaro que é livre, mas preso ao céu?
Somos todos soberanos, porém pouco a pouco
a liberdade se esvai no jogo mais cruel.
Restará, no fim, o eco de um dilema de
um povo que é dono, mas escravo de si.
Democracia, filha e mãe do problema,
eterno ciclo onde o poder se perdi.
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No jardim silente, onde a luz dança,
Brota a planta ancestral, a cannabis ativa.
Verde esperança, em folhas que avança,
No ritmo suave da brisa cativa.
Seus cálices são portais, segredos guardam,
Resina dourada, um néctar de paz.
Nos véus da mente, sonhos despertam,
E o tempo, em espirais, se faz.
Ela é a musa dos sentidos despertos,
Das almas que buscam um novo olhar.
No abraço quente dos seus enigmas certos,
Encontramos coragem para voar.
Cannabis ativa, erva de mil histórias,
Das curas antigas aos modernos rituais.
Teu canto ecoa em noites notórias,
E nos lembra que somos parte dos ciclos naturais.
Que teu verde seja ponte, não seja prisão,
Liberdade e respeito, em cada gesto.
Pois na tua essência há uma canção,
Que fala de cura, de amor e de resto.
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No salão escuro, onde a luz hesita,
Ecos de risadas cortam a névoa espessa.
Humor negro, irmão da dor finita,
Dança nos lábios, uma sombra que se confessa.
Cada piada, um epitáfio disfarçado,
Cada gracejo, um suspiro de desespero.
É o riso que nasce do coração quebrado,
Um eco irônico do abismo verdadeiro.
A Morte, a anfitriã, sorri nos cantos,
Seu véu de trevas bordado de sarcasmo.
Ela brinca com ossos, tece encantos,
Enquanto o riso se transforma em espasmo.
"Por que chorar se a vida é um tropeço?",
Pergunta o bobo da corte, pálido e mudo.
Seu cetro é uma foice, seu trono, o esquecimento,
E seu riso, um lamento disfarçado de escárnio agudo.
Os convidados, fantasmas de si mesmos,
Dançam em círculos, num baile macabro.
Cada piada, um corte, um golpe supremo,
E o riso, um véu sobre o destino funesto e sabre.
No fim, resta o silêncio, pesado e frio,
O humor negro se dissolve na madrugada.
E a Morte, sempre sábia, guarda o segredo antigo.
Que o riso é a máscara da alma despedaçada.
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Na sombra que dança ao luar,
Os demônios começam a cantar.
Vozes roucas, ecoam no ar,
Segredos que ninguém pode decifrar.
Olhos de brasa, corpos de ilusão,
Caminham na linha da tentação.
Promessas falsas, traição,
No abismo da alma, a perdição.
Uns sussurram medo, outros, desejo,
No peito humano, criam um sonho, viajo.
São mestres do caos, do fogo e do gelo,
No jogo da vida, são o revés do anjo.
Mas quem são eles, senão o reflexo,
Das sombras que habitam nosso processo?
Demônios internos, talvez, o pretexto,
Para enfrentarmos nosso próprio apreço.
Na noite escura, quando tudo cala,
Eles surgem, mas não são a bala.
São o espelho que nos desafia,
A encontrar a luz que ainda ardia.
Demônios, sombras, medos ou dor,
São parte do caminho, do eterno labor.
E no fim da jornada, quem sabe, entender,
Que eles existem para nos fazer crescer.
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Corpo em chamas,
Mente em desalinho.
Pensamentos em looping,
Uma roda gigante.
Sem ponto final,
Um tormento constante.
Presa em um labirinto,
sem saída
Afogada em emoções em agonia.
Um labirinto sem fim, em minha mente a vagar,
Emoções desenfreadas, um turbilhão a se formar.
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Em tela fria, reflexo de um eu,
Num mundo artificial, onde a alma se perdeu.
Espelho negro, que a mente absorve,
Um labirinto virtual, onde a solidão encontra-se.
Nos algoritmos, a vida se resume,
Em likes e seguidores, um jogo que consome.
A imagem perfeita, um ideal a perseguir,
Mas a felicidade, onde está para surgir?
Conectado sempre, mas desconectado de si,
Perdido em um mundo de mentira, onde a verdade se esquiva.
A tela brilha, hipnotiza e atrai,
Mas a alma anseia por um toque, um olhar que abstrai.
Em meio caótico, uma voz interior clama,
Por um mundo real, onde a emoção inflama.
Desconecte-se, olhe ao redor,
A vida te espera, para além da tela, o amor.
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Sob manto estrelado, em noite sem luar,
A bruxa invoca, com olhar sombrio, a noite iluminar.
Caldeirão ferve, em névoa esverdeada,
Poções se misturam, em magia acalentada.
Ervas venenosas, de cores vibrantes,
E flores curativas, de aromas encantantes.
A lâmina cintila, em reflexo lunar,
Um corte profundo, selando um novo ar.
Coração dividido, em dor e prazer,
Vingança e perdão, a alma a querer.
As sombras se alongam, a noite se adensa,
Um pacto selado, em trevas e suspense.
A cura e a ruína, entrelaçadas em um só,
Um destino incerto, onde a alma se afogou.
A bruxa sorri, com lábios purpurinos,
Em um ritual obscuro, de desejos malignos.
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Dionísio, deus da festa e do vinho,
Em teu louvor, versos fluirão.
Em cada taça, um toque divino,
Em cada dança, um novo chão.
Nas vinhas, teu espírito paira,
Em cada uva, um néctar sagrado.
Na embriaguez, a alma se eleva,
Em êxtase, o corpo libertado.
Nas bacanais, a vida explode,
Em frenesi, a paixão se inflama.
Com teu cetro, a terra se move,
Em teu nome, a alegria nos chama.
Dionísio, mestre da vida e da morte,
Em teu ciclo, tudo renasce.
Em tua loucura, encontramos a sorte,
Em tua paixão, a alma transcende.
Um brinde a ti, deus do vinho e do prazer,
Que nos conduz à loucura e à paz.
Em tua presença, a vida é um lazer,
Em tua glória, a alma se eleva e jaz.
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